No pior dos casos, Banco de Portugal prevê crescimento de 1,6% este ano e inflação de 3,8%
Banco de Portugal mantém previsão de crescimento da economia de 1,8% no cenário base, mas no caso mais severo de consequências da guerra no Irão, o PIB avança menos e a inflação acelera mais.
O Banco de Portugal manteve inalterada a previsão de crescimento da economia portuguesa este ano, embora reveja em alta a inflação. No entanto, devido à elevada incerteza provocada pela guerra no Irão, o banco central apresenta três cenários alternativos e, no pior dos casos, estima que o Produto Interno Bruto (PIB) avance 1,6% e a inflação suba para 3,8%.
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No “Boletim Económico de junho”, apresentado esta segunda-feira por Álvaro Santos Pereira, o Banco de Portugal mantém a projeção de crescimento de 1,8% este ano e de 1,6% em 2027, apontando para uma taxa de 1,8% em 2028. Ainda assim, existem alterações no comportamento das variáveis que levam a este desempenho face a março, com uma revisão em alta para 2026 da procura interna e das exportações.
Por outro lado, refletindo, em larga medida, o aumento do preço do petróleo associado à guerra no Irão, a instituição prevê uma subida da inflação para 3,1% este ano, contra os 2,8% esperados no “Boletim de março”, antes de regressar a valores próximos de 2% nos anos seguintes.
“A economia continua bastante resiliente a todos os choques que têm acontecido. Revemos em alta a inflação porque começam a existir mais pressões nos preços, quer em bens energéticos, quer nos serviços”, destacou o governador do Banco de Portugal durante a conferência de imprensa do documento, na sede do banco, em Lisboa.
Porém, à semelhança do Banco Central Europeu (BCE), o Banco de Portugal apresenta três cenários alternativos ao cenário base: o adverso, o severo e o moderado. O cenário adverso implica um crescimento anual do PIB inferior em 0,1 pontos percentuais (pp.) em 2026, 0,2 pp. em 2027 e 0,1 pp. em 2028, “refletindo a transmissão gradual dos choques sobre a procura interna e externa”. Neste caso, a inflação situa-se acima da projeção base em 0,2 pp. em 2026, 0,6 pp. em 2027 e 0,4 pp. em 2028.
“O aumento dos preços dos bens energéticos e alimentares e a sua transmissão às restantes componentes do IHPC é apenas parcialmente atenuada pelo impacto negativo do choque sobre a atividade económica”, explica a instituição.
Por outro lado, o cenário severo traduz-se num impacto mais acentuado quer sobre a atividade quer sobre a inflação. O efeito na taxa de crescimento anual do PIB é de -0,2 pp. em 2026, -0,5 pp. em 2027 e -0,2 pp. em 2028, enquanto a taxa de inflação acelera para 3,8% em 2026, 4,3% em 2027 e diminuindo para 3,3% em 2028.
No cenário mais moderado, o PIB apresenta “um crescimento muito próximo da projeção de junho e uma taxa de inflação ligeiramente inferior ao longo do horizonte, refletindo um impacto relativamente limitado sobre o cenário internacional”.

(Notícia em atualização)
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