DareData quer duplicar faturação para 10 milhões em 2027 com expansão para o Reino Unido

  • Lusa
  • 23 Junho 2026

DareData prepara agora o 'salto' internacional com o GenOS, plataforma de monitorização e garantia de qualidade de sistemas de IA. Reino Unido é o mercado prioritário.

A startup de inteligência artificial DareData faturou acima de cinco milhões de euros em 2025 e quer duplicar esse valor até ao final de 2027, avançou em entrevista à Lusa o cofundador Ivo Bernardo.

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“Passámos a barreira dos cinco milhões de euros e nos próximos dois anos temos a expectativa de faturar acima dos dez”, afirmou.

A DareData, empresa de consultoria e produto na área de inteligência artificial (IA) fundada há seis anos, prepara agora o ‘salto’ internacional com o GenOS, plataforma de monitorização e garantia de qualidade de sistemas de IA.

“Estamos com várias conversas com clientes internacionais para fazer deployment (lançamento) deste produto”, disse Ivo Bernardo, indicando o Reino Unido como mercado prioritário.

Ivo Bernardo, cofundador da DareData, em entrevista ao podcast do ECO “.IA”Hugo Amaral/ECO

O cofundador explicou que a escolha recai sobre o Reino Unido pela proximidade cultural com Portugal, pelo fuso horário coincidente e por ser um mercado “mais aberto a comprar fora” do que França ou Alemanha.

Duas horas e meia de voo e estás no mesmo fuso horário (…) é muito fácil coordenar equipas“, justificou.

Atualmente, seis grandes empresas nacionais utilizam o GenOS, produto que assenta na lógica de human-in-the-loop, mecanismo que encaminha para um humano com conhecimento do negócio cada erro detetado por um modelo de IA.

“Os modelos de IA vão sempre errar, independentemente de quão bons sejam, vão ter sempre uma percentagem de erro, e a nossa plataforma assenta aí”, explicou.

A NOS detém uma participação de 20% na DareData, disse Ivo Bernardo, descrevendo a entrada da operadora como “natural” numa empresa com “a qualidade e a capacidade técnica” para desenvolver sistemas de IA.

A empresa conta com 130 trabalhadores, entre contratados a tempo inteiro e uma rede de ‘freelancers‘, com uma taxa de retenção de talento de 97%, num setor tecnológico onde a média ronda os 75%.

“Em cada 100 pessoas que trabalham connosco, apenas três deixam de trabalhar no ano seguinte”, disse o cofundador, atribuindo este resultado à prática de apresentar a cada trabalhador dois projetos à escolha sempre que surge um novo cliente.

Ivo Bernardo defendeu a importância dos modelos de IA de código aberto (‘open source‘) para evitar a concentração tecnológica “num conjunto pequeno de empresas”, alertando para os riscos que isso representa para a sociedade.

O responsável considerou que a IA vai permitir a empresas mais pequenas atingir uma escala que antes exigia muito mais recursos humanos. “Se, antigamente, para ter escala, precisavas de ter 100 ou 200 pessoas, se calhar hoje em dia precisas de 10 ou 20”, afirmou, ressalvando que a tecnologia “é agnóstica à parte moral” e que os riscos existem, mas residem em quem a usa, não na tecnologia em si.

Relativamente ao mercado português, Ivo Bernardo disse não observar a tendência, mais visível nos Estados Unidos, de usar a IA como pretexto para despedimentos em massa. “Aquilo que vemos nos Estados Unidos é quase a inteligência artificial usada como desculpa para fazer ‘lay-offs’ de contratações em massa que não fizeram sentido”, afirmou.

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