“É um mercado livre”, diz CEO da EDP sobre possibilidade de fundo soberano entrar na energia
Miguel Stilwell de Andrade diz que ainda não há detalhes sobre o fundo soberano que o Governo que lançar, incluindo para participações na energia, mas salienta que o "mercado é livre"
- O CEO da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, evitou comentar sobre a proposta do Estado de criar um fundo soberano para o setor energético, destacando a liberdade do mercado.
- O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a intenção de criar um fundo soberano para intervir em setores estratégicos, incluindo energia, banca e comunicações, sem detalhes adicionais.
- Stilwell de Andrade enfatizou a forte base acionista da EDP, com quase 80% de investidores não chineses, assegurando que não há interferência na gestão executiva da empresa.
O CEO da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, recusou-se esta quinta-feira a comentar de forma direta a possibilidade de o Estado comprar participações estratégicas no setor da energia através de um fundo soberano, pois “ainda não há detalhes” sobre essa iniciativa, mas sublinhou que “é um mercado livre” no qual os investidores tomam as suas decisões em função das oportunidades.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
No encerramento do 43.º Congresso do PSD, a 21 de junho de 2026, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a intenção do Governo de criar um fundo soberano, gerido no quadro do IGCP, para permitir a intervenção do Estado em setores estratégicos:
Segundo Montenegro, as participações serão em áreas como a energia, mas o Governo não exclui a banca, as comunicações ou mesmo a gestão de infraestruturas aeroportuárias se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações.
“Ainda não há detalhes sobre isso, portanto, aguardaremos para tentar perceber melhor o que é que está a ser apresentado aqui“, respondeu Stilwell de Andrade a uma pergunta do ECO sobre a possibilidade do Estado reentrar no capital de energética.
“Acionistas são bem vindos, investidores são bem vindos”, disse o CEO, num evento para marcar os 50 anos da empresa. “Obviamente, isto é um mercado livre e, portanto, as pessoas podem decidir investir ou desinvestir, consoante seja uma boa oportunidade ou não“.
O grupo EDP já conta com dois fundos soberanos como acionistas: o norueguês Norges Bank, tem 1,81% da ‘casa mãe’ no final de 2025 e a GIC de Singapura detém 4,4% da EDP Renováveis (na qual a EDP tem 71,4%)
A maior acionista da EDP é a estatal chinesa China Three Gorges (CTG) com uma participação 22,20%, seguida da gestora de ativos americana BlackRock, com 8,35% e a espanhola Oppidum com 6,82%.
“Não há interferência”
Miguel Stilwell de Andrade falou das diferentes épocas da empresa que celebra cinco décadas a 30 de junho, recordando que “já foi 100% estatal e agora é 100% privada”.
“Temos uma base de acionistas muito forte, quase 80% que não são da China“, adiantou, sublinhando que a EDP tem sido capaz “de navegar esta turbulência toda, ter um acionista chinês e fazer os equilíbrios necessários”, nomeadamente através de uma governance particular com dois boards – o Conselho Geral e de Supervisão, no qual a maioria não é chinesa, e o Conselho de Administração Executiva, onde todos os membros são independentes.
“Do ponto de vista da gestão executiva, não há qualquer interferência“, vincou o CEO. “O nosso crescimento nos EUA é a prova disso”,
(Notícia atualizada às 12h03)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
“É um mercado livre”, diz CEO da EDP sobre possibilidade de fundo soberano entrar na energia
{{ noCommentsLabel }}