Roubini acredita que revolução da IA vai superar guerras e tarifas e evitar uma recessão global
Na abertura do QSP Summit, no Porto, o economista norte-americano alertou ainda para a perda de competitividade da Europa face aos Estados Unidos e à China na corrida tecnológica.
Nouriel Roubini, economista norte-americano conhecido por ter antecipado a crise financeira de 2008, afirmou esta terça-feira que o mundo atravessa um período de “incerteza extrema”, mas acredita que a revolução tecnológica, liderada pela inteligência artificial, acabará por prevalecer sobre os riscos económicos e geopolíticos.
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Durante a sua intervenção na cerimónia de abertura da 19.ª edição do QSP Summit, Roubini descreveu um mundo marcado por pandemias, guerras, tensões comerciais e fragmentação geopolítica, mas defendeu que o impacto das novas tecnologias será suficientemente forte para impulsionar o crescimento económico e evitar uma recessão global.
“Vivemos num mundo invulgar, inesperado, sem precedentes, com turbulência e incerteza”, afirmou, recordando que, em apenas cinco anos, o mundo enfrentou a pandemia de Covid-19, a invasão russa da Ucrânia, o conflito no Médio Oriente, o regresso de Donald Trump à Casa Branca e uma nova guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.
Segundo Roubini, estes acontecimentos refletem uma mudança estrutural da ordem mundial, marcada por um cenário de relativa estabilidade para outro de maior volatilidade, risco e imprevisibilidade.
Apesar deste contexto, o economista mostrou-se mais otimista do que é habitual. Defendeu que a inteligência artificial representa “a maior inovação tecnológica da história da humanidade”, ultrapassando, em impacto económico, invenções como a eletricidade, a imprensa ou a internet.
A inteligência artificial representa a maior inovação tecnológica da história da humanidade.
Além da Inteligência Artificial, destacou o potencial transformador da robótica, dos semicondutores, da biotecnologia, da computação quântica, da energia de fusão, da exploração espacial e da cibersegurança, argumentando que estas tecnologias aumentarão a produtividade e reduzirão significativamente os custos de produção.
Na sua perspetiva, estas forças positivas compensarão os efeitos negativos provocados pela desglobalização, pelo envelhecimento demográfico, pelas alterações climáticas, pelas restrições à imigração e pelos conflitos geopolíticos.
Roubini admitiu que a imposição de tarifas por Donald Trump provocou receios de uma recessão mundial, mas considera que os mercados financeiros funcionam como um travão às políticas económicas mais agressivas.
“O mercado disciplina os governos”, afirmou, defendendo que sempre que as decisões políticas colocam em risco a estabilidade económica, os investidores obrigam os governos a corrigir o rumo.
Para o economista, este mecanismo reduz a probabilidade de uma recessão profunda e limita também o risco de uma inflação persistentemente elevada.
Roubini alerta que Europa está a perder a corrida tecnológica para EUA e China
Conhecido com um dos maiores economistas do mundo, Roubini alertou que a Europa está a perder terreno face aos Estados Unidos e à China na corrida tecnológica.
O economista considerou que a Europa continua a produzir conhecimento científico de excelência, mas falha na transformação dessa investigação em empresas inovadoras e líderes globais. “Se a Europa não mudar, os próximos 20 anos serão piores do que os últimos 20“, avisou.
Como resposta, defendeu um aprofundamento da integração europeia, com um verdadeiro mercado único de capitais, união bancária e políticas comuns nas áreas da defesa, inovação e imigração, argumentando que a escala será determinante para competir com as grandes potências tecnológicas.
À margem do QSP Summit, em declarações aos jornalistas, Roubini reforçou que a falta de inovação representa uma “ameaça existencial” para a Europa. “Se não inovar, acabará por falhar”, avisou, defendendo que a competitividade tecnológica é hoje mais determinante para o crescimento económico do que a própria conjuntura geopolítica.
O economista sustentou ainda que, apesar das guerras, das tensões comerciais e da fragmentação da economia mundial, “a inovação vem primeiro e tudo o resto vem depois”, considerando que o desenvolvimento tecnológico terá um impacto mais profundo no futuro das economias do que qualquer conflito ou crise de curto prazo.
Na reta final da intervenção, Roubini resumiu o momento atual como “o melhor e o pior dos mundos”: por um lado, uma crescente instabilidade económica e geopolítica; por outro, uma vaga de inovação sem precedentes que poderá sustentar um novo ciclo de crescimento.
“A inovação e a adaptação serão decisivas. Quem não inovar ficará para trás“, concluiu.
Conhecido pelas previsões pessimistas sobre a economia mundial, Roubini surpreendeu ao adotar um tom mais otimista, defendendo que o ritmo da inovação tecnológica será suficiente para compensar grande parte dos riscos económicos e geopolíticos que marcaram os últimos anos.
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