Dona da Sagres investe 33,5 milhões para produzir cerveja com menos emissões de carbono

Entre 2017 e 2026, a Central de Cervejas e Bebidas já investiu 135 milhões de euros na transição energética das suas unidades de produção.

A Central de Cervejas e Bebidas, dona da Sagres, inaugurou em Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira, um sistema de recuperação de energia baseado numa bomba de calor que deverá reduzir em cerca de 50% as emissões de CO2 associadas à energia térmica, num investimento de 33,5 milhões de euros.

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A solução tecnológica, desenvolvida em parceria com a Siemens Portugal e parcialmente financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em 8,8 milhões de euros, permitirá evitar a emissão de cerca de 7.381 toneladas de dióxido de carbono por ano e alcançar ganhos de eficiência energética na ordem dos 39%.

A Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que integra o grupo Heineken desde 2008 e produz e engarrafa na unidade de Vialonga as cervejas da marca Sagres, adianta, em comunicado, que a energia térmica representa aproximadamente dois terços do consumo energético das operações da unidade de Vialonga e é utilizada em várias fases da produção de cerveja e da transformação da cevada em malte. Até agora, esta necessidade era maioritariamente assegurada através de gás natural.

Na Central de Cervejas e Bebidas, queremos liderar e acelerar a descarbonização da indústria cervejeira, apoiando as ambições globais da Heineken e mostrar que é possível conciliar crescimento económico, inovação industrial e sustentabilidade”, afirmou Julien Haex, diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas.

Segundo Julien Haex, que assumiu a liderança o ano passado, a iniciativa constitui um dos projetos mais importantes da estratégia de descarbonização da empresa e permitirá tornar a operação “mais eficiente, resiliente e preparada para os desafios do futuro”.

Sofia Tenreiro (CEO da Siemens em Portugal) e Julien Haex (diretor-geral da Central de Cervejas e Bebidas) Central de Cervejas e Bebidas

O novo sistema recupera o calor excedente gerado pelos processos de refrigeração e utiliza eletricidade proveniente de fontes renováveis para produzir energia térmica. Esta é depois distribuída através de um circuito de água quente, substituindo parcialmente o vapor produzido pelas caldeiras a gás natural.

Por sua vez, a CEO da Siemens Portugal salientou que “no coração da solução está uma bomba de calor de alta temperatura de 6 megawatts — uma das primeiras a esta escala em Portugal — que recupera energia antes desperdiçada“. “Isto só foi possível graças a uma parceria entre duas empresas que combinam conhecimento industrial e tecnológico e partilham a mesma visão de que a inovação e a tecnologia são o caminho mais eficaz para uma indústria mais sustentável, mais eficiente e mais competitiva”, concluiu Sofia Tenreiro.

Este investimento insere-se nos 135 milhões de euros já anunciados pela empresa, que desde 2017 tem vindo a adotar soluções para concretizar a transição energética das suas operações. Desde 2024, as operações da empresa utilizam eletricidade 100% renovável.

A empresa prevê dar um novo passo em 2028, através da instalação de uma bateria térmica desenvolvida em parceria com a EDP/Rondo, destinada a armazenar eletricidade renovável sob a forma de calor de alta temperatura para produzir vapor sem emissões de carbono.

Com estas medidas, a Central de Cervejas e Bebidas pretende atingir a neutralidade carbónica na produção até 2030, produzindo cerveja com energia 100% renovável, mantendo como objetivo a descarbonização de toda a cadeia de valor até 2040.

Estabelecida em 1934, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas tem três unidades de produção: uma em Vialonga, onde são produzidas e engarrafadas as cervejas Sagres, Bohemia e Bandida, e duas dedicadas à captação e engarrafamento da água Luso, da água de nascente Cruzeiro e da água mineral natural gaseificada Castello. Detém ainda a distribuidora Novadis e conta com cerca de 1.485 colaboradores.

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