Governo alemão rejeita oferta do Unicredit pelo Commerzbank
Agência de Finanças da Alemanha diz que "aceitar a oferta já não era uma opção do ponto de vista financeiro, uma vez que não inclui um prémio adequado sobre o preço atual das ações do Commerzbank”.
A Alemanha rejeitou oficialmente a oferta pública de aquisição (OPA) lançada pelo UniCredit sobre o Commerzbank, anunciou esta terça-feira a Agência de Finanças do país, justificando a decisão com o preço baixo e preocupações com o que chamou de abordagem agressiva do banco italiano.
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O prazo inicial da OPA do UniCredit sobre o Commerzbank está a chegar ao fim, com ambos os bancos a manterem-se firmes numa batalha que já dura há meses pelo controlo de uma das instituições de crédito mais importantes da maior economia da Zona Euro.
Na sequência da crise financeira global de 2008, o Governo alemão adquiriu uma participação de 12% no Commerzbank, e há muito que se opõe à campanha do UniCredit para uma fusão. Agora, seguiu o apelo da própria administração do banco e rejeitou a proposta dos italianos, que está estruturada como uma troca de ações e não uma oferta em dinheiro.
“Aceitar a oferta já não era uma opção do ponto de vista financeiro, uma vez que não oferece um prémio adequado ao preço atual das ações do Commerzbank“, afirma a Agência de Finanças da Alemanha (Finanzagentur des Bundes), em comunicado divulgado esta terça-feira e citado pela imprensa internacional.
O Governo alemão apoia a independência do banco e opõe-se à “abordagem agressiva” do UniCredit, reafirma, salientando que o Commerzbank “desempenha um papel importante no financiamento da economia alemã” e os postos de trabalho que gera são importantes para Frankfurt, onde tem a sua sede.
“Ambos os aspetos devem continuar a ser assegurados no futuro“, sublinha no mesmo comunicado.
No início de maio, o Commerzbank reportou um lucro recorde de 913 milhões de euros no primeiro trimestre, mais 9,4% do que em igual período do ano passado, enquanto o resultado operacional melhorou em 10,7%, atingindo 1.358 milhões de euros. O segundo maior banco privado alemão, que tem cerca de 40.000 funcionários, vai cortar mais 3.000 empregos a tempo inteiro até 2030, além dos quase 4.000 que já tinha anunciado.
Por outro lado, o Ministério Público de Frankfurt confirmou esta terça-feira que deu início a uma investigação preliminar sobre uma possível manipulação do mercado relacionada com a OPA. A medida surge na sequência de uma queixa apresentada pelo conselho de trabalhadores do Commerzbank.
A Alemanha tem-se oposto firmemente à operação desde que o UniCredit revelou a sua participação no Commerzbank há quase dois anos. Em março, o banco italiano apresentou uma OPA, cujo prazo para aceitação termina hoje, embora este possa ser prolongado até 3 de julho.
A oferta é de 0,485 ações do banco italiano por cada ação do alemão, que, segundo o Commerzbank, representa 31,07 euros por ação de acordo com a cotação do UniCredit de 64,06 euros no final da negociação em 4 de maio de 2026, enquanto os italianos apontam para 34,35 euros por ação. A troca voluntária de ações do UniCredit por todas as ações do Commerzbank valoriza o banco alemão em 35.000 milhões de euros.
O Commerzbank afirmou na semana passada que o número real de ações que o UniCredit conseguiu na oferta é inferior, porque as ações foram emprestadas por bancos amigos do banco italiano com o qual mantém contratos de derivados e não foram oferecidas por acionistas independentes.
O UniCredit rejeitou estas acusações e, na segunda-feira, ameaçou o Commerzbank com alterações ao seu Conselho de Supervisão e Conselho de Administração, caso obtenha apoio suficiente na assembleia geral anual de acionistas.
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