UE prepara taxa de 15% sobre exportações de sucata de alumínio
Bruxelas quer proteger os produtores europeus, que reclamavam medidas para travar a fuga de sucata para o exterior, nomeadamente para a Ásia.

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A União Europeia quer impor uma taxa de 15% sobre as exportações de sucata de alumínio para evitar que este metal seja enviado para os Estados Unidos e para a Ásia, numa altura em que os materiais recicláveis estão a tornar-se um novo campo de disputa na corrida global por recursos, avança o Financial Times.
Segundo adianta o jornal, que cita duas fontes próximas do assunto, as taxas deverão entrar em vigor a 9 de setembro.
Esta medida, a confirmar-se, vem responder a uma reclamação do setor. Os produtores europeus de alumínio afirmam que estão a ser ultrapassados em licitações, uma vez que fundições no estrangeiro, com margens de lucro mais elevadas, conseguem pagar mais pela sucata na Europa, derretê-la para produzir novo metal e depois exportá-lo de volta para o bloco.
Também os industriais portugueses defendem a criação de uma taxa sobre a exportação de sucata de alumínio por parte da União Europeia, que pode variar entre 20% e 40%, para reter a sucata na Europa. Num apelo ao Conselho Europeu, em setembro passado, a Associação Portuguesa do Alumínio (APAL) alertava que “a ausência de ação imediata colocará em risco a indústria de reciclagem europeia, acentuando a dependência externa e dificultando o cumprimento das metas climáticas e de economia circular da União Europeia”.
Os Estados Unidos impõem tarifas de 50% sobre importações de alumínio acabado, mas isentam a sucata de metal. A procura por sucata da UE aumentou, nos últimos meses, na sequência do encerramento do Estreito de Ormuz, que reduziu as exportações provenientes do Golfo.
De acordo com a European Aluminium, que representa os produtores do setor, as exportações de sucata de alumínio da UE atingiram um recorde de 1,27 milhões de toneladas em 2025, mais cerca de 50% do que em 2019, sendo a maioria enviada para a Índia e a China.
O preço por tonelada aumentou cerca de metade desde outubro, passando de 1.500 euros para 2.240 euros, segundo dados da Fastmarkets. Já o preço do alumínio aumentou de forma mais lenta, de cerca de 2.700 euros para 3.150 euros, comprimindo as margens. Além disso, os europeus enfrentam custos de energia muito superiores aos dos concorrentes.
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