Custos da energia mais competitivos atraem novos investimentos industriais para a Península Ibérica
Abundância de energia solar e eólica na Península Ibérica está a captar projetos de indústria intensiva em energia, que trocam o ‘coração’ da Europa pelo sul e norte, concluiu um estudo da McKinsey.
Portugal, a par de Espanha e os países nórdicos, está a emergir como uma das zonas mais competitivas da Europa para atrair novos investimentos industriais, sobretudo na área da energia, concluiu um estudo do McKinsey Global Institute (MGI) divulgado esta terça-feira. A abundância de energia solar e eólica na Península Ibérica está a captar projetos de indústria intensiva em energia, que trocam o ‘coração’ da Europa pelo sul e norte.
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Esta nova “cartografia da competitividade” está, progressivamente, a redefinir a geografia industrial europeia e a traduzir-se em decisões concretas de localização de investimento que favorecem regiões com custos energéticos e de matérias-primas mais competitivos, segundo o relatório Catalyzing competitiveness: Where investment happens and why (“Catalisar a competitividade: onde o investimento acontece e porquê”).
“A Península Ibérica surge não apenas como uma oportunidade conjuntural, mas como um dos poucos exemplos na Europa onde vantagens estruturais, em particular no acesso a energia competitiva, estão já a traduzir-se numa maior capacidade de atrair investimento e de reposicionar a região nas cadeias de valor industriais do futuro”, lê-se no estudo elaborado por Anna Kortis, Jan Mischke, Chris Bradley, Sylvain Johansson, Shubham Singhal, Olivier Bus e Camillo Lamanna.
Segundo os autores, esta tendência é particularmente relevante para Portugal. Porquê? Embora o país tenha uma base histórica de capital produtivo por trabalhador relativamente baixa (cerca de 60 a 70 mil euros por trabalhador) e de níveis de PIB por trabalhador em torno de 35 a 45 mil euros, destaca-se agora pela forte recuperação do investimento produtivo e pelas condições favoráveis para captar novos projetos industriais.
Portugal é considerado um dos exemplos de restauro da competitividade do investimento pós-crise da dívida soberana e um dos países com melhor desempenho na Europa na reconstrução do investimento produtivo. Os especialistas do MIG destacam que, em 2024, a taxa de investimento produtivo líquido em Portugal foi de 4,6% do PIB, quando na Grécia se fixou nos 4,2%, em França, Itália e Espanha ficou abaixo dos 2% e na maior economia europeia, a Alemanha, foi de apenas 0,2%.

Défice de investimento na Europa é de 800 mil milhões
A análise do MIG indica ainda que o mapa global do investimento se está a transformar de forma acelerada, acentuando as divergências entre as principais economias. Enquanto no Velho Continente o investimento estagnou, materializando-se num défice estrutural de cerca de 800 mil milhões de euros anuais, a China continua a expandir a sua capacidade produtiva anual a um ritmo cerca de três vezes superior ao da Europa e Estados Unidos juntos, ainda que com níveis de rendibilidade por unidade de capital investido cerca de 40% inferiores.
Para reequilibrar os padrões de investimento e reforçar a competitividade, o MIG propõe uma série de medidas:
- Otimização do investimento em capital (capex), nomeadamente através da industrialização da construção e da desburocratização;
- Reforço da produtividade laboral, com recurso à automação e à inteligência artificial;
- Melhoria do acesso a energia limpa;
- Simplificação de processos para acelerar o tempo de chegada ao mercado (go-to-market);
- Maior transparência das políticas industriais;
- Reforço da inovação;
- Promoção da especialização em setores críticos e menos sensíveis ao custo, como semicondutores avançados, biotecnologia ou infraestruturas de supercomputação.
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