Sindicato acusa ANA/Vinci de desrespeitar negociação salarial e admite greve
A empresa fez um aumento salarial por ato de gestão e o sindicato, embora considere "justa" a atualização, considera “inaceitável” o método seguido pela concessionária dos aeroportos.
O SITAVA acusou esta sexta-feira a ANA/Vinci de tentar contornar a negociação coletiva, após uma atualização salarial por ato de gestão, e admitiu greve se o impasse no acordo de empresa continuar.
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Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) afirma que a atualização salarial “é justa”, mas considera “inaceitável” o método seguido pela concessionária dos aeroportos nacionais. “A ANA Aeroportos anunciou ontem [quinta-feira] em comunicado que decidiu implementar, por ato de gestão, uma atualização salarial para os seus trabalhadores”, refere o SITAVA, sustentando que os trabalhadores “merecem esta atualização e muito mais”.
Contactado pela Lusa para esclarecer o valor em causa, fonte oficial do SITAVA disse desconhecer o montante do aumento salarial decidido pela empresa. Questionada sobre a possibilidade de greve, a mesma fonte oficial adiantou que, nesta fase, não. “Mas se o impasse na negociação do acordo de empresa (AE) se mantiver, tudo pode acontecer”, afirmou.
Para o sindicato, o anúncio revela “o profundo desprezo da ANA/Vincipelos trabalhadores, pelos sindicatos e pelo próprio processo negocial”. No mesmo comunicado, o SITAVA afirma ter enviado à empresa propostas de atualização salarial no início do ano e diz que, perante a “total ausência de resposta”, decidiu desencadear um processo na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).
Segundo a estrutura sindical, a empresa “em vez de assumir as responsabilidades a que estava obrigada, fugiu ao processo, atrasou tudo o que pôde, apresentou justificações que enganaram o Governo e tentou transformar uma obrigação negocial num mero ritual burocrático”.
“Agora, depois de meses de recusa à negociação, a ANA/Vinci aparece com um ato de gestão como se estivesse a fazer um favor aos trabalhadores. Não está”, acusa o sindicato. O SITAVA considera que a empresa está a tentar “esvaziar o papel dos sindicatos”, “contornar a negociação coletiva” e “a impor unilateralmente aquilo que deveria resultar de um acordo digno, transparente e equilibrado”.
No comunicado, o sindicato acusa ainda a ANA/Vinci de seguir uma estratégia de “atrasar processos”, “desrespeitar interlocutores” e “ignorar a lei quando convém”. O SITAVA diz que continuará a denunciar a postura da empresa e a defender que a negociação coletiva “não é um obstáculo”, mas “um pilar fundamental das relações laborais num Estado democrático”.
A ANA – Aeroportos de Portugal gere os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Madeira, Porto Santo, Ponta Delgada, Santa Maria, Horta e Flores, bem como o Terminal Civil de Beja. A concessionária passou a integrar a Vinci Airports em 2013, na sequência do processo de privatização.
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