Exclusivo Processo americano contra a Sword vai a julgamento em setembro
Não há acordo à vista entre as partes e os queixosos pedem 5% das ações do unicórnio português, que poderão ascender a um valor de 200 milhões de dólares.
O processo em que uma empresa norte-americana pede uma indemnização à portuguesa Sword Health já tem data marcada para o julgamento. O tema será alvo de decisão a 14 de setembro, pouco mais de dois anos depois de o caso ter chegado ao tribunal californiano, pela iniciativa da A2 Academy, que se queixa de ter sido enganada pelo unicórnio português.
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Ao contrário do que se sucede no sistema judicial português, neste caso tem havido uma intensa atividade pré-julgamento. Isto significa que, antes de chegar esse momento, muito trabalho entre as parte já foi feito, esgrimindo argumentos e apresentando pedidos ao tribunal. Inclusivamente, tem havido reuniões entre as partes, mas não há qualquer sinal de que o tema seja resolvido de forma amigável e o processo caia.
O caso que coloca a Sword Health e a empresa norte-americana nesta disputa (antes designada Aging2.0 Academy) remonta a 2014, quando a empresa com origem no Porto se candidata e é escolhida para fazer parte de um programa de mentoria e aceleração para startups com produtos ou serviços inovadores para maiores de 50 anos, na Califórnia.
Ao tornar-se uma das ‘aceleradas’, assina um acordo com os promotores da iniciativa que previa a entrega de 5% do capital da empresa de origem nacional. Mas essas ações nunca chegaram.

As partes discutem agora em tribunal, em São Francisco, se os queixosos ainda têm direito a essas ações, ou se o prazo para o exigir prescreveu. A Sword e o próprio fundador, Virgílio Bento, têm alegado que está esgotado o prazo para a contestação, enquanto a A2 Academy defende que esse prazo só deve começar a ser contado quando tomou consciência de que a Sword não havia cumprido o acordado (a ação só entrou em tribunal em 2024).
Os queixosos acusam ainda a Sword de má-fé ao não os informar de que tinham criado uma sociedade nos Estados Unidos da América, que em teoria seria o veículo no qual as ações em causa seriam atribuídas. Já a Sword defende que os registos da criação dessa entidade, no Delaware, são públicos, pelo que a A2 Academy não foi diligente e não foi impedida de ter acesso a essa informação.
O último desenvolvimento do processo foi a apresentação de uma terceira versão da queixa, de forma a incluir nas entidades reclamadas a Sword Health Technologies, uma das entidades da Sword que, segundo os queixosos, devem estar dentro do perímetro da empresa de Virgílio Bento, que pode ser responsabilizada pela quebra contratual.
Seguiu-se, a esta terceira versão, um pedido da defesa da Sword e de Bento para que o juiz desconsiderasse a queixa (sem entrar em apreciação da matéria de facto), mas tal foi recusado, como já havia acontecido nas duas versões anteriores.
O ECO contactou tanto a A2 Academy como a Sword, mas nenhuma das entidades se quis pronunciar sobre este processo. Virgílio Bento tem evitado falar do caso, mas chegou a dizer, há cerca de um ano, que estava completamente tranquilo. “O processo está a decorrer. Se nós quiséssemos fazer o settlement [acordo legal para pôr fim à litigância], já tínhamos feito o settlement. Como o processo ainda decorre, não posso dizer muito, mas estou completamente confortável de que vai ser bem-sucedido para nós”, afirmou então. “Acho que o facto de nós não queremos fazer acordo nenhum em relação a isto demonstra a confiança que temos no processo”, acrescentou Virgílio Bento.
Quando o acordo foi firmado, e a Sword esteve na Califórnia junto da então Aging 2.0 Academy, a empresa portuguesa era apenas uma entre várias candidatas à procura de parceiros, de conhecimento e de acelerar o seu crescimento. Porém, agora é um dos unicórnios portugueses, e os 5% que os americanos reclamam valem bem mais dinheiro. De acordo com a última avaliação conhecida, a Sword Health vale cerca de quatro mil milhões de dólares, pelo que, se o tribunal lhe der razão, a A2 Academy pode receber ações no valor de 200 milhões de dólares.
Além desta reclamação, a empresa de São Francisco pede ainda uma indemnização por danos “a ser definida em sede de julgamento”, para além do pagamento de juros.
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