Imagens de satélite mostram Irão a retomar exportações de crude
Superpetroleiros conseguiram atravessar o perímetro do bloqueio estabelecido pelos EUA em torno da costa iraniana. Teerão denuncia múltiplas violações de cessar-fogo no Líbano e ameaça Israel.
Pelo menos dois navios da Companhia Nacional de Petroleiros do Irão (NITC, na sigla em inglês) deixaram as águas iranianas, marcando a primeira exportação de petróleo em dois meses, avançou o TankerTrackers.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
O portal especializado, com sede nos Estados Unidos, disse que os dois navios transportam um total combinado de 3,8 milhões de barris de petróleo bruto.
O TankerTrackers afirmou ter corroborado a informação utilizando imagens de satélite e dados da tecnologia AIS, utilizada pelos navios para transmitir continuamente informação sobre a sua posição e movimento.
O Diona e o Hero2, ambos classificados como superpetroleiros, conseguiram atravessar o perímetro do bloqueio estabelecido pelos Estados Unidos em torno da costa iraniana.
Um outro petroleiro do Irão, o Stream, está a aproximar-se do perímetro, após ter permanecido durante sete semanas em águas do Paquistão, à espera de condições de segurança para aceder aos portos iranianos, acrescentou o portal.

Os Estados Unidos tinham imposto, a 13 de abril, um bloqueio aos portos iranianos, em resposta ao encerramento do estratégico Estreito de Ormuz por Teerão desde o início da guerra no Médio Oriente, no final de fevereiro.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão afirmou na terça-feira que o bloqueio norte-americano aos portos iranianos foi levantado, três dias antes da assinatura oficial do acordo de paz entre Washington e Teerão.
“O bloqueio foi levantado antes da assinatura oficial”, disse Majid Takht-Ravanchi, citado pelo site do Governo iraniano, que recordou que o fim do bloqueio era um dos pontos cruciais defendidos pela República Islâmica para chegar a um acordo.
Momentos antes, a televisão estatal iraniana avançou que os petroleiros e outros navios iranianos tinham voltado a circular.
“Três petroleiros iranianos encontram-se neste momento no norte do Oceano Índico, e outros dois, que transportam mercadorias e gado, estão a caminho de portos do sul” do país, segundo indicou a emissora.
O memorando entre o Irão e os Estados Unidos será assinado na sexta-feira na estância alpina de Bürgenstock, perto de Lucerna, anunciou na terça-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço.
O acordo preliminar prolonga por 60 dias o cessar-fogo em vigor desde 08 de abril e estabelece um quadro negocial para futuras negociações sobre o acordo nuclear.
Na terça-feira, durante a cimeira do G7 em Évian, França, o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou confiar que o calendário previsto será cumprido e reiterou que o futuro acordo garantirá que o Irão não desenvolva armas nucleares.
Os compromissos incluem ainda um levantamento progressivo das sanções sobre Teerão. O texto do acordo não foi tornado público e persistem dúvidas sobre alguns dos pontos negociados entre as duas partes após semanas de contactos diplomáticos destinados a pôr fim ao conflito.
Irão denuncia múltiplas violações de cessar-fogo no Líbano e ameaça Israel
As Forças Armadas iranianas avisaram Israel de que uma eventual continuação dos seus ataques no sul do Líbano poderá desencadear uma “resposta militar contundente”, após denunciarem 84 alegadas violações do cessar-fogo nos últimos dois dias.
Num comunicado difundido pela agência iraniana ISNA, o Quartel-General Central das Forças Armadas do Irão afirmou que as forças israelitas mantiveram operações militares em território libanês, apesar do anúncio feito no domingo pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Washington tinha alcançado um acordo de paz com Teerão.
Segundo o comando militar iraniano, as ações israelitas provocaram novas vítimas no Líbano e contradizem os compromissos de desescalada promovidos pelos Estados Unidos e Irão.
Teerão reiterou que o fim das operações israelitas nas diferentes frentes regionais, em especial no Líbano, figura entre os principais objetivos do memorando de entendimento que ambas as partes deverão assinar esta sexta-feira na Suíça.
A advertência iraniana coincide com uma nova jornada de violência no sul do Líbano. Pelo menos quatro pessoas morreram e várias ficaram feridas na terça-feira numa série de ataques israelitas com drones contra as localidades de Mifdoun e Choukin, em Nabatieh, informou a Agência Nacional de Notícias libanesa.
Os bombardeamentos atingiram três veículos em diferentes pontos das localidades e mobilizaram equipas da Defesa Civil, da Cruz Vermelha Libanesa e de organizações de saúde locais para evacuar as vítimas.
De acordo com o Ministério da Saúde libanês, a ofensiva israelita iniciada em 02 de março causou até agora 3.826 mortos e 11.851 feridos.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Imagens de satélite mostram Irão a retomar exportações de crude
{{ noCommentsLabel }}