Uma em cada quatro mulheres alterou vida profissional para conciliar com família
86% dos homens dizem que responsabilidades de prestação de cuidados regulares a filhos ou a netos menores de 15 anos não obrigaram a mudar vida profissional. Só 75,2% das mulheres indicam-no.
A conciliação entre a vida profissional e pessoal continua a ser mais desafiante para as mulheres que trabalham e são mães (ou avós) do que para os homens que trabalham e são pais (ou avôs). De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, cerca de uma em cada quatro das mulheres empregadas com responsabilidades familiares indicou mesmo ter alterado a sua atividade profissional para melhor conciliar com esses cuidados.
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“Ao conjunto dos empregados dos 18 aos 74 anos com responsabilidades de prestação de cuidados regulares a filhos ou a netos menores de 15 ou familiares dependentes com 15 e mais anos, foi perguntado se essas responsabilidades obrigaram a alguma alteração na sua vida profissional. 80,3% dos respondentes indicaram não ter efetuado qualquer alteração relacionada com o trabalho”, começa por indicar, de forma global, o gabinete de estatísticas.
O INE realça, contudo, que há uma diferença significativa (de quase 11 pontos percentuais) entre géneros. Enquanto 86% dos homens garantem não ter mudado a vida profissional por causa do trabalho, só 75,2% das mulheres estão nessa situação, segundo os dados agora divulgados, como se pode ver no gráfico abaixo.

Por outro lado, as estatísticas mostram que, entre os 19,1% que identificaram efeitos da prestação de cuidados na vida profissional, o mais referido foi a alteração do horário de trabalho sem alteração da carga horária a que está obrigado (7,2%).
“Esta mudança foi mais referida entre os residentes na região do Algarve (8,0%), por mulheres (8,3%), pessoas dos 18 aos 34 anos (7,8%), com ensino superior (9,2%), trabalhadores por conta própria (8,9%), nomeadamente os isolados (9,4%), empregados com dois ou mais empregos (10,6%), que determinavam o próprio horário de trabalho ainda que com restrições (11,7%), que trabalhavam em casa (9,6%) e a tempo completo (7,3%)”, detalha o INE.
Além disso, 3,3% dos empregados inquiridos revelam ter mudado de trabalho ou de empregador para melhor conciliar a sua vida profissional com as responsabilidades de prestações de cuidados e que 2,8% reduziram o horário de trabalho. Também aqui há mais casos que comprovam o impacto da vida pessoal na vida profissional entre as mulheres do que entre os homens.
A este mesmo grupo de pessoas (trabalhadores com responsabilidades familiares), o INE colocou a questão: que característica do trabalho mais dificulta a conciliação entre a vida pessoal e profissional?

Ora, o obstáculo mais frequentemente mencionado foi o horário de trabalho longo (11,8%), seguindo-se a imprevisibilidade do horário ou horário atípico (9,3%), o trabalho exigente ou cansativo (8,9%) e as deslocações casa-trabalho/trabalho-casa muito demoradas (6%).
“Duas em cada cinco mulheres nomearam características no seu trabalho que dificultam a prestação de cuidados familiares (40,5%), identificando o horário de trabalho longo (12,6%) e o trabalho exigente e cansativo (10,1%) como as principais. Por outro lado, entre os homens que reconheceram obstáculos à conciliação (37,2%), a dificuldade mais referida foi a imprevisibilidade do horário ou horário atípico (10,5%)”, aponta o INE.
Fosso de género também nas licenças parentais
Os dados divulgados esta terça-feira pintam também o retrato da utilização da licença parental em Portugal por género, com o INE a destacar, do total dos indivíduos em análise, 83% das mulheres indicaram ter usado essa licença. Já entre os homens, “só” 69,4% recorreram à licença parental.
Quanto à duração das interrupções na carreira para este fim, o gabinete de estatísticas avança que a média ronda os dois meses e seis meses, mas também aqui há uma “clara diferença entre homens e mulheres“.
“De facto, 81,3% dos homens indicaram durações acumuladas curtas: até um mês (51,1%) e mais de um até dois meses (30,2%). Por oposição, as interrupções mais extensas foram reportadas quase exclusivamente por mulheres: 91,5% estiveram de licença parental durante, pelo menos, 2 meses (31,2% indicaram uma ausência total de mais de 6 meses até 1 ano)”, assinala o INE.

Por outro lado, os dados agora conhecidos mostram que 57,3% das pessoas que cuidam regularmente de filhos menores de 15 anos não recorriam a serviços de acolhimento para todas as suas crianças, “particularmente porque os cuidados eram assegurados pelo próprio ou pelo cônjuge (47,6%)”.
O INE adianta ainda que “7,1% das pessoas cuidavam de familiares dependentes com 15 e mais anos, despendendo 30 e mais horas semanais na prestação desse cuidado (28,0%)”.
(Notícia atualizada às 11h58)
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