Setor da defesa atrai mais de 10 mil milhões de euros com escalada de conflitos

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 22 Junho 2026

Os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente estão a impulsionar uma corrida ao investimento em defesa, com mais de 10 mil milhões de euros aplicados em startups de drones, IA e sistemas autónomos.

Impulsionados pela escalada dos conflitos na Europa e no Médio Oriente, o capital de risco já canalizou este ano mais de 10 mil milhões de euros para startups de defesa, com drones, sistemas autónomos e inteligência artificial (IA) a liderarem a nova corrida ao investimento militar para uso no campo de batalha.

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As startups do setor já arrecadaram 12,3 mil milhões de dólares (cerca de 10,7 mil milhões de euros) em 2026, o que representa quase o dobro do mesmo período do ano passado, superando o total de 9,95 mil milhões de dólares (aproximadamente 8,7 mil milhões de euros) do ano anterior, de acordo com os dados da empresa de mercado de capitais PitchBook, vistos pelo Financial Times.

Estamos a testemunhar a mudança mais importante na forma como as guerras são travadas, possivelmente a mais importante de todos os tempos”, referiu Daniel Rudnicki Schlumberger, chefe da iniciativa de segurança e resiliência do JPMorgan para a Europa, Médio Oriente e Ásia, citado pelo jornal britânico.

Schlumberger acrescentou que as avaliações das empresas relacionadas com a defesa subiram acentuadamente à medida que os investidores perceberam que “este é um setor com uma necessidade de longo prazo”.

As guerras na Ucrânia e no Médio Oriente têm demonstrado a necessidade dos países obterem sistemas militares avançados que sejam mais baratos e mais rápidos de produzir. Contudo, havendo alguns fundos dispostos a pagar montantes cada vez maiores, levantou algumas preocupações no mercado sobre a possível criação de uma bolha.

Shonnel Malani, sócio-gerente do grupo norte-americano de private equity Advent International, afirmou que, embora existam preocupações “muito válidas” em relação a algumas das avaliações mais elevadas, os fatores que sustentam a procura permanecerão mesmo após o fim dos conflitos atuais.

“O principal motivo pelo qual precisamos de tecnologias e capacidades de defesa… é muito real. Não é exagero. Existe um conjunto de tecnologias mais sofisticadas que poderiam ser usadas contra nós, e precisamos de estar à altura desse desafio”, sublinhou Malani, mencionado pelo mesmo jornal.

O sócio-gerente do grupo de investimentos Atlantic Vantage Point (AVP) – empresa que lançou um novo fundo europeu de 500 milhões de euros para tecnologia de defesa – adiantou que o grupo tem mantido contacto com exércitos europeus para investir a longo termo.

“É um mercado aquecido… estamos a abordar o que corresponde aos orçamentos de longo prazo dos exércitos europeus”, afirmou Benoit Fosseprez, citado pelo Financial Times.

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