Acordo de paz “ajuda a economia”, mas “vai demorar meses para tudo voltar ao normal”
Governador do Banco de Portugal lembra que houve infraestruturas de petróleo e gás que foram atingidas durante a guerra no Médio Oriente, pelo que “vai demorar algum tempo” a reativá-las.
O governador do Banco de Portugal considera que, a efetivar-se o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra no Médio Oriente, isso vai ajudar a economia portuguesa. Ainda assim, avisa que vai demorar algum tempo para que todas as operações voltem ao normal, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse aberto hoje.
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“É óbvio que, se continuarmos a ter notícias positivas com o acordo — caso se concretize –, mas [que] também leve a um cessar-fogo e ao fim da guerra permanente, isso são notícias que vão ajudar a economia. Parece-me evidente”, afirmou esta segunda-feira Álvaro Santos Pereira, na conferência de imprensa de apresentação do Boletim Económico de junho, em Lisboa.
Lembrando, por outro lado, que houve instalações petrolíferas e de gás que foram atingidas no decorrer do conflito, o responsável ressalvou que, mesmo que o Estreito de Ormuz fosse reaberto hoje, “ainda vai demorar alguns meses para todas as operações voltarem ao normal“.
“Para reativar todas as centrais vai demorar algum tempo. Portanto, nós sabemos que vai durar algumas semanas, senão mesmo meses em alguns casos, para conseguirmos reativar todo o sistema energético que vem do Médio Oriente“, assumiu o governador do Banco de Portugal, em reação às notícias que dão conta de que Washington e Teerão vão assinar na sexta-feira um acordo para pôr fim às hostilidades, incluindo no Líbano.
Governo espera “solução duradoura” e apela a Israel que “seja parte” dela
Da parte do Governo, o ministro dos Negócios Estrangeiros também reagiu às notícias de um acordo de paz entre Washington e Teerão. Paulo Rangel espera que, “além do cessar-fogo, haja a possibilidade de construir uma solução duradoura” para a região do Médio Oriente, bem como uma reabertura do Estreito de Ormuz que assegure o “transporte regular” de fertilizantes e combustíveis.
O chefe da diplomacia portuguesa, que falava aos jornalistas a partir do Luxemburgo após uma reunião com os seus homólogos dos Estados-membros da União Europeia (UE), adiantou que “provavelmente” Portugal fará parte de alguma missão na área da desminagem no âmbito da iniciativa do Reino Unido e da França.
Mas “temos de aguardar os termos do memorando de entendimento entre os EUA e o Irão”, ressalvou Paulo Rangel, apontando o Líbano como uma “questão muito sensível”. “Temos de garantir que não haja uma reação unilateral que possa pôr em causa a assinatura do memorando de entendimento”, acrescentou.
Nesse sentido, apelou também a que Israel “seja parte da solução”, porque “o mundo inteiro precisa desta nova fase”.
(Notícia atualizada às 13h15 com declarações de Paulo Rangel)
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