Portugal cai três lugares no ranking mundial da competitividade

Economia portuguesa caiu para o 40.º lugar do ranking de competitividade mundial do IMD, que avalia 70 países. Nos quatro pilares analisados, Portugal apenas melhorou no "Desempenho Económico".

ECO Fast
  • Portugal desceu três posições no ranking de competitividade do IMD, ocupando agora o 40.º lugar entre 70 economias, com Singapura no topo.
  • Apesar da melhoria no "Desempenho Económico", onde subiu para o 35.º lugar, o país recuou em Eficiência Empresarial e Governativa, evidenciando fragilidades estruturais.
  • A competitividade futura de Portugal depende da transformação de ativos em produtividade e inovação, exigindo instituições mais eficazes e líderes adaptáveis.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Portugal caiu três posições no ranking mundial de competitividade do International Institute for Management Development (IMD), passando a ocupar o 40.º lugar entre as 70 economias avaliadas. O ranking é liderado por Singapura.

Nos quatro pilares avaliados, Portugal apenas melhorou no “Desempenho Económico”, recuando nos restantes três indicadores. Os resultados sugerem que, apesar da melhoria do contexto económico, o país continua a perder terreno em áreas determinantes para a competitividade de longo prazo, como a eficiência das instituições, das empresas e das infraestruturas.

No pilar do “Desempenho Económico”, Portugal subiu sete posições, para o 35.º lugar, impulsionado pela melhoria do indicador de “Investimento Internacional”, que passou da 33.ª para a 21.ª posição. A economia doméstica também melhorou, do 54.º para o 49.º lugar, ao passo que o comércio internacional recuou da 22º para a 25ª posição.

Já na “Eficiência Empresarial”, o país recuou da 42.ª para a 45.ª posição. A descida resulta sobretudo do desempenho nas práticas de gestão (53.º lugar), mercado de trabalho (46.º) e produtividade (48.º), a que se juntam fragilidades persistentes no empreendedorismo, na dimensão das PME, na formação dos trabalhadores e nas competências financeiras das empresas.

Na “Eficiência Governativa”, Portugal caiu seis posições, do 35.º para o 41.º lugar. A única melhoria registada ocorreu no indicador de política fiscal, que passou do 56.º lugar em 2025 para o 54.º em 2026.

A análise, que é desenvolvida anualmente pela escola de negócios suíça IMD, e da qual é parceira a Porto Business School, sublinha que, “na Eficiência Governativa, a previsibilidade do enquadramento institucional, fiscal e regulatório continua a condicionar a decisão de investir e crescer com a política fiscal, as finanças públicas e a legislação empresarial entre os principais desafios, a exigir políticas públicas simples, estáveis e orientadas para a execução”.

O melhor desempenho de Portugal continua a verificar-se no pilar das “Infraestruturas”, onde ocupa a 31.ª posição. Ainda assim, trata-se de uma descida de seis lugares face a 2025, quando ocupava o 25.º lugar. Os melhores resultados surgem nos subindicadores de “Educação” e “Infraestrutura Tecnológica”, nos quais o país se posiciona em 23.º e 25.º lugar, respetivamente.

“Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos; mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto”, alerta José Esteves, dean da Porto Business School.

José Esteves defende que Portugal “precisa de empresas mais ágeis, instituições mais eficazes e líderes preparados para executar melhor, adaptar-se mais depressa e criar valor de forma sustentável”.

Portugal tem profissionais de excelência, atrai investimento e é uma economia aberta ao mundo. Mas a competitividade do futuro não se mede pelos ativos que temos; mede-se pela forma como os transformamos em produtividade, inovação, escala e impacto.

José Esteves

Dean da Porto Business School

Apesar das quedas nos pilares que sustentam a competitividade de longo prazo — Eficiência Governativa (41.º), Eficiência Empresarial (45.º) e Infraestruturas (31.º) —, Portugal continua a destacar-se em vários indicadores específicos. O país ocupa o quarto lugar mundial em receitas do turismo, o 11.º em fluxos de investimento direto estrangeiro em percentagem do PIB, o 12.º em baixos níveis de exclusão jovem e o terceiro lugar na menor concentração das exportações por produto.

Entre os principais fatores de atratividade apontados pelos gestores, destaca-se a mão-de-obra qualificada (72%), seguida da competitividade dos custos (68%), das infraestruturas fiáveis (62%), das atitudes abertas e positivas (60%) e da estabilidade das políticas públicas (40%). São os cinco indicadores de uma lista de 15 mais escolhidos pelos gestores.

Fatores de atratividade

Singapura lidera o ranking, seguida por Hong Kong, Suíça, Taiwan e Emirados Árabes Unidos. O top 10 é completado por Dinamarca (6.º), Irlanda (7.º), Países Baixos (8.º), Suécia (9.º) e Estados Unidos (10.º).

“As condições geopolíticas estão a deteriorar-se e a fragmentação global está a aumentar. As nações com instituições credíveis e testadas ganham vantagem neste contexto porque, à medida que o sistema internacional deixa de responder a muitas necessidades nacionais, as empresas conseguem continuar a operar com previsibilidade”, afirma Arturo Bris, diretor do World Competitiveness Center do IMD, citado em comunicado.

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