Galeria Vera Cortês fecha ao fim de 23 anos
Vera Cortês encerra a galeria a 19 de dezembro e aponta a pressão comercial, a concorrência e o ritmo do mercado como razões para uma decisão que surpreendeu o mercado.
A Galeria Vera Cortês vai encerrar a 19 de dezembro, 23 anos depois de Vera Cortês ter lançado o projeto que começou como agência de arte e que, na última década, se consolidou como galeria em Lisboa. A decisão é justificada com a transformação do negócio da arte. Vera Cortês reconhece que uma galeria é também uma “empreitada comercial”, mas considera que a dimensão comercial, a crescente competição e o ritmo do mercado passaram a condicionar cada vez mais o que se mostra, como se mostra e quando se mostra.
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De acordo com as últimas contas conhecidas, relativas a 2023, a empresa cresceu em vendas, mas perdeu rentabilidade em toda a linha. As vendas e serviços prestados subiram 19%, para 1,9 milhões de euros, mas o EBITDA caiu 27%, para 71 mil euros, com a margem a recuar de 6,1% para 3,7%. O resultado líquido caiu 26%, para um valor ligeiramente superior a 53 mil euros, penalizado pela pressão dos custos das mercadorias, que cresceram 39%, e por impostos que aumentaram 89%.
Até ao encerramento, a galeria mantém ativo o programa de exposições. Está patente “O Esquema Narrativo”, de Ana Vieira, pioneira da arte conceptual e da instalação em Portugal, e está prevista para o outono uma exposição individual da artista francesa Béatrice Balcou.

Num comunicado enviado ao mercado da arte, a galerista afirma que encerra a operação com “vontade e esperança”, as mesmas que, em 2003, a levaram a criar a Vera Cortês Agência de Arte. O modelo, recorda, foi “tão criticado quanto acarinhado”, antes de evoluir para o projeto galerístico que agora chega ao fim.
Vera Cortês diz encerrar a galeria depois de anos de crescimento sustentado e num momento em que representa artistas cujo trabalho admira. Sublinha também a relação construída com colecionadores, curadores, diretores de museus, feiras, fornecedores, equipas de produção, jornalistas, críticos de arte e outros galeristas.
A galeria inclui nomes como Alexandre Farto, conhecido como Vhils, Carlos Bunga, Daniel Blaufuks, Gabriela Albergaria, João Louro, André Romão, Armanda Duarte, Céline Condorelli, Ignasi Aballí, João Pimenta Gomes, Nuno da Luz e Susanne S. D. Themlitz. A lista de artistas representados inclui ainda a dupla Angela Detanico e Rafael Lain, Charbel-joseph H. Boutros, Daniel Gustav Cramer e a dupla britânica John Wood and Paul Harrison, num programa que cruza arte urbana, escultura, instalação, fotografia, desenho, som, linguagem, arquitetura, ecologia e cultura visual.
No comunicado, a galerista refere ainda o trabalho feito em defesa da redução do IVA no setor da arte, que considera ter reforçado a importância das galerias no sistema artístico e cultural.
Vera Cortês afirma que o percurso da galeria “se cumpriu” e deixa em aberto a continuidade da sua ligação à arte e aos artistas noutros modelos. “Sei que para mim se desenham agora outros caminhos”, escreve.
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