IA faz tarefas de escritório melhor que humanos em 80% dos casos, avalia economista-chefe da OpenAI

O primeiro economista-chefe da OpenAI está em Sintra e disse que as avaliações da empresa que detém o ChatGPT revelam um crescimento "dramático" nas capacidades dos modelos de inteligência artificial.

ECO Fast
  • Aaron Chatterji, economista-chefe da OpenAI, destacou a importância da adoção da IA pelas empresas como motor de produtividade, durante o Fórum BCE em Sintra.
  • A OpenAI encerrou 2025 com receitas de 13,07 mil milhões de dólares, um aumento significativo face aos 3,7 mil milhões de 2024, impulsionado por investimentos em investigação.
  • A empresa está a preparar uma Oferta Pública Inicial, que poderá ocorrer ainda este outono, num contexto de crescente competição no setor da IA.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O que faz um economista-chefe da OpenAI, a empresa que detém o ChatGPT? A pergunta foi colocada a Aaron Chatterji pela esposa, em novembro de 2024, quando o professor da Duke University aceitou o convite para estrear esse cargo na empresa fundada por Sam Altman. Esta terça-feira, foi Philip Lane, membro do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) no fórum anual da instituição em Sintra, a fazer a mesma pergunta ao economista, que respondeu já com melhor conhecimento de causa.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“Dividimos o nosso trabalho na equipa de investigação em economia da OpenAI em três áreas”, explicou. A primeira centra-se no emprego e no crescimento económico. “Se és um economista que estuda a IA e estiveres num cocktail ou num jogo de futebol dos teus filhos, é essa a pergunta que te vão fazer: o que é que achas que a IA vai fazer aos empregos?”

A segunda área é a adoção da IA pelas empresas, que Chatterji considera ser o principal motor da produtividade. “As pessoas estão muito focadas nos consumidores, mas a adoção da IA pelas empresas e a sua implementação dentro das organizações é o verdadeiro fator de desbloqueio“.

Para o economista, o caminho para a AGI – sigla em inglês para Inteligência Artificial Geral, um tipo hipotético de IA capaz de igualar ou superar as capacidades humanas em praticamente qualquer tarefa cognitiva, incluindo aprender, raciocinar e adaptar-se a situações inéditas – passa pelas empresas e pelas organizações.

“A terceira área é a agenda de investigação económica para o período pós-AGI“, adianta. “Há muitos temas, como o auto-aperfeiçoamento recursivo — a capacidade de um modelo se melhorar a si próprio e desencadear um crescimento não linear das suas capacidades”. Chatterji diz que são questões que precisam de ser estudadas, mas admite que são difíceis de abordar recorrendo aos enquadramentos tradicionais da economia.

Os resultados apontam para um crescimento dramático das capacidades destes modelos

Aaron Chatterji

Economista-chefe da OpenAI

Para isso, a OpenAI lançou em novembro passado o GDPval — Chatterji reconhece ser um nome ambicioso — uma nova metodologia de avaliação para ajudar a monitorizar o desempenho dos modelos em tarefas com impacto económico e do mundo real, começando com 44 profissões.

“Pode tratar-se de elaborar uma brief processual no caso de um advogado, preparar um pitch deck no caso de um consultor, ou construir um modelo de fluxos de caixa descontados no caso de um analista financeiro”, exemplifica o economista. “Avaliamos a capacidade do modelo para realizar essas tarefas e comparamos o seu desempenho com o de um ser humano e depois, um avaliador — humano ou automático — aprecia o valor de ambos os resultados”.

“O que estamos a verificar é que os modelos mais recentes conseguem realizar essas tarefas ao mesmo nível ou melhor do que os humanos em cerca de 80% dos casos“, sublinha Chatterji. “Trata-se de um conjunto selecionado de tarefas de trabalho white collar, não estamos a falar de profissões completas, mas sim de tarefas específicas”.

“Ainda assim, os resultados apontam para um crescimento dramático das capacidades destes modelos“, refere, vincando que quando entrou na empresa os modelos superavam os resultados dos humanos em menos de 50% dos casos.

Uma conversa sobre inteligência artificial entre Aaron Chatterji, Economista-Chefe da OpenAI e professor na Universidade de Duke, e Philip R. Lane, membro do Conselho Executivo do Banco Central Europeu, no Fórum do BCE em Sintra, Portugal, a 30 de junho de 2026.European Central Bank 2026

 

A detentora do ChatGPT encerrou 2025 com receitas de 13,07 mil milhões de dólares, um aumento de cerca de 253% face aos 3,7 mil milhões registados em 2024. Segundo os números divulgados ao Financial Times pelo jornalista independente Ed Zitron, os custos e as despesas totais dispararam para 34 mil milhões de dólares, quase o triplo dos 12,48 mil milhões registados em 2024. Grande parte desse aumento foi impulsionado pelos investimentos em investigação e desenvolvimento, que passaram de 7,81 mil milhões para 19,18 mil milhões de dólares em apenas um ano.

Os elevados gastos da empresa têm sido financiados pelos investidores, que continuam entusiasmados e acreditam na indústria da IA. Em março, a OpenAI captou 122 mil milhões de dólares em financiamento, numa ronda que avaliou a empresa em mais de 850 mil milhões de dólares.

A empresa dona do ChatGPT apresentou no início de junho confidencialmente à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) a documentação necessária para uma Oferta Pública Inicial (IPO), num processo que poderá abrir caminho à entrada em bolsa da empresa ainda este outono. Sam Altman, CEO da empresa, tem defendido que a submissão da documentação dá à OpenAI a opção de recorrer aos mercados públicos para financiar o seu crescimento, sem excluir a possibilidade de a empresa permanecer privada.

A potencial entrada em bolsa da OpenAI surge numa altura de crescente competição no mercado da IA. Entre os principais rivais está a Anthropic, responsável pelo chatbot Claude, que também avançou recentemente com um pedido confidencial de IPO e poderá alcançar uma avaliação superior a um bilião de dólares.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

IA faz tarefas de escritório melhor que humanos em 80% dos casos, avalia economista-chefe da OpenAI

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião