GMV em Portugal ajuda equipas na Venezuela com imagens satélite

À GMV em Portugal coube a análise da zona de Valencia, Guacara e Villa de Cura, na Venezuela, para dar informação sobre o impacto do terramoto ao nível de infraestruturas.

A GMV em Portugal prestou apoio às equipas na Venezuela que estão a dar apoio aos trabalhos de recuperação depois do sismo que abalou o país da América Latina. A empresa participou na ativação EMSR884 do Copernicus Emergency Management Service, produzindo informação geoespacial a partir da análise de imagens de satélite, apoiando a identificação da extensão dos danos.

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A empresa faz parte de um consórcio, liderado pela e-Geos (empresa da Telespazio, controlada pelo italiano grupo Leonardo), que fornece a União Europeia com o Copernicus Emergency Management Service (CEMS).

“Quando existe uma catástrofe, fogos, inundações ou o que aconteceu na Venezuela, este programa é ativado. É um serviço que está mais direcionado à segurança de cidadãos europeus, embora possa também fazer este tipo de ajuda para qualquer ponto do globo”, começa por explicar António Nunes, senior technical manager na GMV em Portugal, ao ECO/eRadar.

Na sequência do sismo, a Europa acionou este mecanismo. “Foi a Proteção Civil Europeia que acionou o serviço para que pudessem ser adquiridas as imagens e seja produzida depois toda a geoinformação que vai dar suporte para as equipas que estão no terreno”, descreve.

 

Em conjunto com o Joint Research Centre (JRC), que presta apoio à parte operacional e coordenação das ativações com o consórcio, foram definidas áreas de análise e distribuídas pelos membros do consórcio. À GMV em Portugal coube a análise da zona de Valencia, Guacara e Villa de Cura, na Venezuela.

“Há uma cadeia de procedimentos para organizar, por exemplo, quais as áreas em que vamos estar mais focados. Depois são adquiridas, já pelo consórcio, aos fornecedores imagens de satélite que possam caracterizar o que aconteceu depois e antes do evento para podermos assim identificar edifícios danificados ou destruídos, estradas ou ferrovias que também estejam a ser afetadas, estradas que possam estar bloqueadas pelos detritos dos próprios edifícios. Essa informação é toda compilada com base nessa análise das equipas”, descreve.

A informação compilada pela equipa do CEMS, em 12 áreas de interesse, dá conta da dimensão do impacto do terramoto. “Já foram identificados 1.300 edifícios que sofreram algum tipo de dano ou que ficaram derrubados; cerca de quase 7.000 quilómetros de estradas e 110 quilómetros de ferrovia que se encontram nas áreas de interesse e que podem sofrer algum tipo de dano”, elenca.

“A área total analisada é de cerca de 1.900 quilómetros, mais ou menos o que é a área metropolitana do Porto, ou cerca de 260 mil campos de futebol”, onde residem cerca de 2,7 milhões de pessoas.

“À medida que as equipas vão olhando para as áreas e vão identificando os danos, há situações em que são preferenciais e vamos continuar a monitorizar. Neste caso de La Guaira e Caracas, por exemplo, vão continuar em monitorização“, adianta António Nunes.

Desde 2018 que a GMV em Portugal integra este consórcio cujos serviços são ativados em situações de emergência. Neste momento, além do sismo na Venezuela, o CEMS está a monitorizar dois incêndios na Alemanha e Espanha, por exemplo. O sistema também foi ativado durante a tempestade Kristin, em Portugal.

“Estamos a olhar com alguma expectativa a situação deste verão”, admite António Nunes. A equipa da GMV em Portugal — que tem cerca de 20 colaboradores ligados a este serviço, com uma equipa de prevenção 24h-sete dias por semana — tem estado envolvida da monitorização de vários eventos.

“Tivemos, por exemplo, em Valência, quando foi a questão da inundação. Podemos ser ativados semanalmente. Para além deste da Venezuela, tivemos uma ativação, por exemplo, de um fogo na Alemanha”, diz.

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