Portugal perde quota de mercado em mais de metade dos destinos de exportação

Em 2025, país registou perda "significativa" e generalizada por produto e mercado geográfico de quota de mercado de bens. UE, Estados Unidos e China entre os concorrentes que ganharam nesses mercados.

ECO Fast
  • Portugal perdeu quota em mais de metade dos mercados individuais em 2025, com o contributo negativo de Espanha a ser o mais elevado.
  • O Banco de Portugal identificou que a União Europeia, os Estados Unidos e a China ganharam quota de mercado onde as exportações portuguesas diminuíram, refletindo uma concorrência crescente.
  • Apesar das perdas, o Banco de Portugal mostra-se otimista quanto a uma recuperação das exportações em 2026, prevendo um crescimento de 2%.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Portugal perdeu quota de mercado em 57% dos mercados individuais para os quais exportou, com Espanha a ser o país com o maior contributo negativo. Entre os concorrentes que ganharam posição onde as exportações nacionais cederam incluem-se a União Europeia, os Estados Unidos e a China.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

A conclusão é do Banco de Portugal no “Boletim Económico de junho”, apresentado na segunda-feira pelo governador Álvaro Santos Pereira. No documento, a instituição traça um retrato sobre o que levou a uma perda “significativa e generalizada por produto e mercado geográfico” de quota da venda de bens de Portugal ao exterior.

Por produto, o regulador assinala o contributo negativo dos produtos agrícolas (-0,9 pp), embora sinalize que deverá refletir, em larga medida, fatores temporários, relacionados com a queda da produção agrícola e reduções de preço de alguns produtos com peso nas exportações nacionais. Já os produtos de ótica, instrumentos médicos e mobiliário, também contribuíram “de modo relevante para a perda”, tal como as pedras, gesso, cerâmica e vidro e o material de transporte.

Em 2025, Portugal perdeu quota de mercado em 195 dos 341 mercados individuais”, assinalou Álvaro Santos Pereira em declarações aos jornalistas, na sede do banco central, em Lisboa.

Em 2025, Portugal perdeu quota de mercado em 195 dos 341 mercados individuais.

Álvaro Santos Pereira

Governador do Banco de Portugal

As conclusões do regulador bancário revelam que estes mercados representaram 60,5% das exportações de bens em 2025, tendo o seu contributo para a quota de mercado sido de -5,6 pontos percentuais. Tendo em conta os 195 mercados individuais, a União Europeia (UE) ganhou quota em 87, os Estados Unidos em 69, a China em 75 e o grupo de outros países em 78.

A contribuir para a redução da quota registada por Portugal destacam-se os contributos negativos dos produtos agrícolas em Espanha (-0,5 pp.) — o que coincidiu com um ganho dos EUA –, os produtos diversos na Alemanha (-0,4 pp.) — ao mesmo tempo que se registaram ganhos ligeiros das economias do resto do mundo — e o material de transporte em Espanha (-0,3 pp.) e Itália (-0,2 pp.) — estimando-se que a concorrência da China terá contribuído para a perda de de Portugal.

Na fotografia geral, destaca-se, contudo, o mercado espanhol (-1,2 pp) como o que mais contribuiu para a redução, refletindo “o facto de ser o principal mercado de destino das exportações de bens portuguesas, com um peso de 30,2% em 2025”.

Fonte: “Boletim Económico de junho”, Banco de Portugal

Ainda assim, o Banco de Portugal ressalva que “a perda de quota das exportações portuguesas nos mercados mundiais em 2025 deve ser enquadrada no contexto de instabilidade e de profundas alterações que têm afetado o comércio internacional”. E mostra-se confiante numa recuperação este ano.

“As exportações tiveram uma queda de quota de mercado no ano passado, mas vemos que os primeiros meses do ano têm sido um bocadinho mais animadores, pelo que estamos positivos nessa matéria“, considerou Álvaro Santos Pereira.

Até porque o governador atribuiu parte da quebra das exportações no ano a “fatores temporários”, como a paragem programada da refinaria de Sines, ainda que também tenha destacado a tendência transversal das perdas num aumento das pressões concorrenciais enfrentadas pelos produtores nacionais nos mercados externos, como fontes do setor alertaram recentemente em declarações ao ECO.

À semelhança das vozes ouvidas pelo ECO, também o Banco de Portugal assinala o aumento da presença da China, do qual é exemplo o material de transporte. Mas não só. “Outro exemplo desta maior concorrência é dado pelo forte aumento das exportações chinesas de encomendas de baixo valor para a UE e Portugal, não obstante o seu peso residual nas importações totais“, salienta a entidade liderada por Santos Pereira.

Por outro lado, no ano passado, Portugal ganhou quota nominal no mercado da UE aponta para ganhos adicionais, refletindo o desempenho favorável dos serviços de transportes e de informação e comunicação, já que no turismo, a quota manteve-se inalterada, após as perdas nos dois anos anteriores, beneficiando de ganhos “nos mercados dos EUA e do Reino Unido, que compensaram o fraco desempenho nos mercados da UE”.

Para este ano, o regulador prevê uma aceleração das exportações de bens e serviços de 0,4% em 2025 para 2%, uma evolução que atribui às “componentes de bens e de outros serviços, enquanto o turismo deverá abrandar, na sequência da fraqueza do início do ano”. Para 2027 e 2028, a projeção é de uma trajetória ascendente, com um crescimento de 2,6% e 3%, respetivamente.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Portugal perde quota de mercado em mais de metade dos destinos de exportação

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião