Onze anos depois, BCP volta a valer mais de 1 euro. “Valorização expressa muito trabalho”, diz Miguel Maya

Banco liderado por Miguel Maya continua a valorizar na bolsa. Já vale mais de um euro por ação, o valor mais elevado em mais de uma década, e deixa de ser uma 'penny stock'.

No dia 27 de julho de 2015, o índice de referência chinês Shanghai Composite Index tombou mais de 8% devido aos receios de uma bolha imobiliária na China, num crash que fez tremer as bolsas em todo o mundo e levou as ações europeias a caírem 2%, incluindo o PSI. Foi também nesse dia que o BCP BCP 0,86% negociou pela última vez acima de um euro por ação. Quase 11 anos depois, volta a superar este patamar e deixa de ser uma ‘penny stock’.

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As ações do banco português avançam esta terça-feira 1,44% para 1,002 euros, na quinta sessão seguida de ganhos — o que acontece depois do alívio geral dos mercados em relação ao conflito no Irão.

“O patamar de 1 euro por ação é meramente simbólico e tem o significado que cada pessoa lhe quiser atribuir. A evolução do BCP, a valorização do BCP nos últimos anos expressa muito trabalho, realizado ao longo de muitos anos e desenvolvido por muitas pessoas”, afirmou Miguel Maya numa curta declaração enviada ao ECO.

Se comparar com os mínimos abaixo dos 10 cêntimos em largos períodos de 2020 por conta do impacto da pandemia, os títulos já valorizaram por 10 vezes no espaço de seis anos.

A 29 de outubro desse ano, cada título chegou a valer apenas 0,067 euros, o valor mais baixo de sempre, com os investidores a mostrarem muitas reservas em relação ao futuro do banco.

Mas desde então o BCP tem registado uma recuperação impressionante, tendo escalado quase 1.400% em cerca de seis anos, período em que passou de um banco em profunda reestruturação para um banco a lucrar mais de 1.000 milhões de euros por ano – quanto chegou a valer na bolsa; hoje tem uma avaliação superior a 14 mil milhões. Ou como diz o CEO Miguel Maya, a jogar na “Champions da banca”.

BCP sobe

Olá, Fosun. Adeus, Fosun

Os anos de bonança mais recentes ajudaram a fazer esquecer os tempos de crise na sequência da crise financeira global de 2008 e do resgate a Portugal em 2011, período de grande destruição de valor não apenas no BCP, mas como no setor da banca em geral. Quem era acionista não se esquece. Foram anos marcados por uma rentabilidade muito baixa, elevados níveis de malparado e falências de bancos, como o BES (2014) e o Banif (2015).

O BCP chegou também a ser alvo de ‘resgate’ público, com uma ajuda de mil milhões de euros através das obrigações convertíveis, com condições muito onerosas para os cofres do banco.

Foi graças ao investimento do grupo chinês Fosun em 2016 e 2017 que o BCP conseguiu dizer adeus ao Estado, marcando uma nova fase no banco sob domínio sino-angolano.

Outra fase poderá estar prestes a iniciar com a saída dos acionistas de referência do banco. Os angolanos da Sonangol, com 19,45%, estão a vender todas as participações consideradas não estratégicas para uma petrolífera. O conglomerado chinês, que chegou a deter praticamente 30% do banco e está agora a explorar opções para os restantes 20%.

No âmbito do processo de desinvestimento chinês, a seguradora Ageas poderá vir a ser um dos novos acionistas, com uma participação que não excederá os 5%, como o ECO avançou. Mas quem ficará com os restantes 15% da Fosun?

O CEO do Millennium BCP, Miguel Maya, durante a apresentação dos resultados do 1.º trimestre de 2026, na sede do Banco em Oeiras, 6 de maio de 2026.MIGUEL A. LOPES/LUSA

Oportunidade para refazer estrutura acionista

Para Miguel Maya, o banco pode estar perante oportunidade única para refazer a sua estrutura acionista, menos dependente de grandes acionistas e mais exposto ao mercado.

O BCP entrou numa fase de estabilidade e prevê lucros acima dos mil milhões de euros nos próximos anos, à boleia de dois mercados a crescer acima da média europeia (Portugal e Polónia), enquanto o polaco Bank Millennium começa a deixar para trás os problemas relacionados com os créditos em francos suíços e a contribuir cada vez mais para os resultados do grupo.

Por várias vezes, o gestor – que chegou à administração do BCP em 2009 e acaba de iniciar o terceiro mandato como CEO, cargo que ocupa desde 2018 – já referiu que uma eventual saída dos acionistas de referência devia ser encarada como mais um passo na trajetória de normalização que o banco tem vindo a realizar nos anos mais recentes após o período de reestruturação.

Dá como exemplo o que se passa na banca europeia, em que a maioria das instituições tem uma dispersão bolsista de 90% ou mais – contra os 60% do BCP.

A estratégia para atrair mais acionistas (e colmatar a saída da Fosun e/ou Sonangol) passa pela política de dividendos, que o banco acabou de melhorar no início do ano, passando de um payout de 75% para 90%. Bate mesmo os maiores bancos espanhóis e rivaliza com os italianos. Para investidor ver e comprar.

(notícia atualizada às 15h12 com declaração de Miguel Maya)

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