Warsh quer mudar a Fed, mas garante que meta de inflação nos 2% é “forte” e para manter
Comunicados curtos, zero orientações para o futuro, 'excomunhão' do 'dot plot' e cinco task forces para reavaliar toda a atuação. Warsh quer mesmo mudar a Fed, mas a meta da inflação é intocável.
- A primeira conferência de imprensa de Kevin Warsh como presidente da Reserva Federal destacou o compromisso do banco central com a estabilidade de preços e a meta de inflação de 2%.
- Warsh anunciou a criação de cinco grupos de trabalho para reavaliar áreas fundamentais da política monetária, incluindo comunicação e utilização de dados.
- O novo presidente reafirmou que não há intenção de rever a meta de inflação de 2% até que a Fed restabeleça seu compromisso com esse objetivo.
A primeira conferência de imprensa de Kevin Warsh como chair da Reserva Federal (Fed) trouxe várias novidades sobre como o banco central dos Estados Unidos vai comunicar a partir de agora. Mas por entre comunicados mais curtos, menos orientação futura e a criação de cinco task forces para reavaliar quase todas as áreas de atuação, o estreante manteve-se firme sobre um assunto: o compromisso com a estabilidade de preços e meta da inflação nos 2%.
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A decisão do Federal Open Market Committee (comité de política monetária), anunciada em comunicado, de manter as Fed Funds Rates no intervalo entre 3,5% e 3,75% pela quarta vez seguida era amplamente esperada pelos analistas e investidores, portanto o foco estava na conferência de imprensa do banqueiro nomeado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, e especialmente nas alterações que poderia anunciar.
“Em qualquer instituição, uma mudança na liderança constitui uma oportunidade natural e oportuna para reafirmar a sua missão, rever as práticas atuais e avaliar se estas correspondem aos nossos objetivos. Iremos trabalhar em estreita colaboração para analisar que mudanças poderão melhorar a condução da política monetária”, explicou, ainda na parte do discurso, antes das perguntas.
“A esse respeito, talvez já tenham reparado numa coisa — uma diferença na declaração de política de hoje”, adiantou. “É um pouco mais curta, um pouco mais simples e dispensa algumas formulações mais antigas e essa declaração apresenta-vos apenas os factos, da melhor forma que conseguimos avaliá-los”, vincou, chamando a atenção para a ausência de orientação prospetiva, que vê “não ser adequada à conjuntura política atual”.
Warsh sinalizou também menor enfoque no dot plot, o gráfico que representa as avaliações dos membros do comité sobre o percurso futuro das taxas de juro, dizendo que não submeteu, ao contrário dos colegas do FOMC, as suas projeções.
Cinco task forces
Mas o entusiasmo do novo chair da Fed subiu visivelmente quando anunciou uma iniciativa-chave. “Vou nomear um grupo de trabalho em cada uma das cinco áreas que são fundamentais para a condução geral da política monetária – em primeiro lugar, a comunicação da Fed. Em segundo, o balanço da Fed. Em terceiro lugar, a nossa utilização e dependência das fontes de dados existentes. Em quarto lugar, a produtividade e o emprego numa era de transformação”, informou. “E, por último, os quadros de referência da Fed em matéria de inflação”. Para cada uma destas task forces, Warsh vai “recrutar algumas das melhores mentes, tanto dentro como fora da área da economia”.
O novo presidente da Fed foi quase de imediato questionado sobre a última task force e se a missão vai incluir uma revisão da meta de 2%.
“Esse é o objetivo de longa data da Reserva Federal de 2%”, respondeu. “Não vejo qualquer razão para rever essa questão, até termos restabelecido o nosso compromisso e a nossa capacidade de cumprir o objetivo de inflação de 2% e, por isso, isso ficará fora do âmbito do que estamos a abordar”.
Recordou que nas revisões da estratégia da Fed ao longo dos últimos anos – incluindo a estratégia à qual ainda está vinculada, o banco central sempre afirmou sempre que a inflação é determinada principalmente pela política monetária.
“You bet! Há anos que digo que a inflação é uma escolha. Pode ter a certeza que sim!” exclamou. “E hoje anuncio que esta comissão decidiu, de forma inequívoca e por unanimidade, que vamos cumprir essa promessa”.
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