ICER apela a uma transformação dos serviços de emprego com IA para colmatar a lacuna entre vagas não preenchidas e candidatos a emprego

  • Servimedia
  • 17 Junho 2026

Milhares de pessoas que não conseguem encontrar emprego e, ao mesmo tempo, empresas que não conseguem preencher as suas vagas.

O Instituto de Ciências do Emprego e Relações Laborais (ICER) alerta que o mercado de trabalho espanhol está a arrastar um paradoxo difícil de explicar.

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Perante esta situação, a organização afirma que transformar os serviços de emprego na raiz, confiando na inteligência artificial, pode ser a alavanca para fornecer uma solução para esta situação, desde que seja utilizada com garantias e sem perder de vista as pessoas.

Considera que esta situação é preocupante se tivermos em conta que, em Espanha, os dados oficiais indicam que mais de 155.000 vagas permanecem por preencher devido à dificuldade das empresas em encontrar profissionais qualificados para estas funções.

O diagnóstico baseia-se no relatório ‘Serviços profissionais de emprego: infraestrutura estratégica do mercado de trabalho’, no qual o instituto argumenta que esta alteração não pode ser cosmética. O surgimento da inteligência artificial, a transição verde, o envelhecimento da população e a falta de talento em setores e territórios específicos estão a remodelar o mercado de trabalho a grande velocidade, e tanto as oportunidades das pessoas como a competitividade das empresas dependem da resposta que a indústria consegue dar.

Para o ICER, a contribuição da IA ocupa um lugar central nesta transformação, pois “tem um enorme potencial para melhorar a orientação de carreira, a correspondência entre candidatos e vagas, a formação ou a deteção precoce das necessidades das empresas. Mas se for mal aplicada, pode levar-nos a um ciclo em que os preconceitos deixam para trás quem tem menos acesso digital e desumanizam processos que afetam diretamente as oportunidades das pessoas”, diz Alejandro Costanzo, secretário-geral do Instituto.

Juntamente com a tecnologia, o ICER reivindica o papel dos serviços profissionais de emprego (agências de emprego temporário, empresas de outplacement, empresas de seleção e formação) como parte da infraestrutura do mercado de trabalho e não como atores secundários. Grande parte da verdadeira intermediação já ocorre fora dos canais públicos, por isso integrá-la de forma ordenada permitiria expandir a cobertura, alcançar mais empresas e profissionalizar a resposta.

Neste sentido, indica que, nos últimos anos, o número de profissionais internos ganhou peso, oferecendo às empresas uma forma flexível de satisfazer as suas necessidades e abrindo um terreno onde é aconselhável avançar para responder tanto às empresas como aos próprios trabalhadores.

DIREITO LABORAL

O relatório do Instituto destaca que o desenvolvimento da Lei 3/2023 sobre Emprego é a oportunidade de dar o salto que o mercado de trabalho necessita. A sua implementação pode permanecer numa simples atualização dos procedimentos ou tornar-se uma verdadeira alavanca para a modernização do Sistema Nacional de Emprego, capaz de reforçar a intermediação, servir melhor as empresas e medir resultados reais para além do número de colocações.

Neste contexto, o ICER insiste em ultrapassar a “falsa dicotomia” entre o público e o privado. A responsabilidade pública pelo sistema, que implica a garantia de acesso, equidade, proteção dos direitos e coesão territorial, deve ser mantida, “mas a execução, prospeção de empresas, formação aplicada ou acompanhamento podem beneficiar da colaboração com operadores especializados”, sublinha Costanzo.

A chave, sublinha o relatório, não é substituir o serviço público, mas expandir a capacidade do sistema como um todo, com especial atenção às PME, que são aquelas que têm mais dificuldade em encontrar e reter talento.

O ICER condensa a sua proposta num modelo de “ecossistema de emprego inteligente, colaborativo e avaliável” e conclui que o futuro não reside em escolher entre o público e o privado, entre tecnologia e cuidados humanos, ou entre inclusão e competitividade, mas sim em integrar todas estas dimensões para transformar as políticas de emprego numa verdadeira infraestrutura para a transformação económica e social.

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