Bondalti aprova saída da Ercros de bolsa e reestrutura química espanhola com ajuda da EY

Integração total das duas empresas deverá demorar até um ano e meio. Prioridade é usar sinergias para inverter agravamento dos prejuízos.

Pouco mais de três meses após a conclusão da OPA que deu à Bondalti 77,23% do capital da Ercros, a química portuguesa aprova esta terça-feira, em assembleia geral, a exclusão de bolsa da empresa catalã e os novos órgãos de gestão. Um passo decisivo para a integração dos dois negócios, que deverá demorar um ano e meio a estar concluída.

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A elevada fatia do capital conseguida na oferta de aquisição garante a aprovação dos pontos da reunião de acionistas que arranca pelas 11h00 (mais uma hora em Espanha). Um deles é a “aprovação da exclusão de negociação das ações representativas do capital social da Sociedade nas Bolsas de Valores de Madrid, Barcelona, Bilbao e Valência” e a formulação pela Bondalti da “correspondente oferta pública”. A química portuguesa vai oferecer o mesmo valor por ação da OPA: 3,505 euros.

“A OPA de exclusão de bolsa da Ercros foi desde o início um objetivo assumido pela Bondalti. A sua concretização, que se materializará independentemente da adesão dos acionistas à venda, porque a Bondalti já controla mais de 77% do capital, permitirá dotar a empresa de uma maior agilidade na tomada de decisões estratégicas, ancorada num modelo de governo em linha com as melhores práticas”, assinala fonte da empresa ao ECO. Uma opção natural para o grupo, já que a empresa portuguesa também não está cotada.

Na assembleia serão ainda ratificados e nomeados os novos órgãos sociais. O presidente executivo da Bondalti, João de Mello, assume também a liderança da gestão da Ercros. André Côrte-Real de Albuquerque, Luís Rebelo da Silva e Agustín Franco Blasco completam a comissão executiva. O catalão Anton Valero, antigo presidente da Dow Chemical Ibérica e da Federação Empresarial da Indústria Química Espanhola, assume o cargo de chairman. As duas administradoras independentes da Ercros mantém-se no cargo, num sinal de continuidade.

João de Mello, presidente do conselho de administração da Bondalti.

EY assessora Bondalti na reestruturação da Ercros

A assembleia geral desta terça-feira marca o arranque de uma nova fase na vida da Ercros e da Bondalti, depois da oferta pública de aquisição lançada em março de 2024, que foi considerada hostil pela anterior administração e chegou a ter a concorrência da italiana Esseco, que acabou por retirar a sua OPA.

“Depois da OPA de exclusão, inicia-se um capítulo desafiante, no qual a Bondalti, em conjunto com as equipas da Ercros, estará focada na melhoria do desempenho da empresa”, refere fonte oficial.

A Ercros, que tem 10 fábricas em Espanha, entre derivados de cloro, química intermédia e produtos para a indústria farmacêutica, registou uma redução de 6,2% nas receitas em 2025, para 603,4 milhões de euros. Os prejuízos anuais agravaram-se, saltando dos 11,6 para os 53,6 milhões.

Fábrica da Ercros, em Vila-seca.

Uma tendência que se prolongou no primeiro trimestre deste ano, com as receitas a registarem uma quebra homóloga de 16,1%, para 154,8 milhões. “A Ercros continua a ser afetada pela persistente fraqueza na procura, custos de energia elevados e uma intensa concorrência dos países de fora da União Europeia”, lê-se no comunicado divulgado ao mercado. O resulto líquido foi negativo em 13,6 milhões, acima dos 12,2 milhões do mesmo período do ano anterior. A dívida líquida aumentou para 168,8 milhões.

Uma das prioridades da Bondalti é a inversão, já este ano, da tendência de deterioração dos resultados, beneficiando das sinergias na aquisição de matérias-primas e em termos comerciais. A empresa portuguesa está já a ser assessorada pela consultora EY na reestruturação da Ercros, sabe o ECO. O processo de integração das duas empresas deverá demorar um ano e meio a completar.

Outro ponto da agenda da assembleia geral é a revogação da política de remuneração aprovada pela anterior administração em 2025, dada a situação financeira da Ercros.

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