Herdeiras de Queiroz Pereira juntam holdings para facilitar gestão da participação na Semapa

Sodim vai absorver Cimo e passará a controlar mais de 80% da Semapa. Medida vai permitir uma gestão mais fácil da participação na holding que detém a Navigator e mil milhões de euros para investir.

As herdeiras de Pedro Queiroz Pereira preparam-se para fundir as duas holdings através das quais controlam aproximadamente 82% da Semapa, uma participação que se encontra avaliada em mais de 1,5 mil milhões de euros e que tem como principal ativo a papeleira Navigator.

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Em causa está uma operação de fusão da Cimo por incorporação de todo património na Sodim, sociedades integralmente detidas pelas três filhas do antigo empresário, Filipa, Mafalda e Lua Queiroz Pereira. A Semapa confirma a fusão, mas salienta que “não haverá qualquer alteração da natureza ou do nível de controlo exercido sobre a empresa”.

Esta reestruturação deve-se ao facto de não se perspetivar “a curto e médio prazo novos negócios por parte da Cimo que justifiquem a manutenção desta estrutura societária como unidade dentro do grupo”, segundo explica a família no projeto de fusão consultado pelo ECO.

Mas há outro motivo: “Tenha-se presente que a Sodim é titular direta de 27.808.892 ações representativas de 33,849% do capital da Semapa. Com a concentração da Cimo na Sodim, através da integração do património da Cimo nesta última, incluindo 38.959.431 ações representativas de 47,938% do capital da Semapa, passarão a estar reunidas na Sodim as participações na Semapa que atualmente se encontram dispersas entre a Sodim e a Cimo, bem como unificadas as respetivas estruturas administrativas e de gestão”.

Com efeito, após esta operação, a família Queiroz Pereira passará a controlar a Semapa através de uma única sociedade, a Sodim, com uma participação de 81,787%, enquanto a Cimo será extinta.

Fusão tornará “mais fácil a gestão” da participação na Semapa

As herdeiras de Queiroz Pereira consideram ainda que a simplificação da estrutura do grupo vai tornar “mais fácil a gestão das suas atuais participações, direta e indireta, na Semapa”, segundo o projeto de fusão.

Além de que permitirá obter sinergias através “da racionalização de custos administrativos, nomeadamente os custos associados ao cumprimento das obrigações legais (certificação legal de contas, registos, publicações, cumprimentos de obrigações contabilísticas e fiscais, etc) e de gestão, uma vez que alguns deles deixarão de existir e outros passarão a estar concentrados” na Sodim.

“Com esta operação de fusão poderão ser alcançados níveis de eficiência e produtividade que permitirão uma maior rentabilização dos capitais envolvidos, o que constituirá, em última análise, instrumento de criação de valor para os seus acionistas”, sublinha o grupo.

Mil milhões para investir

A Semapa é uma holding de investimento fundada no início da década de 1990 por Pedro Queiroz Pereira, falecido em 2018, com interesses em várias áreas, desde logo no setor papel através da Navigator (70% do capital), mas também na nutrição animal (ETSA), bicicletas (Triangle), estruturas metálicas (Imedexa) e energia (Utis).

No ano passado, vendeu a cimenteira Secil por cerca de 1,4 mil milhões de euros, incluindo dívida.

O CEO da Semapa, Ricardo Pires, adiantou esta segunda-feira à agência Bloomberg que o grupo dispõe de mais de mil milhões de euros para investir e está a explorar oportunidades de aquisição na Europa.

“A Península Ibérica continuará a ser uma área-chave, mas a Semapa também está de olho noutros mercados europeus”, referiu Ricardo Pires em declarações à agência de notícias financeiras. A holding está a considerar compras entre os 250 milhões e os 500 milhões de euros (ou até mais, caso surja a oportunidade certa).

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