“Portugal precisa de mais equipamento e mais financiamento para combater fogos”
Portugal precisa de mais aviões e financiamento para combater incêndios, alerta o piloto da Avincis Luís Santos, que defende reforço da frota para evitar riscos de incêndio de alta escala no país.

“Os fogos estão a subir na Europa de uma forma exponencial. Portugal também devia acompanhar esta preocupação, para que não tenha complicações como tivemos no passado, por exemplo em 2017. Portugal precisa de mais equipamento e mais financiamento para combater eficazmente fogos“, afirmou Luís Santos, piloto português da Avincis, à margem da apresentação da aeronave Canadair CL-215T, no Aeroporto de Cascais, ao ECO/eRadar.
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Portugal conta com dois aviões de combate a incêndios CL-215, versão menos avançada da aeronave proveniente de Espanha apresentada no evento, e Luís Santos revelou estar preocupado com o tempo de resposta das aeronaves CL-215, pois os aviões de combate a incêndios CL-215T “estão prontos para ir para o teatro de operações mais rápido”.
“É seguro dizer que estes aviões Canadair seriam muito melhores para o combate a incêndios cá em Portugal”, salientou.
Mas o que falta para Portugal ter mais capacidade de resposta a incêndios? “Mais equipamento e mais financiamento, como é lógico, sem dúvida nenhuma. Ainda há falta de investimento, a falta de querer investir nesta área. É preciso haver dinheiro para manter um equipamento destes, que ajuda a debelar com mais eficiência fogos de característica grande”, sublinhou o piloto português ao ECO/eRadar.
Luís Santos vincou que é necessário “o Estado querer, efetivamente, participar com valores que possibilitem o trabalho destes aviões” e adquirir “pelo menos mais dois àqueles que já existem”.
“Poderem vir mesmo mais quatro aviões destes a somar aos dois que já cá estão, para termos um total de seis equipamentos, estaríamos melhor preparados para conseguirmos atacar incêndios e debelar incêndios onde eles existissem”, vincou ao ECO/eRadar.
Questionado sobre se os impactos da tempestade Kristin deixaram terrenos danificados e que possam causar maior risco de incêndios, o piloto da Avincis respondeu “sem dúvida”.
“O perigo é que tens na zona da Figueira da Foz e de Leiria, onde a Kristin entrou e derrubou realmente muitos hectares de mata, combustível a secar em potência que está ali a ressecar e que poderá começar a arder e a rearder o que está verde acima e abaixo daquelas zonas. Ou seja, não só essas zonas, mas as zonas adjacentes”, frisou Luís Santos.
Além de acreditar que a frota de aeronaves de combate a fogos não seja suficiente, Luís Santos defende que “é necessário termos outras ajudas, de Marrocos, de Itália, ou da Grécia que venham com aviões deste género a Portugal” para apoiar no combate a incêndios, como já aconteceu em anos passados.
O piloto Luís Santos adiantou ainda ao ECO/eRadar que Portugal terá “o terceiro [Canadair CL-215], porque o contrato manda ter dois ativos, e é preciso ter um terceiro caso um precise de manutenção”.
A manutenção destas aeronaves acontece no aeródromo de Castelo Branco, a base dos aviões operacionais CL-215. De acordo com Luís Santos, a zona foi escolhida “estrategicamente”. “Era o sítio mais indicado para podermos trabalhar com os aviões, equidistantes, quer do sul, quer do norte, e com uma pista boa, de 1400 metros. Podemos varrer desde a fronteira de Espanha até à zona da linha de costa, e para norte e para sul”
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Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO -
Apresentação da Aeronave Canadair CL-215T, que decorreu esta segunda-feira no aeroporto de Cascais. Henrique Casinhas/ECO
Avincis adquire mais de 30 aeronaves
A Avincis anunciou esta segunda-feira que irá adquirir mais de 30 aeronaves para apoiar a sua estratégia de crescimento a longo prazo, que inclui 15 Airbus H145 de cinco pás e 15 aeronaves Leonardo, cinco AW139 e dez AW169, com entregas previstas para o período de 2028 a 2031.
O anúncio, que surge no mesmo dia em que apresentou a aeronave CL-215T no aeroporto de Cascais, poderá ser significativo para Portugal, pois a Avincis emprega cerca de 60 pessoas e estabeleceu a sua sede global em Lisboa em 2023.
Segundo a Avincis, a decisão reflete “a confiança da empresa na experiência do país em aviação, na capacidade de engenharia e na importância estratégica no âmbito das suas operações internacionais”.
“Esta encomenda significativa representa a confiança que temos no potencial do mercado dos serviços aéreos de emergência e irá apoiar o nosso plano de crescimento no futuro. Ouvimos os nossos clientes e acreditamos que esta combinação de aeronaves da Airbus e da Leonardo irá satisfazer as suas necessidades futuras”, referiu o CEO do Grupo Avincis, John Boag, citado em comunicado.
Com uma frota de aproximadamente 210 aeronaves, dos quais cerca de 170 helicópteros e cerca de 40 aviões, a Avincis conta com uma equipa de mais de 2.500 profissionais, incluindo pilotos, tripulações, técnicos e equipas de apoio para prestar o seu serviço.
“Acreditamos também firmemente que a posse de aeronaves é um ponto forte fundamental do nosso negócio, proporcionando-nos um maior controlo sobre a disponibilidade, a configuração e a eficiência de custos a longo prazo, ao mesmo tempo que nos permite responder de forma mais eficaz às necessidades em evolução dos nossos clientes”, acrescentou o CEO da prestadora de serviços de emergência.
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