Otimismo contido com queda do preço do petróleo. Governadores avisam que custos continuarão altos
Redução do preço do 'ouro negro' trouxe uma onda de relativo otimismo a Sintra, mas governadores ainda não suspiram de alívio e alertam que repercussão dos custos vai continuar a atingir a economia.
A queda do preço do petróleo animou alguns dos presentes no Fórum do Banco Central Europeu (BCE), que decorre até quarta-feira em Sintra. No entanto, o otimismo é contido, com alertas de que os custos de energia vão continuar elevados e que o choque energético irá continuar a repercutir-se na economia.
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As cotações do petróleo nos mercados internacionais estão a cair quase 1% esta terça-feira, caminhando para a maior queda trimestral desde o início da pandemia, com os investidores atentos às possíveis negociações de paz entre os EUA e o Irão em Doha, no Qatar, depois dos ataques que ambos lançaram no passado fim de semana.
O BCE subiu as três taxas de juro de referência em 25 pontos base na última reunião e os seus responsáveis estão agora a avaliar se deverão avançar com um novo aperto da política monetária nos próximos meses, numa altura de elevada incerteza geopolítica. Desde a decisão de 11 de junho, as perspetivas de um acordo de paz no Médio Oriente levou a uma queda dos preços do petróleo, com o Brent (referência para a Europa) a negociar abaixo dos 73 dólares.
Embora assinale que a confiança dos consumidores e das empresas está a melhorar na Zona Euro, o economista-chefe do BCE, Philip Lane, destaca que os níveis continuam abaixo dos registados no pré-guerra, antevendo que os preços do petróleo continuem relativamente elevados durante vários anos.
Em termos do impacto global sobre a inflação, o facto de podermos ter durante um ou dois anos preços do petróleo acima dos níveis anteriores à guerra representa, na prática, um choque de aumento de custos para a economia.
“Em termos do impacto global sobre a inflação, o facto de podermos ter durante um ou dois anos preços do petróleo acima dos níveis anteriores à guerra representa, na prática, um choque de aumento de custos para a economia“, afirmou esta terça-feira Philip Lane, em entrevista à Bloomberg TV, à margem do Fórum do BCE em Sintra.
Uma posição que não anda distante da partilhada por Joachim Nagel, presidente do Bundesbank, que considerou ainda ser “demasiado cedo” para Frankfurt decidir se vai voltar a subir as taxas de juro. Embora tenha reconhecido que os preços do petróleo diminuíram mais rapidamente do que o esperado, antecipa como “provável” que a inflação continue em níveis elevados.
“A inflação deverá manter-se significativamente acima da meta“, disse Nagel, em declarações à CNBC à margem do fórum anual organizado pela entidade liderada por Christine Lagarde.

A previsão de que a taxa de inflação vai manter-se elevada durante vários trimestres foi também assinalada por Pierre Wunsch, governador de Banco Nacional da Bélgica. No entanto, o responsável belga defende que a necessidade de voltar a subir os juros não é tão clara como anteriormente.
“Poderemos precisar de mais uma subida — é isso que os mercados estão a antecipar –, mas não tanto quanto pensávamos em junho“, disse à Bloomberg TV à margem do Fórum, acrescentando: “Se concluirmos que é necessária mais uma subida, preferia agir rapidamente. Isso não significa necessariamente em julho”.
Os analistas reviram em baixa as previsões para o preço do petróleo este ano pela primeira vez desde o início da guerra com o Irão, depois de cinco meses consecutivos de revisões em alta, de acordo com o inquérito mensal da Reuters divulgado esta terça-feira.
O consenso de 31 economistas e analistas aponta agora para um preço médio do Brent de 84,50 dólares por barril este ano, abaixo dos 90,44 dólares previstos no mês passado. Para o crude norte-americano (WTI), a previsão foi igualmente revista em baixa, para 79,49 dólares por barril, face aos 84,63 dólares estimados em maio.
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