França troca norte-americana Palantir por alternativa europeia

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 17 Junho 2026

A França substituiu a norte-americana Palantir pela francesa ChapsVision nos serviços de informações, reforçando a aposta na soberania tecnológica e na autonomia europeia.

A França rescindiu o contrato com a norte-americana de análise de dados Palantir, substituindo-a por uma alternativa europeia, a francesa ChapsVision, numa altura em que a Europa tem procurado reduzir a sua dependência de empresas de tecnologia e segurança dos Estados Unidos.

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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou a medida como parte do esforço europeu para aumentar a soberania tecnológica do Velho Continente. Lecornu adiantou que a França planeia investir mais de 655 milhões de euros em inteligência artificial (IA) até 2030 e disponibilizar um assistente de IA aos funcionários do governo, desenvolvido pela francesa Mistral.

“Precisamos de construir a nossa própria autonomia estratégica. Da mesma forma que não transferiríamos os arquivos nacionais para a Califórnia, precisamos de desenvolver ferramentas de IA nossas”, afirmou o primeiro-ministro francês, citado pelo Financial Times.

A decisão surge apenas seis meses depois de a Palantir ter anunciado a renovação plurianual do seu contrato de dez anos com a DGSI (Direção-Geral de Segurança Interna), o serviço de informações secreto da França.

Na passada semana, a Administração Trump ordenou a Anthropic a suspender o acesso público dos modelos de IA Mythos 5 e Fable 5, concebidos para tarefas de cibersegurança, o que colocou o bloco europeu em alerta com a soberania tecnológica e preocupado em reforçar a cibersegurança europeia.

A Comissão Europeia declarou no sábado que a decisão da Anthropic reforça a necessidade de a União fortalecer a sua “soberania tecnológica”, planeando divulgar em breve um “plano abrangente sobre cibersegurança e IA”.

Sébastien Lecornu não ficou indiferente a esta decisão. “Não podemos depender da boa vontade de alguns parceiros que são capazes, como vimos nos últimos dias, de cortar o acesso aos modelos da Anthropic. A Europa precisa de encontrar o seu lugar, porque o que está em jogo são os nossos valores democráticos”, alertou, citado pelo jornal britânico.

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