Sonae Sierra e Solive investem 55 milhões em 331 casas de renda acessível no Porto
Mais de três centenas de fogos serão colocados no mercado habitacional do Porto com renda acessível. Município assume responsabilidade por um máximo de 25 anos.
A Sonae Sierra e a Solive vão investir 55 milhões de euros na construção de 331 novas casas de renda acessível na freguesia de Campanhã, no Porto. O município assume-se como senhorio por um período máximo de 25 anos, ficando responsável pelo subarrendamento dos imóveis. O empreendimento “Cartes Living”, apontado pelas duas empresas e autarquia como sendo o “maior projeto Build to Rent do país“, estará pronto a habitar em 2029.
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Os 55 milhões de euros a investir, em partes iguais pelas duas empresas, foi anunciado esta quinta-feira por Alexandre Fernandes, administrador da área de desenvolvimento imobiliário da Sonae Sierra, à margem da sessão de assinatura do contrato-promessa de arrendamento com a autarquia da Invicta. Através do programa “Porto com Sentido”, o município fará a gestão do subarrendamento das 331 casas na Alameda de Cartes, nas imediações da estação ferroviária de Campanhã, distribuídas por dois edifícios, um com 10 pisos e outro com 15.
A Sonae Sierra e a Solive, proprietárias do terreno e promotoras deste projeto, ainda estão a negociar um financiamento bancário para o projeto, segundo adiantou Alexandre Fernandes, que prevê o arranque da empreitada durante este verão. “Vamos meter a comunicação prévia durante o mês de agosto e logo de seguida iniciaremos os trabalhos“, adiantou, por sua vez, António Araújo, administrador da Solive, uma joint Venture entre os grupos Legendre e Tecnibuild.
Entusiasmado com o projeto que surge como uma espécie de balão de oxigénio num mercado imobiliário com preços “aquecidos”, o presidente da autarquia enfatizou: “São 331 habitações que servirão centenas de agregados familiares; milhares de pessoas serão abrangidas neste projeto com características de qualidade urbanista e de construção, assim como de conforto e qualidade de vida”.
Permite ter uma política direcionada e efetiva para ter habitação no Porto para a classe média e classes mais jovens que não queremos afastar da cidade.
Já antes, António Araújo, administrador da Solive, tinha assegurado, durante a sua intervenção, que a “qualidade construtiva, o conforto e a eficiência enérgica” não estariam comprometidos neste empreendimento pelo facto de se destinar a arrendamento acessível.
Com tipologias entre T0 e T3, estas casas deverão registar rendas entre os 536,76 euros e os 971,28 euros. Estão ainda previstas cedências de cerca de 9.200 metros quadrados destinados a diversas infraestruturas, e outros 6.100 metros quadrados para áreas verdes.

Para o presidente da Câmara do Porto, o modelo “Build to Rent é muito interessante na perspetiva da política pública, com preços abaixo dos praticados no mercado”, uma vez que permite implementar “uma política direcionada e efetiva para ter habitação no Porto para a classe média e classes mais jovens que [a autarquia] não quer afastar da cidade“.
Até porque, justificou Pedro Duarte, “no Porto o problema da habitação não se resolve da mesma forma do que a nível nacional. A cidade tem características diferentes, desde logo é um espaço muito limitado. Portanto, temos de ter uma política inteligente e mais seletiva”. A solução, apontou, é chamar os privados a participar na estratégia do município para ajudar a responder aos problemas de habitação no mercado imobiliário.
O Cartes Living demonstra o foco da Sonae Sierra em contribuir para a resolução do problema de habitação na cidade do Porto e em Portugal.
Fernando Guedes de Oliveira, CEO da Sonae Sierra, focou precisamente esse aspeto quando tomou a palavra: “O Cartes Living demonstra o foco da Sonae Sierra em contribuir para a resolução do problema de habitação na cidade do Porto e em Portugal. Este projeto representa mais um passo relevante na consolidação da nossa estratégia de desenvolvimento de ativos residenciais, em que se inclui a promoção de vários ativos Build to Rent”.
Ainda assim, Pedro Duarte admitiu que “foi preciso partir muita pedra” até o município chegar a esta solução. “Mas diria que este trabalho acabou por ser uma solução ótima para a cidade”.
Para o autarca social-democrata, o projeto lançado nesta quinta-feira “é um excelente exemplo do que pode ser uma parceria público-privada”, manifestando o seu entusiasmo por a cidade do “Porto ter sido inovadora” na implementação do projeto”Build to Rent”. Uma solução, acredita, que será “essencialmente procurada por casais jovens e até alguma população que se teve de ausentar da cidade por força da pressão imobiliária nos últimos anos”.
O administrador da área de desenvolvimento imobiliário da Sonae Sierra adiantou ao ECO/LOcal que as duas empresas se encontram a analisar a possibilidade de implementar este modelo de parceria noutros municípios do país. “Este projeto do Porto com Sentido era aquele que estava mais evoluído e que nos permitiu construir um modelo de negócio que, para nós, fosse sustentável a longo prazo, porque isto tem que ser visto sempre de uma perspetiva a longo prazo e com uma forte componente social”, explanou Alexandre Fernandes.
Este é o segundo projeto “Build to Rent” no espaço de três meses no Porto e, mais concretamente, na freguesia de Campanhã, através da empresa municipal Porto Vivo, fruto de numa parceria público-privada.
Nos terrenos de uma antiga fábrica, estão a ser construídas 124 casas de arrendamento acessível para famílias de classe média e outras 27 para venda no mercado imobiliário livre, num investimento de 18 milhões de euros do grupo Ageas Portugal.
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