Dassault procura novas parcerias após colapso do caça europeu
A Dassault admite avançar com novos parceiros para desenvolver o próximo caça de combate europeu sem excluir empresas não europeias, após o fim do programa FCAS.
A Dassault Aviation admite procurar novos parceiros para desenvolver a próxima geração de caças de combate sem excluir empresas não europeias, após o colapso do programa Future Combat Air System (FCAS), devido a divergências industriais entre a fabricante francesa e a Airbus. As duas empresas também travaram o programa Eurodrone, de criação de um sistema aéreo não tripulado (UAS) de média altitude e longa duração.
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O CEO da fabricante de aviões francesa, Éric Trappier, afirmou que a empresa continua aberta à cooperação como já demonstraram no passado, mas apenas “com regras que sejam aceites desde o início”, durante uma comissão do Senado francês, citado pela Reuters.
O responsável deixou também em aberto a possibilidade de uma parceria com fabricantes não europeus. “Podemos fazer isso sozinhos, é possível, ou podemos encontrar parceiros. Esses parceiros têm de ser exclusivamente europeus? Essa é uma questão em aberto”, vincou Trappier.
Questionado sobre um eventual plano alternativo, o responsável apontou para o desenvolvimento de um “Super Rafale”, uma evolução do atual caça francês, sublinhando, porém, que essa opção não exclui a criação de “uma futura aeronave de combate”.
Éric Trappier acrescentou que esta solução custaria menos “do que desenvolver aquela enorme aeronave de combate que supostamente vai voar em 2035”, numa aparente referência ao caça FCAS, cujo calendário previa a entrada em serviço por volta do mesmo ano.
Em junho, a ministra da Defesa francesa, Catherine Vautrin, afirmou que Paris entrou em negociações com os Emirados Árabes Unidos (EAU) para colaborar na modernização do caça francês Rafale, fabricado pela Dassault Aviation.
O presidente da empresa francesa adiantou que a existência de um acordo com os EAU, confirmando igualmente o interesse demonstrado pelos EAU em conhecer os planos franceses para um futuro programa de aviação de combate.
Divergências estendem-se aos drones
As divergências entre a Dassault e a Airbus estendem-se também ao programa Eurodrone, destinado ao desenvolvimento de um drone europeu de vigilância para França, Alemanha, Itália e Espanha. O CEO da Dassault Aviation acusou a Airbus de ter tentado afastar a fabricante francesa do projeto.
“Para nós é muito simples. A Airbus disse-nos para sairmos. Não concordamos e, portanto, estamos a discutir as razões da nossa exclusão. Não posso dizer mais nada sobre o estado do programa porque as relações estão rompidas ao nível do projeto“, salientou o Éric Trappier aos senadores franceses, citado pela Reuters.
O litígio está relacionado com a redução da carga de trabalho atribuída à Dassault, depois de Paris ter decidido reduzir a aquisição do Eurodrone, concorrente europeu do norte-americano Reaper, avançou a agência noticiosa.
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