“A comunicação social tem futuro”. Líderes do setor combatem o pessimismo nos prémios +Media Leaders

Rafael Correia, e ,

Entre a gestão financeira rigorosa e a adaptação à mudança constante, os cinco vencedores dos +Media Leaders, promovido pelo ECO e +M, apontaram várias estratégias de futuro para o setor dos media.

Luís Santana (Medialivre), Carlos Rodrigues (Now), Francisco Pedro Balsemão (Impresa), Miguel Pinheiro (Observador) e José Eduardo Moniz (TVI)Fotomontagem: Leonor Gonçalves\ECO; Fotografias: Hugo Amaral\ECO

Conhecidas os vencedores dos +Media Leaders, iniciativa promovida pelo ECO e +M, que visão têm estes da indústria dos media em Portugal? Apesar dos desafios que reconhecem para o setor, destacam a resiliência e inovação de uma indústria que, defendem, tem futuro.

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A prova dessa vitalidade começou a ser traçada logo pela Medialivre, consagrada com o prémio de Media Company. No seu discurso, o CEO do grupo, Luís Santana, lamentou a perceção pública sobre o setor. “A comunicação social tem sido injustamente maltratada nos últimos tempos. Continuamos a fazer excelentes produtos, quer na televisão, rádio, jornais ou no digital. Infelizmente, constatamos que não é essa a imagem que passa do setor.”

Carla Borges Ferreira, diretora executiva da +M, Luís Santana, CEO da Medialivre, e António Casanova, jurado +Media Leaders e CEO da Unilever Fima & Gallo WWHugo Amaral/ECO

Para enfrentar a mudança de paradigma e o que define como uma “concorrência absolutamente destrutiva”, Luís Santana detalhou a estratégia da empresa. “Temos identificado oportunidades e aproveitado para lançar novos projetos e áreas de negócio”, explicou. “A comunicação social tem futuro se for feita desta forma: com competência, rigor e com os pés bem assentes no chão”, rematou.

A materializar essa mesma estratégia esteve Carlos Rodrigues, diretor da CMTV e do Now, — que subiu ao palco para receber o prémio Media Challenger entregue ao canal de informação. “Prometi tentar trazer os abstencionistas de volta ao sistema. Isso hoje em dia é um enorme desafio para a indústria: trazer as pessoas que de alguma forma estão afastadas de nós, de volta ao sistema e ao consumo nos media tradicionais”.

Carlos Rodrigues, diretor da CMTV e do Now e diretor-geral editorial do grupo Medialivre, e Miguel Coutinho, jurado dos +Media Leaders, administrador e diretor-geral da Fundação EDP e do MAAT)Hugo Amaral/ECO

O também diretor-geral editorial do grupo Medialivre sublinhou a importância do novo projeto noticioso para o grupo. “Surgiu num momento em que a empresa estava a mudar”, recordou, referindo o processo de Management Buy Out (MBO) que alterou a estrutura acionista da antiga Cofina Media.

Apesar de ter enfrentado “maus augúrios” nos últimos dois anos, o responsável considera que o canal provou a sua viabilidade. “Conseguimos provar que, com uma equipa muito jovem, baseada em talento novo, com capacidade de trabalho, luta e ambição, é possível medir forças com uma gigante internacional como a CNN“, apontou.

A importância da gestão financeira rigorosa foi sublinhada por Miguel Pinheiro, diretor executivo do Observador. O responsável apontou que “nos media é preciso saber poupar dinheiro, mas também saber gastar. No Observador, poupamos muito para podermos gastar onde realmente vale a pena”.

Miguel Pinheiro, diretor executivo do ObservadorHugo Amaral/ECO

Ao refletir sobre a vitória do Podcast Plus na categoria de Media Innovation and Growth, Miguel Pinheiro explicou que o projeto só avançou porque a empresa soube amealhar para investir. O formato tem dado frutos. “Os Plus foram um salto enorme que nos permitiu mostrar uma nova série de produtos a muita gente“. A última série “Os ficheiros do caso Carlos Castro” ultrapassou um milhão de ouvintes, e há já uma nova a caminho, referiu.

A cerimónia distinguiu também as personalidades mais marcantes do ano. Ao receber o galardão de Media Leader, Francisco Pedro Balsemão, CEO e chairman da Impresa, recordou o “ano difícil” de 2025, onde a empresa inverteu os prejuízos de 2024 e conseguiu alcançar o seu melhor resultado operacional desde 2021. O ano foi também marcado pelo processo de entrada da italiana MFE como segunda maior acionista da Impresa, tendo o gestor agradecido por estes terem “apostado no nosso talento, no nosso projeto”. “Queremos muito construir um futuro em conjunto”, salientou.

Carla Borges Ferreira, diretora executiva da +M, Francisco Pedro Balsemão, CEO e chairman da Impresa, e Francisco Teixeira, jurado +Media Leaders e country manager da WPP PortugalHugo Amaral/ECO

O líder da Impresa também rejeitou categoricamente a obsolescência dos meios tradicionais. “Há muito para fazer neste setor. Temos aqui líderes a lutar para mostrar as nossas mais-valias, como a qualidade dos conteúdos. É por isso que os anunciantes e as agências apostam em nós. Temos credibilidade, fiabilidade nas métricas, inovaçãoNão somos legacy media, somos inovadores”, afirmou Francisco Pedro Balsemão. O responsável dedicou o prémio ao seu pai e fundador do grupo, Francisco Pinto Balsemão, que faleceu em outubro.

José Eduardo Moniz, distinguido pelo seu legado no setor, desmistificou a ideia de uma crise permanente, encarando a instabilidade como a própria natureza dos media. “Sempre ouvi falar na palavra crise e que o mundo está em transformação e em mudança. Mas acho que a comunicação social é mesmo isso. A mudança é um mecanismo de adaptação permanente a uma realidade que muda todos os dias. A realidade não é imutável”, defendeu. O responsável acrescentou que “a televisão e os jornais são organismos vivos e temos de nos habituar a essa ideia“.

Carla Borges Ferreira, diretora executiva da +M, José Eduardo Moniz, diretor-geral da TVI, e António Leitão Amaro, ministro da PresidênciaHugo Amaral/ECO

O diretor-geral da TVI sublinhou a necessidade de resiliência. “Temos de aprender as doutrinas do sacrifício, da tenacidade, da perseverança, da indiferença à crítica. É preciso assumir que temos ideias e que as devemos pôr de pé”. “Uma das coisas que tenho de fazer hoje é impulsionar a criatividade, a coragem e a vontade de fazer diferente”, explicou, alertando que “sem inovação não vamos a lado nenhum”.

Moniz ironizou ainda as previsões fatalistas sobre o meio e deu como exemplo a recente união entre a TVI, a SIC e a RTP para garantir a transmissão do Mundial de 2026. “Toda a gente diz: ‘a televisão generalista está acabada, os novos veículos de comunicação vão dar cabo dela’. Mas somos um meio extremamente importante, aquele que mais gente congrega ao mesmo tempo e, como tal, deve ser preservado, incentivado e encorajado a dar passos determinados para a frente”.

A fechar a sua intervenção, o gestor deixou um recado direto ao ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que lhe entregou o galardão, instando-o a passar das promessas à ação. “Dê andamento a tudo aquilo de que falou aqui, porque acho que a comunicação social merece isso. Mas faça-o sem paternalismos e sem dirigismos, porque se caírem nessa tentação, prestarão um péssimo serviço ao país”. Minutos antes, na abertura do evento, o ministro tinha defendido uma estratégia de menor intervenção estatal no mercado.

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