FMI alerta para desafios dos supervisores na atração de talento para IA
É uma das recomendações para os reguladores financeiros: devem ter planos de recrutamento a médio e longo prazo para atraírem e reter trabalhadores. Sobretudo nas áreas emergentes como IA e dados.
Em maio, a consultora EY anunciou a contratação de Luís Costa Ferreira, diretor do Departamento de Supervisão Prudencial do Banco de Portugal. Talvez com a saída deste importante quadro em mente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou esta quarta-feira que a “elevada rotatividade” naquele departamento reduz a capacidade de vigilância do banco central. Mas não é o único alerta que deixa.
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Na avaliação que faz ao setor financeiro, a primeira em duas décadas, o fundo avisa que os três supervisores financeiros – Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões (ASF) – enfrentam “desafios” na atração de talento não só nas áreas mais tradicionais, mas também nas áreas mais emergentes relacionadas com a Inteligência Artificial, análise de dados e cibersegurança.
E devem por isso “desenvolver estratégias plurianuais de recrutamento e retenção de pessoal” com foco nos quadros intermédios e nas áreas das novas tecnologias, salientam os técnicos do fundo no relatório sobre Programa de Avaliação do Setor Financeiro publicado esta quarta-feira.
Em relação ao Banco de Portugal, o FMI deteta várias dificuldades em reter pessoal em vários departamentos, incluindo na resolução e na garantia de depósitos (que funcionam em fundos autónomos).
Em relação ao Departamento de Supervisão Prudencial, onde nota um ‘vai e vem’ de pessoal, o fundo salienta que “isto prejudica a capacidade do Banco de Portugal de garantir e reter competências especializadas — particularmente em TIC, dados e IA — necessárias para as suas crescentes responsabilidades de supervisão”.
“Não existe um plano prospetivo que ligue os níveis de pessoal e as competências às necessidades emergentes de supervisão”, sinaliza.
Quanto à CMVM e ASF, urge resolver definitivamente uma queixa que estes dois reguladores há muito se lamentam: das restrições impostas pelas regras orçamentais que condicionam a sua capacidade de recrutamento. O FMI pede “alterações ao regime orçamental para permitir que estes reguladores utilizem os seus próprios recursos sem dependerem do Orçamento do Estado”.
No geral, o fundo fez uma avaliação positiva a Portugal: o sistema financeiro português encontra-se sólido e resiliente, com riscos para a estabilidade financeira considerados moderados.
Ainda assim, dá conta da necessidade de algumas melhorias. Como o reforço dos poderes macroprudenciais do Banco de Portugal e uma revisão dos processos de designação dos administradores para a CMVM e ASF.
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