Adoção de IA pelas empresas portuguesas tem de disparar até 2030 para cumprir meta da UE

O Relatório sobre o Estado da Década Digital elaborado pela Comissão Europeia mostra que 15% das empresas portuguesas usam inteligência artificial (IA). Mas a meta europeia é de 75% até 2030.

ECO Fast
  • A Comissão Europeia revelou que apenas 15% das empresas portuguesas utilizam inteligência artificial (IA).
  • No entanto, a meta europeia é de 75% até 2030, o que coloca Portugal em risco de falhar este objetivo da Década Digital.
  • Bruxelas recomenda que Portugal intensifique esforços para integrar a IA nas empresas, visando aumentar a inovação e competitividade da economia nacional.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O mais recente relatório sobre o estado da Década Digital da Comissão Europeia revela que apenas 15% das empresas portuguesas utilizam atualmente inteligência artificial (IA). Apesar dos progressos registados nos últimos dois anos, período em que a adoção destas ferramentas aumentou três pontos percentuais, Portugal continua distante das metas traçadas por Bruxelas. A União Europeia pretende que, até 2030, 75% das empresas integrem IA nas suas operações, um objetivo que exigirá uma aceleração significativa do ritmo de adoção por parte do tecido empresarial nacional.

Entre as PME, apenas 11,5% utilizam esta tecnologia face aos 20% registados na União Europeia. A tendência repete-se nas grandes empresas, onde a taxa de adoção se situa nos 49%, contra 55% na média comunitária.

Perante estes indicadores, a Comissão Europeia recomenda que Portugal continue a incentivar a adoção da IA pelas empresas, de forma a estimular a inovação e a competitividade da economia. Bruxelas sublinha ainda a importância de concretizar rapidamente as medidas já previstas e de reforçar a estratégia nacional para a IA, dando maior atenção a setores estratégicos onde esta tecnologia possa gerar maior impacto.

Sobre isto, o Governo apresentou a Agenda Nacional para a inteligência artificial em janeiro, contemplando um investimento superior a 400 milhões de euros, dos quais 25 milhões serão canalizados para a adoção de IA na Administração Pública. A maior fatia deste montante é proveniente de fundos europeus.

O nível de digitalização das PME portuguesas já atinge os 71%, aproximando-se da meta europeia de 90% fixada para 2030. Já a adoção de cloud continua mais distante dos objetivos de Bruxelas, situando-se nos 45%, quando a meta é de 75% até ao final da década.

No capítulo das competências digitais, Portugal continua abaixo das metas europeias. Cerca de 74% da população possui competências digitais básicas, aquém do objetivo de 80% definido para 2030. Ainda assim, o indicador registou uma evolução positiva, com um crescimento de quatro pontos percentuais face a 2024.

“Deve ser dada especial atenção às tecnologias de computação em nuvem [cloud] e à IA, áreas em que tanto as taxas de adoção como os ritmos de crescimento são significativamente inferiores à média europeia”, avisa a Comissão Europeia no relatório.

No que respeita aos profissionais do setor tecnológico, o país encontra-se mais distante das metas comunitárias. Estes especialistas representam atualmente pouco mais de metade do objetivo europeu, que prevê que correspondam a 10% do emprego total até ao final da década, evidenciando a necessidade de acelerar a formação e atração de talento tecnológico.

Os serviços públicos digitais continuam a ser a principal área de destaque de Portugal na avaliação da Comissão Europeia. O acesso aos registos eletrónicos de saúde alcança 92 pontos, enquanto os serviços digitais destinados às empresas atingem os 90 pontos e os dirigidos aos cidadãos somam 86 pontos, numa escala em que a meta europeia corresponde aos 100 pontos.

Bruxelas destaca igualmente o forte desempenho do país ao nível das infraestruturas digitais. A cobertura 5G já chega a 99% da população, enquanto a fibra ótica residencial cobre 96% do território e as redes de muito elevada capacidade atingem 97%. Os dados, integrados no relatório da Década Digital da União Europeia mostram que Portugal está muito próximo de cumprir os objetivos fixados para 2030, que apontam para uma cobertura universal (100%) em todas estas áreas.

A visão geral de Bruxelas sobre os Estados-membros

Alargando o escopo, a Comissão Europeia considera que os países da União Europeia continuam a avançar na concretização dos objetivos da Década Digital, embora persistam desafios significativos em áreas estratégicas. Entre os progressos mais relevantes destaca-se a expansão das infraestruturas de conectividade, com 96,8% dos lares europeus já abrangidos por cobertura 5G básica.

Também a adoção de tecnologias digitais pelas empresas registou avanços. Atualmente, 46,7% das empresas europeias utilizam serviços de computação em nuvem, 39,9% recorrem à análise de dados e quase 20% já utilizam soluções de IA.

A adoção da IA acelerou particularmente em 2025, registando um crescimento de 48% face ao ano anterior. Bruxelas destaca o setor da saúde como um dos exemplos mais visíveis desta transformação, através da utilização de sistemas de imagiologia médica baseados em IA para apoiar diagnósticos mais rápidos e precisos.

Ao nível dos cidadãos, mais de 60% dos europeus possuem atualmente competências digitais básicas, um número que fica aquém dos 74% em Portugal. Apesar da evolução, a Comissão alerta para a persistência de uma escassez de profissionais do setor tecnológico. Em 2025, estes trabalhadores representavam apenas 5% do emprego total na União Europeia, metade da meta de 10% estabelecida para 2030. A participação feminina continua igualmente reduzida, representando menos de um quinto dos profissionais do setor das tecnologias.

Bruxelas identifica ainda fragilidades em domínios considerados críticos para a soberania tecnológica europeia. A UE representa apenas 9% do mercado mundial de semicondutores, muito abaixo da meta de 20% definida para o final da década. A capacidade de computação disponível também continua insuficiente para responder à crescente procura, apesar dos progressos registados na instalação de infraestruturas de edge computing.

A cibersegurança é outra das áreas que suscita preocupação. Embora os níveis de proteção tenham melhorado, a Bruxelas sublinha que a Europa continua fortemente dependente de fornecedores externos, enquanto as empresas europeias permanecem sub-representadas entre os principais líderes mundiais do setor. Por fim, a Comissão Europeia alerta para as dificuldades enfrentadas pelas pequenas e médias empresas na adoção de tecnologias avançadas. Obstáculos relacionados com competências, acesso a dados, integração tecnológica e recursos financeiros continuam a limitar a transformação digital do tecido empresarial europeu, colocando em risco o cumprimento das metas definidas para 2030.

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