Start Campus reconhece que data center de Sines pode ser impactado por litígio entre a EDP e o Governo
EDP e Governo têm um diferendo sobre o sistema de circulação de água do mar. Start Campus tem "expetativa de que as autoridades competentes serão capazes de evitar eventuais impactos negativos".

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A Start Campus não afasta a possibilidade de existirem “eventuais impactos negativos no projeto Sines Data Center Campus” provocados pelo litígio entre a EDP e o Estado português no que respeita à titularidade dos canais de circulação da água do mar com que o centro de dados pretende arrefecer os seus servidores.
Ao ECO/Local Online, Luís Rodrigues, diretor da Start Campus, indica que a empresa “está atenta ao novo quadro legal aplicável e à notícia relativa à EDP, mantendo a legítima expetativa de que as autoridades competentes serão capazes de evitar eventuais impactos negativos no projeto Sines Data Center Campus“.
Em causa está um diferendo levado à Justiça pela EDP, segundo noticiou o Observador. A elétrica contesta o decreto do Governo que conferiu à Águas de Santo André, empresa do grupo Águas de Portugal, a propriedade do sistema de circulação de água do mar utilizado na central termoelétrica inaugurada nos anos 1980 e desmantelada em 2021.
A Start Campus está atenta ao novo quadro legal aplicável e à notícia relativa à EDP, mantendo a legítima expetativa de que as autoridades competentes serão capazes de evitar eventuais impactos negativos no projeto Sines Data Center Campus. O nosso objetivo fundamental continua a ser garantir o arrefecimento através da água do mar em toda a infraestrutura, assegurando uma maior eficiência e sustentabilidade.
O projeto em construção pela Start Campus em Sines implica a tomada de água do mar (e posterior devolução) junto à praia de São Torpes através dos canais da central, que durante cerca de quatro décadas serviram a central termoelétrica da EDP, explica o diretor de operações da empresa, Luís Rodrigues, ao ECO/Local Online. O plano implica que a água chegue ao centro de dados, faça o arrefecimento dos equipamentos e seja devolvida ao mar, com uma temperatura até três graus mais quente, tal como aconteceu durante as cerca de quatro décadas de funcionamento da central da EDP.
A utilização do sistema foi acordada entre a Start Campus e a EDP, mas agora, pelo Decreto-Lei 52/2026, é retirada a propriedade à elétrica. “São integrados na concessão, mediante afetação, os molhes de proteção e as estruturas de captação e restituição de água utilizada na antiga Central Termoelétrica de Sines (CTS), que ocupam o domínio público hídrico, por razões de interesse público, com vista a promover a salvaguarda dos recursos hídricos com origem nos rios Sado e Guadiana e nos recursos subterrâneos, e promover o incentivo à utilização de origens não convencionais de água para uso industrial”, indica o diploma que a EDP contesta.
Para tal, dizia o diretor da Start Campus ao ECO/Local Online no final de maio, faltava apenas o acesso aos direitos para uso da água do mar. Nesta fase do projeto, com apenas um edifício em funcionamento (e o segundo em construção), a empresa já está a consumir água do mar, não fazendo uso de outros recursos hídricos, para lá de alguma água industrial para os dry coolers (dispositivos de água recirculável para arrefecimento, à imagem de um radiador de automóvel), detalhou Luís Rodrigues.

“O nosso objetivo fundamental continua a ser garantir o arrefecimento através da água do mar em toda a infraestrutura, assegurando uma maior eficiência e sustentabilidade”, assegurava então Luís Rodrigues.
“No momento em que tivermos água do mar, não vamos pôr nenhuma pressão em termos de consumo de água na comunidade. Não existe consumo, não existe evaporação, sai é um bocadinho mais quente. Quando o projeto estiver todo construído será equivalente à central termoelétrica.”
“Estamos a garantir que o nosso desenho consegue ser totalmente integrado com água do mar. Temos tudo delineado e autorizado para o sistema, só temos de ter os direitos de água do mar para depois pôr a comunicação prévia na câmara e podermos construir”, explicava o diretor de operações da Start Campus há um mês.
Os sistemas com água industrial servirão depois como “redundantes, mas não primários”, concluía Luís Rodrigues. Contudo, o responsável da Start Campus assume agora potencial impacto na concretização do projeto que, na sua totalidade, poderá atingir os 10 mil milhões de euros.

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