Agência Internacional de Energia defende “reabertura total e incondicional” do estreito de Ormuz
Crise levará países a darem agora prioridade à opção energética "mais segura", e não apenas à "mais económica", diz Fatih Birol. S&P antecipa "desafios operacionais contínuos" no transporte marítimo.
O diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, defendeu esta terça-feira que “a solução mais importante” para sair da crise energética “é a reabertura total e incondicional do estreito de Ormuz” para que “o petróleo e o gás voltem a circular com destino à Ásia e para além dela”.
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Neste sentido, o acordo entre os Estados Unidos e o Irão para colocar fim à guerra no Médio Oriente é uma “ótima notícia para a economia mundial e os mercados energéticos”, afirmou ainda Birol numa conferência de imprensa.
Além disso, o diretor executivo salientou que a crise relacionada com o conflito levará os países a darem agora prioridade à opção energética “mais segura”, e não apenas à “mais económica”.
A crise “provocou uma onda de choque no setor energético mundial”, o que “já está a levar muitos países e muitos governos a rever as políticas” e estratégias de abastecimento e produção, estimou o responsável da AIE na primeira declaração pública desde o anúncio de um acordo entre o Irão e os Estados Unidos.
Donald Trump afirmou que o estreito de Ormuz estaria “completamente aberto” na sexta-feira, dia da assinatura do acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão para terminar com a guerra no Médio Oriente.
S&P antecipa “desafios operacionais contínuos” no transporte marítimo por Ormuz até acordo final
A S&P Global considera que o anúncio de um entendimento entre os EUA e o Irão marca “o primeiro passo concreto para resolver um estrangulamento crítico no abastecimento energético que tem estado efetivamente bloqueado há vários meses”, antecipando uma redução dos problemas no transporte através do Estreito de Ormuz na segunda metade do ano. Mesmo assim, a agência de notação financeira admite “desafios operacionais contínuos” até que seja assinado o acordo final.
“Mesmo após um acordo preliminar, o nosso cenário-base continua a assumir apenas uma recuperação gradual dos fluxos de transporte marítimo e de energia através do Estreito de Ormuz. Acreditamos que existe potencial para desafios operacionais contínuos e incerteza persistente até que um acordo abrangente seja finalmente concluído”, argumenta a S&P num novo relatório, onde comenta o acordo anunciado no fim de semana.
A entidade argumenta que mesmo memorando de entendimento seja assinado na sexta-feira, não vai “nesta fase” alterar as suas previsões macroeconómicas nem as projeções de crédito, justificando que ainda não foram eliminados os principais riscos.
“O ritmo de recuperação dos fluxos energéticos após uma reabertura deverá ser gradual. Os constrangimentos operacionais resultantes de meses de interrupção, as infraestruturas danificadas, as limitações relacionadas com os seguros marítimos e uma eventual persistência da aversão ao risco significam que será necessário tempo para regressar de forma sustentada aos níveis anteriores ao conflito. Além disso, os volumes poderão continuar abaixo desses níveis até 2027”, sustenta.
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