Tudo o que já se sabe (e falta saber) sobre o acordo entre EUA e Irão

"Parabéns a todos!". Trump anunciou um acordo com o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz. Veja aqui as reações e o que o memorando significa na prática.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou no domingo um acordo com o Irão, focando principalmente na reabertura do Estreito de Ormuz. Teerão confirmou o acordo o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano.

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Na prática, o memorando de entendimento prolonga o cessar-fogo e as negociações para um acordo permanente por 60 dias. Período em que as duas partes tentarão, com a mediação do Paquistão, resolver uma das principais questões: a capacidade nuclear do Irão.

Segundo Trump, a assinatura do acordo e a reabertura do Estreito de Ormuz terá lugar na sexta-feira. O preço do petróleo Brent recua 4,32% e os mercados bolsista na Ásia reagiram de forma positiva, com os futuros a apontarem também para aberturas no verde na Europa e em Wall Street.

Veja aqui o que já se sabe sobre o acordo:

O que anunciou Donald Trump?

“O acordo com a República Islâmica do Irão está agora concluído. Parabéns a todos!”, escreveu Donald Trump na rede Truth Social, adiantando que “autoriza” plenamente a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, o levantamento imediato do bloqueio naval dos Estados Unidos.

Num segundo post, o republicano sublinhou que “este grande acordo trará paz e segurança a toda a região”, adiantando que “os líderes da região encontraram, pela primeira vez, um presidente capaz de os ajudar a alcançar uma paz verdadeira”. Trump garantiu que com a abertura do estreito após a assinatura do acordo na sexta-feira, para efeitos de remoção de minas, o petróleo “voltará a fluir em ambos os lados para a região e para o mundo”.

No entanto, e passado pouco tempo, Trump disse ao New York Times que, caso o Irão não chegasse a um acordo nuclear definitivo, retomaria os ataques militares contra Teerão ou tornaria os Estados Unidos “o guardião do Médio Oriente” em troca de 20% das receitas da região.

O que disse o regime iraniano?

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi, confirmou à televisão estatal iraniana que, a partir de domingo teria lugar o fim imediato e definitivo da guerra e das operações militares em várias frentes, incluindo o Líbano.

Afirmou que as negociações para um acordo definitivo decorrerão durante um período de 60 dias, acrescentando contudo que Teerão tomaria as suas próprias medidas em caso de “violações por parte da outra parte”.

Gharibabadi sublinhou que o foco no período de 60 dias estará no fim das sanções ao Irão, e que as negociações terão início depois do descongelar dos bens do país, o fim do bloqueio e da guerra.

Quais foram as reações dos líderes internacionais?

Muitas. Nas instituições supranacionais, António Guterres, secretário-geral das ONU disse que o acordo “representa um passo fundamental para a resolução pacífica do conflito”, enquanto Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia referiu que a prioridade neste momento é a sua rápida e plena aplicação por todas as partes e que a liberdade de navegação deve ser restabelecida sem restrições. “Isto é essencial para a estabilidade regional e para a economia global, abre caminho a negociações mais abrangentes sobre a paz e a segurança no Médio Oriente”, adiantou.

Entre outros líderes europeus, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer alertou que “o Irão nunca deve possuir armas nucleares”, o francês Emmanuel Macron recordou que a missão franco-britânica já estabelecida pode ajudar a reabrir o Estreito, e o alemão Friedrich Merz salientou a oportunidade que o acordo representa para revitalizar a economia global.

A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, classificou o acordo de “boas notícias”, mas alertou que “ainda não chegámos ao fim da história”, acrescentando que “toda a questão do enriquecimento de urânio continua por debater, acordar e concluir sob a forma de um acordo“.

E nos mercados financeiros?

“Que o petróleo flua!”, exclamou Donald Trump no segundo post, animado pela reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do comércio global de crude antes da guerra.

A reação nos mercados foi de alívio, com o preço do barril de Brent a caírem 3,65 dólares, ou 4,2%, para 83,68 dólares por barril, enquanto o do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA situava-se nos 80,31 dólares, a perder 4,53%. Ambos os contratos atingiram na segunda-feira os níveis mais baixos desde 10 de março, após terem registado uma queda superior a 3% na sexta-feira.

Nos mercados acionistas asiáticos, os principais índices reagiram em forte alta, com o japonês Nikkei a ganhar, o sul-coreano KOSPI a avançar 5,4% e as blue chips chinesas as valorizaram 1,4%.

Na Europa, o índice STOXX 600 abriu a segunda-feira a ganhar 1,2% para um nível recorde, com a maioria dos setores em alta, enquanto os futuros apontam para uma abertura positiva de 1% ou mais em Wall Street.

O que acontece agora?

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Gharibabadi disse que o memorando de entendimento só será divulgado depois da assinatura esta sexta-feira, portanto vários detalhes importantes só irão ser revelados nessa altura.

Segundo fontes do Financial Times, o Irão terá reafirmado no acordo que não irá comprar ou desenvolver armas nucleares e que vai discutir com os EUA um mecanismo para resolver o que fazer com o stock de 9 mil toneladas de urânio enriquecido.

O FT adianta ainda que o descongelar de ativos iranianos no estrangeiro irá decorrer por fases e dependendo do progresso das negociações sobre a questão nuclear e um acordo final.

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