IP estuda comboio de passageiros para Sines numa nova linha férrea
Atual linha, quase com 90 anos e usada para as mercadorias do porto de Sines, não tem previsto o serviço de passageiros, retirado em 1990, mas há uma nova linha em estudo e com dupla valência.
O tráfego ferroviário de e para Sines terá nos próximos seis meses uma nova fase, com a abertura da linha entre Évora e Espanha, à qual poderá somar-se um novo traçado para encurtar a distância entre a cidade litoral alentejana e Lisboa e no qual se está a analisar a introdução de comboios de passageiros. Em curso está um estudo da Infraestruturas de Portugal (IP) que “prevê a utilização de tráfego misto”, explica o Ministério das Infraestruturas e Habitação ao ECO/Local Online.
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Este estudo, indica o Governo, decorre “de acordo com o estabelecido no PFN (aprovado pela RCM n.º 77/2025, de 16 de abril), que permitirá aumentar a capacidade de transporte a partir do porto de Sines e criar uma redundância à atual Linha de Sines“. Nessa Resolução do Conselho de Ministros pode ler-se que o Plano Ferroviário Nacional (PFN) deverá “promover melhores ligações da rede ferroviária às infraestruturas portuárias e aeroportuárias e integrar o modo ferroviário nas principais cadeias logísticas nacionais e internacionais”.
Não se prevê a reativação do serviço de passageiros na atual Linha de Sines.
Na atual linha, que em setembro completará 90 anos desde a inauguração (anterior ao início da Segunda Guerra Mundial), o serviço de passageiros foi desativado em 1990, num movimento que afetou várias linhas ao longo do país nessa década. Apesar dos apelos de autarcas servidos por esta linha, o Governo não tem planos para reativar o serviço de passageiros. Para o fazer teria, desde logo, de repor a linha nos quilómetros finais à chegada a Sines, depois de obras em que a aposta foi direcionada para a ligação ao Porto de Sines.
“Não se prevê a reativação do serviço de passageiros na atual Linha de Sines”, indica o Ministério de Miguel Pinto Luz.
Numa entrevista ao ECO/Local Online em maio, Álvaro Beijinha, presidente da Câmara de Sines, frisou uma reivindicação da região, de que o seu antecessor também era mensageiro. “Sines, até 1990, tinha comboio de passageiros. Perdeu-o. Passados 36 anos, continuamos a não ter comboio de passageiros. A linha estava ali, desativaram-na e retiraram-na no troço mais junto a Sines. Como é que se desinveste num local que tem as infraestruturas mais importantes para o país”, questionou o autarca.
Num contexto de escassez e encarecimento da habitação em Sines para níveis acima da capital de distrito, Setúbal, Álvaro Beijinha diz que “se tivéssemos aqui uma linha ferroviária de passageiros, com uma ligação relativamente célere à margem sul, as pessoas não precisavam de viver aqui“.
Ainda na ferrovia, a inauguração da linha entre Évora e Espanha, troço que permitirá poupar três horas e meia de viagem face à atual viagem dos contentores através do Entroncamento (e daí pela linha do Leste), deverá ocorrer “no início de 2027”, indica o Ministério, clarificando: “Encontram-se em curso os testes e ensaios prévios à entrada em exploração da nova ligação ferroviária, necessários ao processo faseado de certificação da infraestrutura”.
Pedro do Ó Ramos, presidente da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, traçou o mapa da atual viagem. Em entrevista, realizada pelo ECO/Local Online em maio, explicou que “temos que ir ao Entroncamento, para depois descer. Não faz sentido. Temos muitas pendentes, essas pendentes foram eliminadas, temos neste momento comboios de 400 metros, passam para 750 metros, e podemos efetivamente chegar a Madrid três horas e meia mais rápido, e isso faz toda a diferença”.
Adicionalmente, “o frete fica muito mais barato, porque é pago ao quilómetro. É uma competitividade totalmente diferente”, afirmou o responsável máximo do Porto de Sines, de onde chegam a sair diariamente duas dezenas de comboios com contentores.
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