“É preciso vender”. Da inovação à produção, agendas mobilizadoras do PRR avançam para fase da comercialização

Ministro da Economia garante que projetos financiados pelo PRR vão terminar no prazo definido. Próximo passo é avançar para produção em série dos protótipos e comercialização em escala internacional.

Ainda não chegamos ao final do prazo, mas já é possível dizer que nas agendas mobilizadoras vamos cumprir objetivos contratados com a Comissão Europeia“. A garantia foi deixada, esta semana, pelo ministro da Economia, no 3.º Encontro das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial, no Europarque em Santa Maria da Feira. A poucos dias de terminar o período de execução destes projetos, Manuel Castro Almeida lançou o mote para o futuro: “É necessário produzir em série os protótipos alcançados, apostando na sua comercialização à escala internacional”.

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As 51 agendas, que representam 15% do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência), envolveram quase 1.100 entidades, “mais de sete mil milhões de euros de investimento mobilizado nas agendas mobilizadoras, e mais de 3.200 milhões de euros de subvenções do PRR e mais de 1.200 produtos, processos e serviços” deverão criar impactos “muito relevantes para a economia portuguesa.

Prestes a encerrarem o período de execução, o ministro destaca que o foco deve estar agora na produção, de olho nos mercados internacionais.

Agora é tempo do mercado. Podemos ter o melhor produto do mundo, se ficar no armazém, não tem valor nenhum. É tempo da engenharia se abraçar às vendas.

João Rui Ferreira

Secretário de Estado da Economia

Agora é tempo do mercado. Podemos ter o melhor produto do mundo, se ficar no armazém, não tem valor nenhum“, reforça o secretário de Estado da Economia. Para João Rui Ferreira, que também esteve presente no 3.º Encontro das Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial, é “tempo da engenharia se abraçar às vendas”, realça, notando que “vender dá muito trabalho e agora é preciso vender”.

Com projetos inovadores em áreas que vão desde o espaço e mobilidade elétrica, até aos setores mais tradicionais, como o calçado e o têxtil, as agendas mobilizadoras juntaram empresas em consórcios, à academia e investigação.

“O número de produtos, processos e serviços que são desenvolvidos continua a ser o indicador que traduz a capacidade de inovação”, refere Fernando Alfaiate, presidente da Estrutura de Missão Recuperar Portugal, notando que “traduz a capacidade de transferência de tecnologia e transformar o conhecimento em inovação e mais tarde industrialização“.

Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC Portugal, diz que agendas vão entrar no “segundo ato”, da comercializaçãoHugo Amaral/ECO

Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec Portugal, detalha que, segundo as estimativas da entidade, “cerca de 40% do investimento, dos 7,2 mil milhões, 40% são em novas cadeias de valor, onde Portugal não tinha competências”.

“Não havia competências instaladas. Estamos a falar de transição energética, o hidrogénio, as baterias, a mobilidade inteligente, o espaço, os biofármacos, áreas onde estão as cadeias de valor internacionais que vamos desenvolver”, resume. “Sabemos que são cadeias de alto valor, de alta competitividade“, aponta.

“A ambição é a palavra de toque que presidiu às agendas mobilizadoras, e digo mais, é ela que tem que presidir a umas agendas mobilizadoras 5.0, 6.0, que têm de existir”, reforça Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP.

Rafael Alves Rocha acrescenta que “gostava que as exportações portuguesas subissem de 45% para 55% no prazo de 5 anos”.

Se tivermos sucesso nestes projetos das agendas mobilizadoras e conseguirmos transformar em produto, em serviço, em mais-valia, podemos transformar um paradigma de investimento temporário para um paradigma de competitividade a longo prazo.

Rafael Alves Rocha

Diretor-geral da CIP

Se tivermos sucesso nestes projetos das agendas mobilizadoras e conseguirmos transformar em produto, em serviço, em mais-valia, podemos transformar um paradigma de investimento temporário para um paradigma de competitividade a longo prazo. Esse será o maior indicador destas agendas mobilizadoras e seria mais uma vez fruto dessa ambição que todos temos de colocar neste projeto”, conclui.

“Estamos no fim, na primeira fase, no primeiro ato, que foi a criação de nova ciência e a aplicação dessa nova ciência em termos de desenvolvimento tecnológico, mas agora vamos precisar ir para o próximo ato. E o próximo ato é construir ecossistemas e novas redes que permitam a industrialização e a comercialização“, sustenta Jorge Portugal. “E nós sabemos que estes novos atos são tão ou mais importantes para concretizar o investimento que fizemos com o ato anterior”, remata.

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