Ministra admite que há investimentos na saúde que vão perder dinheiro do PRR
Ana Paula Martins disse que "nem só de PRR vive o país, nenhum país" e que "algumas obras vão falhar" os prazos para receber fundos do Plano de Recuperação e Resiliência.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu esta terça-feira que há obras de unidades de saúde que vão perder fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) por incumprimento dos prazos, mas sublinhou que “nem só de PRR vive o país”.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Em declarações aos jornalistas à margem da inauguração de uma unidade de saúde familiar em Vila Nova de Famalicão, a ministra disse não estar em condições de concretizar quantas obras perderão o dinheiro do PRR. “Algumas vão falhar, não lhe posso dar um balanço porque todos os dias estamos a analisar. Até 31 de agosto, está-se a fazer um esforço enorme”, referiu.
Lembrou que, com o chamado “comboio de tempestades”, a disponibilidade de mão-de-obra para construção “começou a ficar mais diminuída”.
“Houve aqui uma série de coisas, é preciso dizer isto, que não são previsíveis. Uma coisa lhe posso garantir é que nós estamos com os autarcas, com as nossas unidades e também com a Rede Nacional de Cuidados Continuados e Paliativos a trabalhar dia após dia, noite após noite, para que não se perca, ou se perca o menos possível, de dinheiro do PRR (…). Nós vamos usar o dinheiro dentro daquilo que são as regras do PRR até o último cêntimo”, garantiu.
Para o que não for possível concretizar, haverá outros fundos. “Nem só de PRR vive o país, nenhum país. Portanto, a seguir teremos de avançar com os outros fundos, naturalmente, e também com aquilo que é o Orçamento do Estado, quando ele for discutido na Assembleia da República, pelos vários partidos”, apontou.
Ministra garante que não culpou imigrantes “de maneira nenhuma”
A ministra da Saúde afirmou ainda que não culpou “de maneira nenhuma” os imigrantes pelo aumento do número de utentes sem médico de família, mas considerou que a entrada em Portugal tem de ser feita “de outra maneira”.
“Não culpei, de maneira nenhuma, não ouviram nunca uma palavra contra a imigração, não ouviram nenhuma palavra contra o facto de as pessoas que nós recebemos para viverem em Portugal e para fazerem parte daquilo que é a nossa vida não acederem ao Serviço Nacional de Saúde e aos cuidados de que precisam”, referiu.
Ana Paula Martins reagia, assim, às críticas de que foi alvo na sequência de uma intervenção no Congresso do PSD, no sábado, em que reivindicou ter aumentado o número de médicos de família em Portugal, mas em que também falou nos efeitos da pressão migratória no setor da saúde.
“As circunstâncias que vivemos, com o aumento populacional brusco – causado pelo acolhimento de imigrantes que entraram no país sem regras e sem humanismo, a que acresce a existência de redes organizadas que se aproveitam da bondade da democracia e de negócios ilegais assentes nas ineficiências dos sistemas de saúde de outros países –, fazem com que o esforço e o sucesso que temos tido no aumento do número de médicos de família pareça não existir. Mas esse aumento existe, é real e vai continuar a ser real nos próximos meses”, defendeu, no congresso.
Esta terça-feira, a ministra disse ter “alguma dificuldade” em perceber que médicos e administradores hospitalares “não reconheçam que temos uma alteração demográfica importante” e que essa alteração demográfica “aconteceu num espaço de tempo muito curto”. Sublinhou que Portugal precisa “destas pessoas”, mas “com regras e com humanismo”.
“Não basta receber, temos de integrar as pessoas e na saúde temos de lhes dar cuidados de saúde. Muitos destes imigrantes que chegam até nós são pessoas que vêm procurar uma vida melhor, que são muito importantes para a economia portuguesa (…), mas precisamos de ampliar a nossa oferta para as poder receber condignamente”, acrescentou.
Ana Paula Martins adiantou que, desde que chegou ao Governo, já foi atribuído médico de família a mais de 300 mil utentes. Apontou que dar médico de família a todos os residentes em Portugal “não vai ser fácil nem rápido”, mas o Governo não vai, nem pode, “perder essa ambição”. “Não vamos desistir”, garantiu.
(Notícia atualizada às 16h12 com mais informação)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ministra admite que há investimentos na saúde que vão perder dinheiro do PRR
{{ noCommentsLabel }}