Há menos sinistros cibernéticos na Europa, mas risco persiste elevado

  • ECO Seguros
  • 28 Junho 2026

Apesar da queda de ciberincidentes, os dados revelam um cenário persistente de risco elevado, com ataques menos frequentes, mas mais dispendiosos para empresas e seguradoras.

As notificações de sinistros cibernéticos na Europa registaram uma queda assinalável em 2025 face ao ano anterior, impulsionada pela redução de eventos sistémicos em larga escala e por uma maturação gradual das defesas digitais das empresas. A conclusão é do “Europe Cyber Claims Report 2025” da Marsh, consultora de risco, corretagem de seguros e serviços de resseguro.

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Ainda assim, a descida no volume de notificações não eliminou as preocupações para seguradoras, corretores e gestores de risco, visto que a severidade dos incidentes continua elevada, em especial nas exposições relacionadas com privacidade e nas vulnerabilidades das cadeias de fornecimento.

Florian Sättler, responsável pela gestão de incidentes cibernéticos e co-líder de sinistros cibernéticos para a Europa na Marsh, citado pela Insurance Business Magazine, sublinha que “embora as notificações de sinistros cibernéticos tenham caído na Europa em 2025, a severidade dos incidentes continua a ser uma preocupação relevante“.

Privacidade no topo da lista

As violações de privacidade estiveram presentes em 73% das notificações europeias, como reflexo direto do ambiente regulatório, que inclui o RGPD e a diretiva NIS2. Estes eventos vão além das fugas de dados clássicas, abrangendo rastreamento em websites, falhas de gestão de consentimento, com implicações em custos de notificação, despesas legais e danos reputacionais mesmo quando a disrupção operacional é limitada.

Fonte: Relatório da Marsh “Europe Cyber Claims Report 2025”

Extorsão e engenharia social persistem

O ransomware e os incidentes associados a extorsão representaram cerca de 15% das notificações e continuaram a ser fonte de custos de recuperação e perdas por interrupção de negócio, combinando frequentemente ameaças de encriptação com roubo e divulgação de dados. Segundo a Insurance Business Magazine, um estudo da seguradora Resilience revelou que os volumes de sinistros de ransomware caíram 53% na primeira metade de 2025, mas que o custo médio por incidente subiu 17%, sugerindo que os ataques bem-sucedidos continuam a gerar perdas significativas apesar da menor frequência.

Já os ataques com base em engenharia social e o business email compromise (BEC), embora representem apenas 9% das notificações, figuram entre os sinistros com valores de perda financeira individual mais elevados, sendo cada vez mais aperfeiçoados através do uso de ferramentas de inteligência artificial.

Cadeias de fornecimento e setores em destaque

Cerca de 14% das notificações europeias estiveram também ligadas a fornecedores e parceiros da cadeia de fornecimento, e a Marsh prevê que esta percentagem continue a crescer.

O setor da manufatura representou cerca de 20% das notificações em 2025, sendo o alvo preferencial à medida que a crescente dependência de sistemas de produção interligados e de tecnologia operacional aumenta a exposição a disrupções. Logo abaixo está o setor das comunicações, media e tecnologia com uma percentagem de 17%, seguido do setor das instituições financeiras, com 10%.

Fonte: Relatório da Marsh “Europe Cyber Claims Report 2025”

Já a Alemanha destacou-se como exceção à tendência descendente europeia, com as notificações a subirem 22% em termos homólogos, atribuídas a uma maior concentração de agentes de ameaça em organizações alemãs e a alterações nas práticas de reporte, com um volume crescente de notificações preventivas ao abrigo das apólices de seguro.

Fonte: Relatório da Marsh “Europe Cyber Claims Report 2025”

Ciber-risco em Portugal

Como o ECOseguros já tinha noticiado, o ciber-risco mantém-se como a principal preocupação para as empresas nacionais, de acordo com o “Global Risk Management Survey 2025” da AON, devido ao acentuar do número de ataques e de episódios de violação de dados.

O facto de as empresas demorarem, em média, 204 dias a perceberem que foram alvo de um ciberataque agrava os danos e aumenta os custos de recuperação sendo, por isso, uma preocupação para as organizações.

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