As empresas estão a começar a incorporar trabalhadores digitais na sua estrutura operacional
Empresas como a Parlem Telecom e a Olimpfruit estão comprometidas com equipas híbridas de humanos e Trabalhadores Digitais para gerir o conhecimento, coordenar processos e absorver mais atividade.
O surgimento dos chamados Trabalhadores Digitais – trabalhadores digitais capazes de executar tarefas, coordenar processos, gerir informação e colaborar com equipas humanas – está a dar origem a novos modelos organizacionais em que a inteligência já não reside apenas nas pessoas, mas também numa nova camada operacional integrada dentro da empresa.
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Estes modelos procuram resolver um dos principais desafios enfrentados pelas organizações em crescimento: como absorver maior complexidade sem a necessidade de a estrutura crescer ao mesmo ritmo. A Olimpfruit, uma empresa especializada na produção e comercialização agroalimentar, viu-se perante precisamente este desafio. A empresa operava num ambiente onde as encomendas, logística, documentação, coordenação comercial e atendimento ao cliente convergiam. À medida que o negócio crescia, cada nova operação exigia mais acompanhamento manual, mais coordenação e uma maior dependência das pessoas para manter a continuidade do negócio.
“O desafio era absorver crescimento e complexidade sem aumentar a estrutura administrativa”, explicou Franesc Peña, do Olimpfruit. A empresa identificou que o problema não era tecnológico, mas organizacional. A questão não era incorporar mais software, mas criar uma nova camada operacional capaz de coordenar processos fragmentados num contexto partilhado.
Para tal, implementou um modelo híbrido em que trabalhadores digitais especializados colaboram com equipas humanas em áreas como coordenação de encomendas, gestão logística, atendimento ao cliente, controlo de stock e a relação operacional com o pessoal de campo. “Hoje temos uma estrutura capaz de coordenar operações de forma transversal, com maior visibilidade, continuidade organizacional e menos dependência de processos manuais”, disse Francesc Peña.
Um desafio diferente, embora com um percurso semelhante, foi o enfrentado pela Parlem Telecom. O operador coexistia com múltiplas áreas operacionais, serviço ao cliente, gestão comercial, incidentes, relatórios e operações técnicas. Segundo a empresa, o desafio não era incorporar mais ferramentas de inteligência artificial, mas encontrar uma forma de as integrar dentro da mesma arquitetura operacional.
“O desafio não foi incorporar IA. Era estruturar a forma de operar com a IA de forma real e governada”, disse Ernest Perez-Mas, presidente da Parlem. A organização constatou que as iniciativas de IA isoladas estavam a conduzir a novos silos, fragmentação e perda de contexto entre departamentos. Para resolver isto, optou por um modelo baseado em trabalhadores digitais capazes de coordenar informação, manter a continuidade operacional e partilhar contexto entre diferentes áreas da empresa.
“Precisávamos de contexto partilhado, coordenação, memória organizacional e continuidade operacional transversal. O objetivo era construir uma arquitetura pronta para escalar a IA estruturalmente em toda a organização”, diz Ernest. Através desta implementação, a Parlem conseguiu melhorar a coordenação transversal, aumentar a capacidade organizacional, reforçar a rastreabilidade das operações e construir uma infraestrutura preparada para integrar novos trabalhadores digitais sob critérios de governação e supervisão.
Por detrás de ambos os projetos está a NODUS, uma empresa especializada em infraestruturas operacionais híbridas baseadas em Trabalhadores Digitais. A sua proposta baseia-se no destacamento de trabalhadores digitais dentro da estrutura operacional da organização para colaborar com pessoas e sistemas corporativos no desenvolvimento de processos empresariais reais.
A empresa desenvolveu o NODUS OS, o sistema que ordena e governa a inteligência artificial dentro da organização. Não se limita à execução de tarefas, mas estabelece o quadro operacional que permite coordenar pessoas, processos e trabalhadores digitais dentro da mesma arquitetura.
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