Autonomia editorial será preservada, garantem presidentes da Lusa e da RTP
O acordo de cooperação entre a Lusa e a RTP foi acompanhado pelas direções de informação, para "que todos se sintam confortáveis". Os presidentes das duas empresas afastam cenário de partilha da sede.

Os presidentes da RTP e da Lusa garantiram, na tarde desta segunda-feira, que a auditoria editorial de ambas as empresas está salvaguardada. Na assinatura do memorando de entendimento entre o operador público de rádio e televisão e a agência de notícias, tanto Nicolau Santos como Joaquim Carreira reforçaram a ideia de que o desenho do memorando envolveu as direções de informação da RTP e também da Lusa, “para que todos se sentissem confortáveis”
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“Hoje em dia, em todo o mundo, há situação de ataque ao serviço público dos media. Estarmos juntos é importante, torna-nos mais fortes“, apontou o presidente da RTP.
O memorando “não contempla nenhum sinal de fusão“, permite aprofundar práticas que já têm vindo a ser desenvolvidas e, “lado a lado, podemos ir mais longe”, acrescenta o presidente da Lusa.
“Devemos colaborar lado a lado para alcançar objetivos claros face aos desafios que temos. Refiro-me ao nível de informação e de literacia mediática – uma área que me preocupa muito, que é bastante importante e sobre a qual, se calhar, não se fala o suficiente hoje em dia. Também ao nível da inteligência artificial, precisamos de saber como lidar com ela, mantendo a força das identidades de cada um”, referiu, em declarações ao +M à margem da assinatura do memorando, Joaquim Carreira.
“Nós operamos no mercado B2B (empresas) e a RTP no B2C (público), pelo que temos alguma complementaridade. Acho que devemos desenvolver capacidades e colmatar necessidades que às vezes nos faltam”, acrescenta, dando como exemplo o Funchal, região na qual a Lusa foi para as instalações da RTP, ou de Londres e da Venezuela, situações nas quais os correspondentes da Lusa também trabalharam para a RTP.
“O que pretendemos é reforçar e otimizar as várias competências mútuas para termos um setor de media público mais forte e capaz de enfrentar os desafios”, reforçou o responsável da Lusa.
Porquê? “Porque somos poucos. A RTP é grande comparada com a Lusa, e a Lusa é pequeníssima comparada com a RTP. Por sua vez, a RTP é muito pequena comparada com outros ‘monstros’ que existem, em televisão. Mas se estivermos mais unidos numa estratégia paralela, que respeite a independência de cada uma, acho que ficamos mais fortes. A cooperação é bem mais importante do que a competição”, sintetiza Joaquim Carreira.
Quanto aos receios que têm sido manifestados pelos órgãos representativos dos trabalhadores, Joaquim Carreira responde que “o acordo está escrito e é claro e transparente“. “Queremos reforçar as condições dos nossos profissionais, ou seja, dar-lhes novas capacidades, novos locais de trabalho e novas delegações”, diz.
A sinergia, em termos de instalações, não inclui Lisboa. “Não está a ser equacionado“, garante o presidente da Lusa. “Essa pergunta diz respeito ao acionista Estado. Tanto a Lusa como a RTP têm as suas respetivas sedes. Portanto, eventuais mudanças de instalações centrais não passam pelos conselhos de administração, mas sim pelo acionista Estado. Para já, nada disso está no horizonte”, acrescenta Nicolau Santos, presidente da RTP, também em declarações ao +M à margem da assinatura do memorando.
“O foco atual é a nossa rede regional. que é urgente ativar. Como temos visto nas notícias, há cada vez mais pontos no interior do país que deixaram de ter qualquer cobertura editorial e já nem recebem jornais. O serviço público, tanto da agência como da rádio e da televisão, tem a obrigação de fazer essa cobertura informativa, mas como os meios são escassos, precisamos de nos unir”, frisou.
Quanto às criticas dos trabalhadores, Nicolau Santos diz que também esta segunda-feira houve uma reunião com a Comissão de Trabalhadores, à qual foi explicado que “este é um memorando que está a ser trabalhado em conjunto com as direções de informação dos dois lados, precisamente para que todos se sintam confortáveis.
“Isto aprofunda uma colaboração que já existe há vários anos, mantendo-se a total independência editorial e as orientações de cada uma das redações. Não há nenhuma fusão de redações ou de empresas. Trata-se apenas de racionalizar as nossas capacidades e os nossos recursos para tirar deles o maior proveito possível, cumprindo o serviço público da forma mais eficaz”, assegura.
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