Visabeira amplia divisão de Turismo com novo restaurante em Lisboa
Gare é o quinto espaço da Visabeira na capital e resgata uma parte de um edifício histórico.

Da sala do recém-inaugurado Gare Restaurant vislumbram-se parte dos painéis de Almada Negreiros, agora em processo de restauro. São a joia do edifício concebido pelo arquiteto Porfírio Pardal Monteiro para ser porta de entrada de quem chegava a Lisboa nos anos 40, hoje Monumento de Interesse Público. Do lado oposto da sala, as janelas deixam ver o terraço e a ampla vista para o Tejo e a ponte 25 de abril. Este espaço da Gare Marítima de Alcântara, que também foi destino de noctívagos nos anos 90 e 2000 como Salsa Latina e Buddha Bar, é agora o novo restaurante do grupo Visabeira, o quinto na capital.
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A Gare Marítima de Alcântara pertence à Administração do Porto de Lisboa, que concessiona esta parte do edifício, a que se acede por escadas ou elevador. O edifício esteve fechado mais de uma década e a candidata Visabeira venceu o concurso de concessão deste restaurante com 92 lugares (e um projeto de interiores já definido). “Foi daqueles que acompanhámos desde o início, completamente em bruto.” Após 14 meses de obras, o resultado é um restaurante virado para o exterior e com uma carta muito portuguesa. “Era o que nos faltava”, diz Ana Galo, diretora operacional da Visabeira Turismo, em Lisboa, pensando na oferta do grupo para esta área.
O primeiro restaurante em Lisboa foi o Zambeze, de cozinha africana, lembrando as raízes moçambicanas do fundador da Visabeira, Fernando Campos Nunes. Há ainda o asiático Ponja Nikkei, a cervejaria Antártida, o italiano Squisito (ambos também presentes em Viseu) e o sul-american Panamericana, liderado pelo chef argentino Chakall. Ao todo, 140 pessoas trabalham na operação de turismo em Lisboa, 16 mil no total, entre energia e telecomunicações (que representam 50% da faturação do grupo), indústria, construção (45%) e Turismo e imobiliário (5%).
Os braços da Visabeira, fundada em Viseu em 1980, estiveram (quase) todos na obra e conceção do Gare Restaurant. Sem ir mais longe, os pratos são Vista Alegre, há vinhos da Casa Ínsua, em Penalva do Castelo. A carta teve a consultoria do restaurante Casa Arouquesa, em Viseu.
Nesta zona da cidade, junto às Docas, já existem vários restaurantes especializados em peixe, e o Gare Restaurant distingue-se pela sua oferta de carnes. O menu inclui bifes, carpaccio, croquetes, filé com molho trufado, e vitela no forno, sempre feita no dia, um dos pratos estrela. “A carne vem diretamente do produtor local, do norte do país”, conta Ana Galo. A chef, Angela Lumertz, “tem o cuidado de ver as necessidades, a carne vai para abate e três dias depois está aqui”, afirma diretora de operações. “Depois, há um processo de descanso”.
Na esplanada, dominam o vermelho e branco da Terrazza Martini. Seguindo uma tendência da zona, o restaurante fecha mais tarde às sextas e sábado (01h00) e a música está entregue a Gonçalo Ferro, o DJ das festas Revenge of The 90s.
O Gare abriu portas este mês e a Visabeira está já a preparar o próximo restaurante, que deverá inaugurar ainda este ano, segundo Ana Galo, mantendo a trajetória de crescimento que tem vindo a ser desenhada para a Visabeira Turismo e Imobiliária. Segundo os últimos resultados anuais, esta divisão aumentou em 8 milhões de euros o seu volume de negócios, crescendo 12,9%, e fechou o ano
com 75 milhões de euros de vendas. O grupo Visabeira atingiu em 2025 um volume de negócios consolidado de 2.727 milhões de euros, refletindo um crescimento de 362 milhões de euros (15,3%) em comparação com 2024.
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