Alemanha, França, Itália e Reino Unido prontos para levantar sanções contra Irão

  • Lusa e ECO
  • 15 Junho 2026

Alemanha, França, Reino Unido e Itália "preparados para levantar as sanções pertinentes em resposta a medidas claras e verificáveis do Irão em relação ao seu programa nuclear".

A Alemanha, a França, o Reino Unido e a Itália manifestaram-se disponíveis para levantar sanções contra o Irão após o anúncio de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Os quatro países consideraram “vital” que as negociações detalhadas entre os Estados Unidos e o Irão sejam concluídas com sucesso e que o acordo seja implementado de forma rápida e abrangente.

“Estamos preparados para levantar as sanções pertinentes em resposta a medidas claras e verificáveis do Irão em relação ao seu programa nuclear”, anunciaram os quatro países, numa declaração conjunta.

Manifestaram ainda disponibilidade para colaborar com os Estados Unidos, o Irão e a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) para o efeito, sublinhando que o Irão “nunca deverá adquirir uma arma nuclear”.

A declaração surge poucas horas antes do início da cimeira do G7 (países mais industrializados) em Évian, França, onde o conflito no Médio Oriente é um dos principais temas da agenda.

Os quatro países salientaram ainda que a reabertura “urgente” do Estreito de Ormuz, com liberdade de navegação “incondicional e irrestrita”, é um elemento “essencial” para garantir a segurança e a estabilidade na região.

O primeiro-ministro paquistanês, que mediou as negociações, anunciou no domingo que foi concluído um acordo entre os Estados Unidos e o Irão. Segundo Shehbaz Sharif, o acordo prevê um cessar-fogo no conflito no Médio Oriente incluindo o Líbano e deverá ser assinado na Suíça no dia 19.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também confirmou o acordo, bem como o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Ali Gharaibabadi.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o acordo alcançado, que considerou uma “etapa crucial” rumo à paz no Médio Oriente.

Numa mensagem divulgada através das redes sociais, a presidente da Comissão Europeia frisou que deve ser restaurada a liberdade de navegação sem restrições.

Ursula von der Leyen acrescentou que a liberdade de navegação é essencial para a estabilidade regional e para a economia global e que se podem “abrir as portas” a negociações mais amplas sobre a paz e a segurança no Médio Oriente.

Também António José Seguro assinalou o acordo, “esperando que este sirva para pôr um fim imediato ao conflito, incluindo no Líbano, e que a sua implementação traga a paz, segurança e estabilidade indispensáveis ao desenvolvimento de toda a região, e permita o retomar da livre circulação no Estreito de Ormuz”.

“Portugal estará sempre do lado da busca de soluções diplomáticas e do respeito pelo direito internacional e agradece os esforços de todas as partes envolvidas na mediação”, acrescenta António José Seguro numa nota divulgada pela Presidência da República.

Numa mensagem publicada na rede social Facebook, o Ministério dos Negócios Estrangeiros “agradece a incansável mediação do Paquistão e os importantes contributos do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia.

Japão, Austrália e Nova Zelândia celebram acordo

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, já veio saudar o anúncio de que Irão e Estados Unidos chegaram a um acordo para pôr fim à guerra no Médio Oriente, apelando à garantia da navegação no Estreito de Ormuz.

“No futuro, esperamos que este memorando seja implementado de forma consistente, que a navegação livre e segura no Estreito de Ormuz seja efetivamente garantida e que se chegue, o mais rapidamente possível, a um acordo final sobre a questão nuclear do Irão e outros assuntos”, escreveu a líder no seu perfil na rede social X.

Takaichi agradeceu aos países mediadores e recordou que Tóquio tem vindo a realizar “esforços diplomáticos ativos” para acalmar a situação. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, emitiu um comunicado semelhante, no qual saudou o acordo como “um grande passo para a resolução da situação”.

Também o Governo da Austrália saudou o acordo que diz representar uma oportunidade para reduzir tensões no Médio Oriente e atenuar a crise energética causada pelo conflito. Num comunicado conjunto, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e a ministra dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, saudaram o pacto e reiteraram o apelo de Camberra à desescalada e ao fim das hostilidades na região, incluindo o conflito no Líbano.

“O Governo australiano congratula-se com o acordo entre os Estados Unidos e o Irão”, afirmaram as autoridades, que sublinharam a necessidade de se manter a contenção e o compromisso construtivo para evitar novas escaladas e avançar para uma solução duradoura.

A Austrália destacou, em particular, o facto de o acordo prever medidas para reabrir o Estreito de Ormuz e restabelecer a liberdade de navegação nesta via marítima estratégica, por onde transita uma parte significativa do comércio mundial de petróleo e gás.

Segundo Camberra, a normalização gradual do tráfego no corredor contribuirá para aliviar a pressão sobre os preços da energia e reduzir o impacto económico em várias regiões, incluindo a Ásia-Pacífico.

Camberra instou também as partes a aproveitarem o momento para promover uma paz sustentável através do diálogo e da diplomacia, ao mesmo tempo que reiterou que o Irão deve dar resposta às preocupações internacionais sobre o seu programa nuclear.

Em consonância com a posição expressa pela Austrália, a Nova Zelândia também acolheu favoravelmente os avanços no sentido de um acordo de paz. O ministro dos Negócios Estrangeiros neozelandês, Winston Peters, saudou a aceitação do memorando de entendimento e classificou o pacto como um “passo construtivo” para reduzir as tensões e promover a estabilidade numa região fundamental para a segurança económica mundial.

Wellington sublinhou ainda que as perturbações no Estreito de Ormuz tiveram “graves impactos” na economia neozelandesa e em vários países insulares do Pacífico, pelo que valorizou as medidas destinadas a reabrir com segurança esta rota marítima estratégica e a restabelecer a confiança nas cadeias de abastecimento internacionais.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Alemanha, França, Itália e Reino Unido prontos para levantar sanções contra Irão

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião