Portugal alinhará com UE se decidir levantar sanções a Teerão
Paulo Rangel afirmou que Portugal alinhará com a UE se decidir levantar as sanções ao Irão e considerou que há condições para um acordo sobre o nuclear iraniano melhor do que em 2015.
O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou esta segunda-feira que Portugal alinhará com a UE se decidir levantar as sanções ao Irão e considerou que há condições para um acordo sobre o nuclear iraniano melhor do que em 2015.
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Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, no Luxemburgo, Paulo Rangel saudou o memorando de entendimento alcançado esta noite entre os Estados Unidos e o Irão, afirmando esperar que possa ser “um motor de uma nova fase em que, para além do cessar-fogo, haja a possibilidade de construir uma solução duradoura para o Médio Oriente”.
Questionado se lhe parece que existem atualmente condições para negociar um melhor acordo nuclear com o Irão do que o que tinha sido alcançado em 2015, o ministro dos Negócios Estrangeiros respondeu: “Estou absolutamente convicto que sim“.
“As circunstâncias são muito diferentes e, portanto, são circunstâncias que trarão um acordo que poderá, depois, levar a uma nova ordem no Médio Oriente”, defendeu.
Rangel considerou que, no imediato, o importante é “parar todas as hostilidades, introduzir segurança, reabrir o Estreito de Ormuz” e, depois, “começar o programa de desmantelamento da capacidade nuclear que o Irão tem”.
“E, com isso, criar uma nova ordem também de relacionamento porque, obviamente, esta crise não criou apenas os problemas económicos que nós estamos a ver e a alta tensão do ponto de vista político, criou uma grande desconfiança entre países na área do Golfo. E, portanto, é preciso restaurar, através de uma nova ordem própria, essa nova confiança”, disse.
Sobre se Portugal apoiaria o levantamento de sanções da União Europeia (UE) a Teerão caso o regime abdique do seu programa nuclear, como foi esta segunda-feira sugerido pela França, Reino Unido e Itália, Paulo Rangel observou que “os Estados Unidos também estão dispostos a fazê-lo”.
“E, obviamente, Portugal alinhará com a UE nessa determinação. Nós dissemos isto desde o início do conflito: sempre fomos favoráveis a uma solução diplomática”, referiu.
Portugal poderá participar na iniciativa franco-alemã para assegurar a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, mas Paulo Rangel disse não querer falar sobre o “exato desenho” da contribuição portuguesa e considerou precoce falar-se já sobre esse assunto.
“Haverá agora contactos por parte dos nossos colegas franceses e ingleses. Haverá, provavelmente, alguma missão deste grupo na área da desminagem – isso é altamente provável – mas nós temos de aguardar os termos exatos do memorando de entendimento”, afirmou.
O chefe da diplomacia portuguesa recordou que Portugal tem acompanhado essa iniciativa desde o início, “manifestando disponibilidade para cooperar”, mas considerou precipitado falar já dos seus moldes.
“Implicará também uma contribuição do Ministério da Defesa e das Forças Armadas portuguesas, se assim for, e, portanto, evidentemente não vou agora falar sobre isso aqui, até porque não está mesmo definido”, afirmou.
Rangel manifestou-se contudo convicto de que se entrou numa “nova fase” do conflito, apesar de salientar que a guerra no Líbano permanece uma “questão muito sensível” e “um vetor que é preciso ver como vai evoluir, no sentido de garantir que não há nenhuma reação multilateral, seja de onde for, que pudesse pôr em causa a assinatura do memorando de entendimento”.
Questionado se teme que Israel ponha em causa o acordo, o ministro apelou a que “Israel seja parte da solução”. “É muito importante para criar condições para passarmos a uma nova fase. O mundo inteiro precisa de uma nova fase, a começar pelas populações de Israel, mas também do Líbano, da Palestina, do Golfo, do próprio Irão, precisam deste acordo”, referiu.
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