Exclusivo KPMG law chega ao mercado. Tem sete sócios, 40 advogados e quer “fazer diferente”
A KPMG anda a preparar a entrada na advocacia há anos e, agora, é oficial. A KPMG Law é liderada por Luís Magalhães, tem sete sócios e aposta em áreas como o M&A, o Direito Público e a Concorrência.
- A KPMG anunciou oficialmente a criação da KPMG Law, uma nova sociedade de advogados liderada por Luís Magalhães, marcando a entrada da consultora no setor jurídico.
- A KPMG Law conta com sete sócios e cerca de 40 advogados, posicionando-se para competir em áreas como Corporate, M&A e Direito Público.
- A entrada da KPMG no mercado jurídico reflete uma mudança significativa nas profissões reguladas em Portugal, permitindo a formação de sociedades multidisciplinares.
Já é oficial. Depois de meses de expectativa do mercado, e de anos de preparação, a KPMG entra no negócio dos serviços jurídicos com a criação da KPMG Law, uma sociedade de advogados que tem sete sócios (quatro partners e três associate partners), cerca de 40 advogados e é liderada por Luís Magalhães, atual líder da divisão de fiscalidade e que passa a ser o ‘Head of Tax & Legal‘, segundo um comunicado interno enviado esta quinta-feira pelo presidente da KMPG, Vítor Ribeirinho, a todos os colaboradores, a que o ECO teve acesso.
“Hoje vamos concretizar uma das grandes ambições da nossa Partnership com a apresentação pública da KPMG Law, uma nova sociedade de advogados, integrada na Rede KPMG, e que estou certo não só marcará a diferença face à concorrência“, escreve Vítor Ribeirinho no email a que o ECO teve acesso.
Luís Magalhães terá sido o primeiro dos principais sócios das ‘big four’ a defender a multidisciplinaridade quando, no período da troika, se abriu a discussão sobre a abertura de a advocacia à concorrência e depois, em 2023, quando avançou a legislação sobre as sociedades multidisciplinares. E agora, sendo a última das ‘big four’ a chegar ao mercado, apresenta-se com um objetivo de marcar a diferença face às outras três consultoras, desde logo porque a KPMG definiu que o ‘Legal‘ terá o mesmo estatuto que a Auditoria, o Advisory e o Tax, e quer concorrer em áreas como o Corporate e M&A, o Direito Público ou Real state e Turismo com as principais sociedades de advocacia do pais. “Fazemo-lo agora porque sabemos que para fazer algo diferente, inovador e com uma equipa de excelência é necessário tempo, planeamento e uma análise cuidada de cada decisão“, justifica o presidente da KPMG, Vítor Ribeirinho, no email enviado aos colaboradores.
“Esta convicção e ambição, resulta do facto de podermos contar com uma equipa de excelência e reconhecida no mercado, composta por quatro Partners: João Afonso, Jorge Cortez, Marta Gouveia Gomes e a Samantha Cyrne e três Associate Partners: Bernardo Almeida Azevedo, o Dzhamil Oda, e o Manuel Gouveia Pereira, e que sob liderança do Luís Magalhães, que passa a partir de hoje a ter o papel de Head of Tax & Legal, constituem a nosso Partnership inicial desta nossa nova Firma“, revela. Eram advogados da VdA, Morais Leitão, Cuatrecasas e Deloitte Telles Legal.
A KPMG Law — que, segundo uma outra fonte, fará esta quinta-feira a sua apresentação a clientes em Lisboa e na sexta-feira no Porto — passa a ser um dos eixos centrais do negócio da consultora em Portugal. “Como é sabido, a área de Law é um pilar estratégico global da KPMG e é também uma das áreas prioritárias da KPMG Portugal. Este é, por isso, um passo estratégico importante para a nossa empresa que terá um papel determinante no reforço da nossa ambição enquanto empresa multidisciplinar, permitindo-nos integrar conhecimento e serviços jurídicos nas soluções que desenvolvemos para os nossos Clientes”, explica Vítor Ribeirinho no comunicado interno.

A entrada da KPMG no mercado jurídico acontece num novo quadro legal para as profissões reguladas em Portugal. A reforma das ordens profissionais, aprovada em 2023, abriu caminho à constituição de sociedades multidisciplinares de profissionais, permitindo que profissões organizadas em associações públicas profissionais possam ser exercidas em conjunto com outras profissões, desde que sejam respeitados os regimes de incompatibilidades, impedimentos, conflitos de interesses, independência técnica, deveres deontológicos, proteção de informação dos clientes e sigilo profissional.
No caso da advocacia, a alteração ao Estatuto da Ordem dos Advogados aprovada em 2024 passou a prever expressamente que os advogados podem constituir ou ingressar como sócios ou associados em sociedades profissionais de advogados ou em sociedades multidisciplinares. É este enquadramento que permite às grandes consultoras reorganizarem a sua oferta em Portugal em torno de modelos integrados de auditoria, fiscalidade, consultoria, tecnologia, risco, sustentabilidade e serviços jurídicos.
A estratégia das ‘Big Four’ na multidisciplinaridade seguiu caminhos diferentes. Enquanto a PwC e a EY criaram sociedades que trabalham em grande medida para responder às necessidades jurídicas das áreas principais de negócio das consultoras, a Deloitte avançou em 2025 com a integração da Telles, uma sociedade que tinha cerca de 150 advogados e mais de uma vintena de sócios.
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