Guerra, qual guerra? IA atira bolsas para melhor trimestre em seis anos

Aposta na IA e força da economia resultaram no melhor trimestre em Wall Street desde 2020 (e a Europa aproveitou a boleia). Crude desceu ao nível pré-guerra, mas ouro não recuperou. Veja os gráficos.

“Os investidores não conseguem vislumbrar um fim para este bull run (mercado em alta) e sempre que há uma pequena correção, parece que surge um novo impulso para comprar“. A frase de David Morrison, analista sénior de mercados da Trade Nation, resume bem o sentimento nos mercados acionistas dos Estados Unidos no final do segundo trimestre. Veja aqui os desempenhos de alguns dos principais ativos financeiros no trimestre, face ao início do ano e há 12 meses:

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

No começo de abril, o cenário estava mais ensombrado com a guerra no Médio Oriente a entrar no segundo mês e a incerteza a causar volatilidade, mas inspirados inicialmente pelos ganhos (e apostas na inteligência artificial) das ‘Sete Magníficas’ tecnológicas – Amazon, Apple, Microsoft, Alphabet, Meta, Tesla e Nvidia -, os investidores em Wall Street mantiveram-se otimistas quanto ao crescimento económico e dos lucros empresariais, apesar das tensões persistentes no Médio Oriente.

O S&P 500 e o Nasdaq acabaram por registar os maiores ganhos trimestrais desde 2020, quando os mercados recuperavam em força dos mínimos atingidos durante a pandemia, enquanto o Dow Jones também teve um desempenho sólido, com o melhor trimestre desde 2022 e a fechar junho com um novo máximo histórico.

“Apesar de toda a instabilidade geopolítica, a economia norte-americana continua a apresentar um bom desempenho e os lucros das empresas permanecem sólidos“, afirmou Oliver Pursche, vice-presidente sénior e consultor da Wealthspire Advisors, à Reuters. “Tivemos um excelente primeiro semestre do ano, claramente melhor do que a maioria esperava.”

Na primeira metade do ano, o Nasdaq ganhou 32,42%, o S&P500 subiu 22,16% e o Dow Jones avançou 15,73%.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Na Europa, as ações registaram a maior valorização trimestral em mais de cinco anos, também impulsionadas pelo otimismo em torno da inteligência artificial e pelos sinais de alívio das tensões no Médio Oriente. O índice pan-europeu STOXX 600 registou em junho o terceiro ganho mensal consecutivo e acumulou uma valorização de 10% no trimestre, o melhor desempenho trimestral desde outubro de 2020.

“O que distingue a Europa é que, regra geral, os investidores não estão a pagar por crescimento económico… e, tratando-se de empresas menos entusiasmantes do que as tecnológicas norte-americanas ou, talvez, as fabricantes asiáticas de semicondutores, isso está a criar muitas oportunidades para investir em ações de valor”, afirmou Rob Lancastle, gestor de carteiras da J O Hambro Capital Management.

Uma das exceções na Europa foi o índice português PSI, que fechou o segundo trimestre praticamente inalterado. As perdas da Galp, que caiu 11,26% pressionada pela queda dos preços do petróleo, e da Jerónimo Martins (-18,48%), foram contrabalançadas pelo disparo de 24,40% do BCP – cujas ações ultrapassaram o patamar de um euro pela primeira vez em 11 anos – e pelos ganhos mais ligeiros dos títulos do grupo EDP e do conglomerado Sonae.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

No petróleo, o trimestre foi uma montanha russa provocada pelo fecho do Estreito de Ormuz, por onde passava um quinto do comércio global de crude antes da guerra no Irão. Os preços dos barris de Brent e do West Texas Intermediate (WTI) fecharam junho com as maiores quedas mensais e trimestrais desde o início da pandemia. Nos 72,92 dólares e 69,50 dólares, respetivamente, já negoceiam muito perto dos 72,48 dólares e 67,02 dólares do fecho de 27 de fevereiro, na véspera dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irão.

“Não diria que o mercado eliminou o prémio de risco, mas os navios que antes estavam retidos voltaram a ficar disponíveis à medida que aumentou o número de embarcações a sair do Golfo, criando uma vaga temporária de nova oferta”, afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O principal ativo a perder terreno no trimestre foi o ouro. Recorde após recorde, a escalada do preço do ouro parecia imparável no início do ano, mas a guerra no Médio Oriente trouxe riscos de inflação e uma viragem para política monetária mais restritiva para contrariar a subida de preços. Embora o ouro seja habitualmente visto como um ativo de refúgio contra a inflação, taxas de juro mais elevadas tendem a penalizar um ativo que não oferece rendimento.

Com a força do dólar – também impulsionado pela perspetiva de aumentos nas taxas de juro pela Reserva Federal – a castigar o metal precioso, o ouro registou primeira perda trimestral desde 2024 e a maior queda desde o segundo trimestre de 2013.

A fragilidade do cessar-fogo no Médio Oriente deverá continuar a penalizar a cotação. “Os mercados continuam algo apreensivos quanto à solidez do memorando de entendimento [entre EUA e Irão] e isso está a pressionar o ouro, porque os investidores não veem grandes sinais de que haja luz ao fundo do túnel”, afirmou Edward Meir, analista da Marex, à Reuters.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Guerra, qual guerra? IA atira bolsas para melhor trimestre em seis anos

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião