Presidente e dois sócios da KPMG Austrália demitem-se

Martin Sheppard vai deixar a empresa “em breve” e retirar-se das suas responsabilidades no 'board' regional. De saída estão também os 'partners' Paul Rogers e Eileen Hoggett.

O presidente da KPMG Austrália, Martin Sheppard, e dois sócios da área de auditoria anunciaram esta terça-feira a demissão da empresa, na sequência do escândalo que eclodiu em Camberra e envolveu a utilização indevida de informações confidenciais de clientes e o alegado tratamento inadequado de um denunciante (whistleblower).

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O chairman Martin Sheppard anunciou que iria deixar a empresa “em breve” e retirar-se das suas responsabilidades no conselho de administração regional. Prestes a deixar a firma estão também os partners Paul Rogers e Eileen Hoggett.

O CEO interino da KPMG Austrália explicou que estas decisões “são necessárias e imediatas”. “Não cumprimos os padrões esperados de nós e reconhecemos o impacto que isso teve no denunciante, nos nossos colaboradores, nos nossos clientes e na comunidade”, afirmou Stan Stavros.

“Estamos a agir onde é necessário: mudando a liderança, reforçando a governance independente, encomendando auditorias externas, melhorando a supervisão das denúncias, reforçando os controlos e intensificando a responsabilidade em toda a empresa”, garantiu o presidente executivo da consultora, em comunicado divulgado online.

A reestruturação incluiu, além das renúncias e mudanças na liderança, uma “grande” reforma da governança, incluindo a nomeação do seu primeiro presidente independente e de outros administradores externos, bem como uma revisão imediata das lições aprendidas com o caso da denúncia e das falhas verificadas e um plano de ação com foco na governance, cultura, ética e controlos.

O caso veio a público no mês passado e envolveu a KPMG da Austrália, que alegadamente terá usado indevidamente informações confidenciais do seu cliente Lendlease (imobiliária) para ganhar contratos de auditoria com o banco Westpac e a gestora de ativos Dexus, sendo que não agiu devidamente perante queixas de denunciante. Perante a polémica, o CEO da KPMG Austrália, Andrew Yates, demitiu-se com efeitos imediatos a 29 de maio, pediu desculpa ao whistleblower e foi substituído interinamente por Stan Stavros.

Andrew Yates, ex-CEO da KPMG Austrália, em audição parlamentar na comissão de Empresas e Serviços FinanceirosLukas Coch/EPA

Segundo a agência noticiosa Reuters, este caso na Terra Australis tem estado a prejudicar os contratos das concorrentes. A receita das Big Four, com trabalhos para o governo federal, caiu para quase metade desde uma fuga de informação fiscal que aconteceu na PwC há três anos. Em 2025, os novos contratos que a KPMG, a PwC, a Deloitte e a EY assinaram com a Austrália caíram a pique para 348 milhões de dólares australianos (cerca de 212 milhões de euros), menos 45% em termos homólogos.

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