Investimento no Amália sobe para sete milhões de euros. Montenegro diz que o Governo “não está a festejar nada”

O Executivo vai investir mais 1,5 milhões de euros no modelo português de IA Amália, aumentando o financiamento total para sete milhões de euros para desenvolver o modelo e a infraestrutura soberana.

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  • O Governo português anunciou um reforço de 1,5 milhões de euros no investimento no modelo de inteligência artificial Amália, totalizando sete milhões até 2027.
  • O modelo Amália, que será disponibilizado em código aberto, visa apoiar diversas áreas da Administração Pública, como educação e saúde, reforçando a autonomia tecnológica nacional.
  • A próxima fase do projeto inclui a agentificação do modelo, aumentando a capacidade para executar tarefas de forma autónoma e complexa.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O Governo vai reforçar o investimento no modelo de inteligência artificial português (IA) Amália. O Executivo liderado por Luís Montenegro anunciou, esta quarta-feira, o reforço adicional de 1,5 milhões de euros para a evolução do modelo e da infraestrutura soberana até 2027, para o qual estava previsto inicialmente 5,5 milhões. Este valor tinha sido atribuído pelo Governo no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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O investimento total ascende, assim, a sete milhões de euros. A este montante juntam-se ainda sinergias provenientes de investimentos já realizados em território nacional, nomeadamente nos supercomputadores Deucalion e MareNostrum 5, que ultrapassam os 12 milhões de euros. O modelo de IA Amália será disponibilizado a várias áreas da Administração Pública, incluindo a educação, a defesa, a cultura, a saúde e o atendimento ao cidadão.

Na apresentação, que decorreu esta quarta-feira, o primeiro-ministro mostrou-se satisfeito com a conclusão do projeto dentro do prazo estipulado de 18 meses. Ainda assim, pediu cautela e afirmou acreditar que o Amália continuará a evoluir, tendo capacidade para melhorar os serviços públicos, o dia-a-dia das empresas, bem como a vida dos portugueses.

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, na apresentação do modelo de IA Amália.Hugo Amaral/ECO

“Não estamos aqui para festejar nada. Estamos aqui apenas para lançar o desafio de amanhã estarmos melhor do que estamos hoje e, para o ano, estarmos melhor do que estamos hoje”, sublinhou Luís Montenegro durante a apresentação, que decorreu em Lisboa.

O primeiro-ministro destacou a dependência tecnológica da Europa, em particular em relação aos EUA, considerando que o desenvolvimento do Amália representa um esforço para reforçar a autonomia nacional e europeia nesta área. “Nós estamos dependentes [de tecnologia estrangeira], não há como dizer de outra maneira. E hoje estamos a dar um pequeno passo, sei que é um pequeno passo”, afirmou.

Luís Montenegro defendeu ainda uma maior cultura de risco na aposta em inovação e tecnologia, argumentando que o desenvolvimento do país exige ambição e capacidade para agir. “Arriscar, a cultura do risco deve ser entendida dentro de um sentido de responsabilidade, ambição, num sentido de esperança e confiança. É caso para dizer que quem não arrisca não petisca, quem fica a aguardar grandes reflexões e consensualizações fica para trás. É mais importante tentar do que adiar, é mais importante tentar do que falhar”, finalizou.

O modelo de IA Amália vai agora ficar disponível como um modelo de código aberto (open source), o que significa que poderá ser acedido, utilizado, estudado e melhorado por qualquer pessoa. O Amália será depositado num repositório público, permitindo que investigadores, empresas, programadores e outros utilizadores o utilizem para desenvolver novas aplicações, adaptá-lo a diferentes necessidades ou contribuir para a sua evolução.

O modelo será também utilizado no setor da Educação, para apoiar os professores em diversas tarefas. Para o ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, “a IA vai ter um papel cada vez mais decisivo no bem-estar das pessoas, na forma como trabalham e aprendem“, começou por adiantar na apresentação que decorreu no Técnico Innovation Center.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, na apresentação do modelo de IA Amália.Hugo Amaral/ECO

O governante salientou que Portugal reúne condições para desenvolver um modelo desta dimensão graças ao investimento realizado ao longo das últimas décadas. “Felizmente, Portugal teve pessoas com visão, que há décadas investiram nesta área e desenvolveram as competências para termos investigadores que são relevantes a nível internacional numa área tão importante”, afirmou, destacando a parceria com a Universidade Carnegie Mellon, reconhecida pela sua experiência na área da computação.

Na apresentação esteve também presente o ministro da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, que defendeu que “a IA é hoje uma infraestrutura crítica e Portugal não podia ficar à margem desta tecnologia”. O governante afirmou ainda que o projeto “começou na anterior legislatura com este Governo” e sustentou que, à medida que o Estado reforça a digitalização dos seus serviços, “é necessário garantir a soberania”.

Próxima fase do Amália é a agentificação

Concluída a fase inicialmente prevista para os primeiros 18 meses do projeto Amália, a iniciativa entra agora numa nova etapa. O anúncio foi feito pelo CTO do Estado e presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), Manuel Dias, que revelou que um dos próximos objetivos passa pela agentificação do modelo, permitindo-lhe executar tarefas de forma autónoma.

O Amália é um modelo multimodal, capaz de compreender e gerar conteúdos em diferentes formatos, incluindo texto, imagem e voz. Manuel Dias sublinhou que esta versatilidade abre caminho a novas aplicações da tecnologia. “Este é um modelo multimodal que consegue gerar imagem e receber fala. Imaginem o que isto pode fazer”, atirou.

Manuel Dias, presidente da ARTE e CTO do Estado, na apresentação do modelo de IA Amália.Hugo Amaral/ECO

A capacidade do modelo será também reforçada, passando dos atuais nove mil milhões para 22 mil milhões de parâmetros, o que permitirá responder a tarefas mais complexas.

O modelo, desenvolvido para a língua portuguesa, está também a ser implementado na aplicação Gov.pt com o objetivo de, numa primeira fase, apoiar os cidadãos no acesso aos serviços públicos, incluindo processos como a renovação do Cartão de Cidadão. A utilização do Amália estará disponível tanto na versão para computador como na aplicação móvel.

O Amália será igualmente integrado na plataforma LicencIA, com o objetivo de simplificar processos de licenciamento e reduzir os tempos médios de análise, facilitando a interação entre cidadãos, empresas e a Administração Pública. O Governo espera ainda recorrer ao modelo para agilizar tarefas como a contratação pública, a análise jurídica e a avaliação de candidaturas.

Durante a apresentação foi também anunciado o Gov.IA, o portal de Inteligência Artificial da Administração Pública portuguesa. A plataforma pretende promover a utilização responsável de soluções de inteligência artificial por organismos públicos, cidadãos e empresas, reunindo ferramentas e recursos para apoiar a adoção desta tecnologia.

(Artigo atualizado pela última vez às 18h36)

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