Elite dos milionários quadruplicou em 25 anos. Hoje são mais de 7 milhões

Luís Leitão,

Crescem mais depressa do que qualquer outro escalão de riqueza e investem em arte como nenhum outro grupo. Têm patrimónios líquidos acima dos 5 milhões de euros e são já mais de 7 milhões.

ECO Fast
  • O Global Wealth Report do UBS revela um crescimento acelerado da classe dos ultra-milionários, que já soma 7 milhões de indivíduos a nível global.
  • Os EUA lideram com mais de 4,1 milhões de ultra-milionários, enquanto a Europa, embora relevante, apresenta números inferiores, com a França a contar 182 mil.
  • A crescente riqueza destes indivíduos, que alocam uma parte significativa em ativos alternativos como a arte, destaca a importância da gestão ativa do património para proteger e multiplicar a riqueza.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Há um escalão acima dos milionários clássicos que tem crescido a grande velocidade. Trata-se de pessoas com um património líquido entre 5 milhões e 100 milhões de dólares, uma categoria de ultra-milionários que a 17.ª edição do Global Wealth Report do UBS, divulgado esta terça-feira, coloca na fasquia dos 7 milhões de pessoas a nível mundial.

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É uma classe muito restrita de milionários, mas que cresceu a um ritmo impressionante, acima dos 7% por ano desde o início do século, quadruplicando entre 2020 e 2025. O peso geográfico destes super-milionários mostra uma Europa ainda relevante, mas muito distante da liderança.

França acolhe 182 mil destes indivíduos, o Reino Unido 172 mil e a Alemanha 244 mil. Mas o domínio é norte-americano, com os EUA a concentrarem mais de 4,1 milhões dos 7 milhões de milionários deste escalão, absorvendo mais de 58% da riqueza deste segmento. A China continental vem no segundo lugar com 516 mil indivíduos e uma taxa de crescimento anual que supera os 20% desde 2000, um ritmo sem paralelo global.

Os milionários com mais de 50 milhões de dólares alocam, em média, 28% da sua riqueza a arte, uma fatia que desce para os 21% na faixa entre 5 e 10 milhões de euros.

Segundo o UBS, Espanha regista 83 mil adultos nesta elite de milionários. Portugal não tem representatividade suficiente para constar na análise a este segmento específico, o que por si só atesta a dimensão relativa das fortunas nacionais face aos congéneres europeus.

Além da geografia destas fortunas, é sobretudo no que fazem com o dinheiro que estes ultra-ricos se distinguem dos milionários mais comuns. Segundo o estudo do UBS e da Art Basel sobre colecionismo, a alocação a ativos alternativos, como a arte, ganha muito mais peso na carteira destes afortunados do que os clássicos milionários.

Os milionários com mais de 50 milhões de dólares alocam, em média, 28% da sua riqueza a arte, uma fatia que desce para os 21% na faixa entre 5 e 10 milhões, e cai para 16% nos milionários entre 1 milhão e 5 milhões. O banco suíço sublinha que estas grandes fortunas “não tratam a arte como um acessório decorativo” e que estas obras de arte valiosas “permanecem nas coleções privadas apesar de ventos económicos contrários”.

Em paralelo com a arte, os milionários reforçam as suas apostas financeiras. Nos EUA, por exemplo, quase 47% do património destes milionários está hoje em ativos financeiros líquidos, um salto expressivo face aos 38% dos anos anteriores.

A dinâmica desta criação de riqueza no topo revela, por exemplo, que a riqueza coletiva dos milionários com mais de 5 milhões de dólares escalou 343% em termos reais desde o ano 2000, num avanço anual de 6,1% líquido de inflação. Em contrapartida, as fortunas do escalão inferior (entre 1 e 5 milhões de dólares), que o UBS classifica como “everyday millionaires” (ou EMILLI), cresceram a apenas metade desse ritmo (170%).

Seja através de coleções de arte milionárias ou de portefólios de investimento líquidos e diversificados, esta elite dos “acima de 5 milhões” está a construir uma muralha em redor da sua riqueza.

A única grande exceção mundial no crescimento de milionários foi o Japão. A contínua e forte desvalorização do iene fez estagnar ou mesmo recuar o número destes milionários em dólares nos últimos 25 anos. O UBS alerta, porém, que muitos destes grandes investidores japoneses iniciaram “uma tendência que acreditamos estar em curso” de diversificação para fora do iene, procurando proteger a sua riqueza.

Bem acima destes 7 milhões de ultra-milionários encontra-se o grupo de elite restrito de 3.302 milionários com patrimónios líquidos acima dos mil milhões de dólares em 2026, mais 383 do que no ano passado. Segundo o UBS, mais de mil residem nos EUA, 562 na China e 211 na Índia.

A riqueza média desta classe cresceu em torno de 25% no último ano — e muito deste capital faz já parte daquilo a que o UBS chama a “grande transferência de riqueza” intergeracional que, a par da revolução tecnológica, moldará a economia e a inflação nas próximas décadas.

O retrato traçado pelo UBS mostra que a verdadeira linha de separação na economia global já não se faz apenas entre quem tem dinheiro e quem não tem, mas entre quem tem a capacidade de o proteger e multiplicar através de ativos globais.

Seja através de coleções de arte milionárias ou de portefólios de investimento líquidos e diversificados, esta elite dos “acima de 5 milhões” está a construir uma muralha em redor da sua riqueza. Uma lição que, num mercado cada vez mais assimétrico, mostra que a gestão ativa do património passou a ser o único escudo eficaz contra a perda de poder financeiro.

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