Roubini diz que Portugal pode beneficiar da corrida pelo talento se continuar a atrair imigração qualificada
Nouriel Roubini defende que a imigração qualificada será determinante para o crescimento económico, embora sublinhe que “todos os países precisam de regulamentar a imigração de alguma forma”.
O economista norte-americano Nouriel Roubini afirmou esta terça-feira que Portugal está bem posicionado para beneficiar da revolução tecnológica, mas terá de continuar a atrair trabalhadores qualificados e investimento para reforçar a sua competitividade. Em declarações aos jornalistas, à margem da cerimónia de abertura da 19.ª edição do QSP Summit, Roubini defendeu que a imigração qualificada será determinante para o crescimento das economias.
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“O objetivo deve ser atrair o máximo de talento possível”, afirmou, considerando que os países mais competitivos serão aqueles que conseguirem captar trabalhadores altamente qualificados, num contexto em que o envelhecimento da população e a escassez de mão-de-obra se agravam em várias economias desenvolvidas.
Questionado sobre Portugal, o economista considerou que o país “está a fazer um bom trabalho”, destacando a capacidade de atrair investimento internacional e profissionais estrangeiros, bem como a qualidade de vida — fatores que, na sua opinião, poderão tornar o país mais competitivo na nova economia assente na inovação.
“Portugal está a ir bem porque há uma concorrência saudável na Europa, incluindo entre países, apesar das regulamentações europeias”, disse Nouriel Roubini.
Para Roubini, a política migratória deve responder às necessidades das empresas e da economia, mas afirma que “todos os países precisam regulamentar a imigração de alguma forma”.
“Não se pode abrir a porta a qualquer pessoa. Mas, num mundo em que a população está a crescer — incluindo na Europa — o direito à migração é positivo”, afirmou, defendendo que “Portugal precisa de trabalhadores qualificados” e que os profissionais tecnológicos “devem ser bem recebidos”.
Não se pode abrir a porta a qualquer pessoa. Mas, num mundo em que a população está a crescer — incluindo na Europa — o direito à migração é positivo.
Por outro lado, o economista que previu a crise financeira mundial de 2008 acrescentou que o país pode também necessitar de trabalhadores menos qualificados, úteis para funções que a mão-de-obra local não consegue assegurar.
O economista norte-americano reconheceu ainda que os jovens enfrentam dificuldades na compra de habitação, mas defendeu que a “política correta não é impedir a entrada de imigrantes — sobretudo dos que trazem tecnologia e conhecimento”.
Em vez de restringir a entrada de estrangeiros, defendeu, os governos devem criar condições para atrair os profissionais de que necessitam, sobretudo nas áreas tecnológicas e de maior valor acrescentado.
As declarações surgem numa altura em que vários países disputam talento internacional para responder aos desafios da inteligência artificial e da transformação digital, num contexto de envelhecimento demográfico e crescente escassez de trabalhadores qualificados.
Conhecido por ter antecipado a crise financeira de 2008, Roubini acredita que os países capazes de combinar inovação, investimento e atração de talento estarão mais bem preparados para liderar a próxima fase da economia mundial.
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